Ainda não consigo acreditar que Davi está em um relacionamento e que de alguma forma nutri alguma coisa por ele para me sentir assim, sou mesmo uma tola, burra.

Tento ignorar os meus sentimentos e dar voz a minha razão, não é fácil ignorar Davi e o tratar como qualquer outra pessoa da delegacia, consegui me manter firme nesse propósito desde que o vi aos beijos com a loira no estacionamento, mas espero me manter firme pelo menos até o Dr. Marcelo voltar.

Está quase dando meu horário para ir embora, hoje é quinta e não vejo a hora de chegar na faculdade, e ter minha aula de orientação para o TCC. Mas parece que São Pedro decidiu conspirar contra mim, mandou uma chuva que ninguém está conseguindo sair da delegacia. Decidi arriscar com minha sombrinha e ir para o ponto de ônibus, mas a força da chuva estava demais, e acabou levando minha sombrinha com o vento.

Ônibus nenhum passava e a chuva estava cada vez mais forte que as ruas estavam alagadas, alguns carros ainda arriscavam e enfrentava a correnteza. Ainda na esperança que algum ônibus passasse, um carro que eu conhecia bem parou ao meu lado e abaixou o vidro.

- Helena, entra aqui. - Davi gritou.

- Não, obrigada, o ônibus está vindo.

- Não seja teimosa, entra logo. - Não havia ônibus algum a caminho e corria perigo naquele ponto de ônibus, decidi ceder.

- Você não tá pensando em ir pra faculdade né?

- Eu tô sim - Respondi

- Mas você não vai mesmo, essa chuva não vai passar agora, e provavelmente você não vai ter como voltar.

- Eu preciso ir pra faculdade. - Tento me mostrar irredutível na minha decisão.

- Me diz como pretende voltar? - Não respondo, nisso ele tinha razão, com o rádio ligado ouvimos que por causa das fortes chuvas os ônibus tinham parado de circular. Não o contestei mais.

Davi estava dirigindo a 20km por hora por causa da forte correnteza, vi quando ele virou a direita saindo do trajeto do ônibus em que pegava quando estava indo pra casa.

- Pra onde vamos?

- Eu moro aqui perto e já está tarde, vamos esperar essa chuva passar depois eu te levo em casa.

- Era só o que me faltava, eu não quero ir pra sua casa Davi. - Falo e ele encosta o carro.

- Então fique a vontade para descer e encarar essa chuva sozinha Srta teimosa. - O encaro e ele tem razão novamente, não dá pra encarar essa chuva só pra fugir dele, decido me calar. Desvio meu olhar e ele volta a dirigir.

O prédio em que Davi mora fica localizado em frente a praia, é enorme e bonito. No elevador ficamos um de cada lado sem trocarmos uma palavra até chegarmos no seu andar.

- Pode ficar a vontade. - Ele abre a porta e adentra abrindo espaço pra eu entrar. O apartamento é sofisticado e muito bem arrumado. - Vou tomar um banho e já volto pra fazer algo pra gente comer. - Minha mente traiçoeira já imagina esse homem no banho, tento disfarçar.

- Não se preocupe comigo, pode ir. - Disse depois de desviar meu olhar daquele corpo divino que mesmo vestido faz minha imaginação criar asas.

Davi anui com a cabeça e adentra um corredor, enquanto fico vagando em sua sala olhando tudo como uma criança curiosa. A varanda com os vidros fechados dá pra ver a chuva caindo do lado de fora, o vai e vem das ondas. Desde pequena sempre amei praia, mas não pelo fato de tomar sol ou se banhar mas as ondas, a forma como o vento toca as ondas, me acalmava.

- Você deve tá sentindo frio com essa roupa molhada, trouxe uma camisa minha se você quiser. - Não vi Davi chegando, ele estava vestindo uma calça de moletom e uma camisa cinza que conseguia ver perfeitamente seu peitoral definido, desviando o olhar apenas acenei com a cabeça.

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