CINQUENTA E TRÊS: NICHOLAS

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— Nossa, quase que vocês dois me matam de susto. — Lorenzo sorri. — Eu já ia descer para encontrar vocês, só estava esperando a Mia terminar de pintar um dos planetas.

Lorenzo se afasta e nos da espaço para entrarmos em seu quarto. É estranho não vê-lo com aquele casaco de couro, ele está usando uma camiseta de botões e mangas compridas em cor preta e uma bermuda jeans.

— Olá! — Mia diz após entrarmos no quarto. Ela está segurando um pincel sujo de preto e seus cabelos brancos curtinhos estão presos de forma desorganizada. Sua camiseta vermelha também está suja, em vários pontos. E após o Lorenzo se virar, eu posso ver que a sua bochecha está no mesmo tom de tinta, azul. Aparentemente, uma guerra já havia acontecido ali.

— Estão desenvolvendo um sistema planetário? — Alison se adianta, indo até a Mia que está com o projeto sobre a grande mesa de estudos em cor preta que tem no quarto do Lorenzo. — Isso está incrível.

Enquanto as duas dão início a uma conversa, Lorenzo segura a minha mão e termina de me puxar para dentro do quarto, em seguida ele fecha a porta.

Meus olhos passeiam pelo local, é um belo quarto. As paredes são de um cinza escuro, quase puxado para o preto, e alguns quadros de bandas de rock estão postos em uma das paredes, também tem um quadro da Lana Del Rey, o que me deixa com um tiquinho de vontade de pedi-lo para mim.

A cama é de casal, e está bagunçada com seu edredom branco e preto, ele tem três travesseiros, um deles está no chão, jogado em cima do tapete quadrado que por coincidência — ou não —, também é preto.

Lorenzo também tem uma estante de livros, e eu me pergunto se ela está ali somente por enfeite, porque tudo o que eu consigo contar são quinze livros para uma estante onde deve caber uns trinta, o local livre é preenchido por pequenos portas-retrato com fotos dele sozinho, com a Mia e o Michel e com outro rapaz com aparência mais velha, deduzo ser seu irmão.

A imagem do Lorenzo com a Mia e o Michel faz o meu coração apertar, ela me lembra o Derek, e me lembra que nesse exato momento ele deve estar com a Yuna em seus braços ao invés de estar comigo.

Talvez eu tenha exagerado, mas qualquer pessoa exagera quando a dor é forte demais para continuar guardada. Eu tinha ciúmes do Derek sozinho, e eu tinha mais ciúmes ainda do Derek com a Yuna.

— Você está bem? — Lorenzo pergunta, agora parado à minha frente, seus olhos estão fixos nos meus, e ele tem aquele sorriso torto nos lábios.

— Acho que estou. Eu só estou cansado de todos esses acontecimentos, sabe? Eu quero muito que o ano acabe só para eu fugir dos problemas que o colegial traz. — desabafo, sem desviar o meu olhar do seu.

— Nicholas, se me permite dizer. — sua mão direita toca o meu ombro, e então a esquerda faz o mesmo. Aquilo me faz arrepiar e estremecer ao mesmo tempo, e eu me pergunto o motivo dessa reação. — Os problemas sempre vão existir, isso não é culpa do colegial, essa é a vida. — ele continua. — Eu já passei por coisas terríveis e até já pensei em desistir, acredita? Mas eu busquei dentro de mim mesmo algo que me fizesse enfrentar tudo, e hoje eu estou aqui. — ele aperta meus ombros. — O que eu quero te dizer é que você precisa enfrentar todos esses obstáculos para então alcançar o seu devido prêmio, e eu sei que você consegue.

Por apenas alguns minutos, eu esqueço que a Alison e a Mia também estão ali. As palavras do Lorenzo servem de conforto para mim, e é uma tarefa difícil lutar contra o impulso de abraça-lo.

Seus braços me envolvem imediatamente, seu corpo está quente, e ele tem um cheiro misto entre cigarro de menta e algum tipo de bebida alcoólica barata. A sensação é tão boa que eu sequer sei como descrever, eu só consigo sentir o meu coração batendo em uma grande velocidade enquanto dentro do meu estômago fogos de artifício vão estourando e preenchendo cada centímetro do meu corpo.

Depois do Ritual (Romance Gay)Leia esta história GRATUITAMENTE!