Capítulo VIII

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— Hello, você está me vendo com ele por aqui?

— Samizinha querida, quando tu vais entender que o Martin nunca vai te largar? – Perguntou ele me oferecendo um cigarro, que eu rejeitei com um aceno de mão e uma careta.

— Nada a ver, Tui, e sabia que isso leva à impotência? – Apontei para o cigarro na sua mão.

Ele soprou fumaça no meu rosto; impotência é um assunto proibido para os homens.

— Por favor, enquanto a sua prima existir, isso nunca vai ser meu problema – disse ele tossindo, se engasgando levemente com a fumaça.

— Ui, que nojo. Eu não preciso saber dos detalhes e nem de que prima você está falando.

Ele ria muito, agora. A festa devia ter começado há um tempo considerável para ele.

— Você não tem medo de fazer essas coisas na casa da delegada?

— Cara, se o filho dela faz, eu também posso.

— E se ela descobrir, vocês dois estão enrascados.

— Dá nada, se até hoje ela não descobriu! Você se estressa demais, Samizinha. - Ele bagunçou meus cachos loiros com a mão que estava livre, e soprou fumaça mais uma vez no meu rosto, fazendo-me tossir. Eu odiava essa abreviação do meu nome.

— Ba, tu acreditas que o Ben ajudou a gente a arrumar a casa inteira? Ele é muito gente boa.

— Aham. – disse de má vontade.

— E engraçado, tu sabias que ele ... ?

— Não, não sabia e não quero saber. – Comecei a rebocá-lo de volta a festa. O seu papo estava pior que a sua língua enrolada.

Ao sairmos do quarto, encontramos alguns garotos sentados em bancos elevados, entre eles, Cabelo e Benjamin, para onde Tui insistiu em me levar.

— O que vocês estavam fazendo? — perguntou o Cabelo, sempre tão enxerido.

— Muito sexo!

Tui se divertia às minhas custas, pendendo preguiçosamente um dos braços sobre os meus ombros. Ele era o único que podia brincar sobre isso sem levantar a menor sombra de dúvida de que estaria interessado em mim, pelo menos entre os nossos amigos.

— O que é isso?

Cabelo apontou para o copo na minha mão, onde eu colocara o resto do rum da garrafa com um pouco de gelo que roubei no caminho.

— É meu - respondi melindrosamente para Cabelo, virando o restante do conteúdo do copo na minha boca, com gelo e tudo. Na mesma hora, eu me arrependi. Minha língua começou a adormecer, um pouco escorreu pelos lábios, e quando os meninos começaram a rir, eu ri ainda mais, me babando por inteira.

— Cadê o Peixe para lhe emprestar a camisa agora, hein, dona Samantha? —Provocou-me Tui, batendo com o dedo, descoordenadamente, no meu nariz. Ele realmente já tinha passado da conta, e mal tínhamos chegado.

Contudo, ele tinha razão sobre eu sentir a falta do Peixe naquele momento. Ele, certamente, ofereceria sua camisa ou o que quer que fosse. Peixe sempre sentiu algo platônico por mim, não que eu o encorajasse, pelo contrário, mas Peixe... bem, é o Peixe. Um garoto de traços indígenas, que podia ser lindo, desde que não abrisse a boca e não queimasse a largada de todas as festas, como sempre fazia, ficando no mesmo estado deplorável em que se encontrava agora.

— Serve aquele ali? – Apontou Benjamin em direção a um corpo desanimado flutuando em cima de umas das boias da piscina com o rosto coberto de pasta de dente.

Herança de Sombras - Livro 1 - LuxúriaOnde as histórias ganham vida. Descobre agora