A Festa

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Assim que chegaram à mansão dos Casali, Vittore arqueou as sobrancelhas, impressionado. As árvores que ladeavam a estrada que levavam à mansão estavam decoradas por centenas de lanternas, assim como alguns pontos do jardim. Os convidados desciam de suas carruagens e se dirigiam para o salão, cuja música já contagiava os recém-chegados. Até mesmo sua tia Pilar não conseguiu evitar o entusiasmo e deslumbramento quando estacionaram.

"Os Casali realmente não gostam de economizar, não é?" Vittore observou enquanto desciam do carro.

"É claro que isso não se compara em nada com as festas de Versalhes, querido. Você precisava ter visto a exuberância daquela era dourada em que tínhamos festas todos os dias e..."

Pilar começou então a descrever detalhadamente sobre suas memórias da época e lugar, por um tempo que pareceu interminável para Vittore. Ele realmente não se importava com aquelas histórias que sua tia sempre contava sobre a corte francesa, enaltecendo a opulência e esquecendo-se de mencionar os camponeses definhando de fome em suas casas. Não. Definitivamente ele não se importava com aquilo.

Mas em consideração a tia, Vittore fingiu prestar atenção até chegarem à porta da frente, onde foram recepcionados pelo senhor Casali e sua esposa. Ambos receberam sua família com cordialidade, apesar de Vittore ter notado que a madrasta de Marco parecia muito nervosa quando cumprimentou Pilar. As duas sempre haviam sido grandes amigas, pelo menos até a última festa de aniversário de Alessa, quando Marco rompeu o noivado com a garota e quase encerrou a amizade que existia entre as duas famílias.

Mesmo o episódio tendo acontecido há alguns meses, a senhora Casali parecia temer o desprezo da velha amiga. Porém ficou claro que tudo ficaria bem quando sua tia sorriu para a outra com aprovação. A esposa de Astor então relaxou. Foi engraçado observar a maneira como as duas mulheres voltaram a conversar, como se nunca tivessem tido diferenças entre elas.

Assim que cumprimentou os anfitriões, Vittore decidiu procurar seus companheiros a fim de fugir de toda a falsidade que cercava aquelas duas famílias. Ele dirigiu então seu olhar para o salão, à procura dos demais membros do Conselho, quando se deparou com uma cena peculiar.

Marco Casali conversando com Domenico Berti? Vittore arqueou uma sobrancelha, intrigado ao assistir o primo discorrendo com desenvoltura com o outro capitão-regente. E era impossível ignorar como o colega parecia muito interessado nas palavras de Marco. Vittore então decidiu se aproximar dos dois. Qualquer coisa que seu primo falasse a um membro do Conselho era digna de atenção.

Pela primeira vez naquele dia, Marco se sentia com sorte. Quando San Marino escolhia os homens que estariam à frente da nação pelos próximos seis meses, eles sempre vinham em duplas. O que significava uma coisa: Ângela não dependia apenas de Vittore para que suas propostas chegassem ao Conselho.

Então, assim que chegou ao salão e avistou Domenico Berti na mesa de aperitivos, Marco não pensou duas vezes antes de abordar o capitão-regente. É claro que ele usou de sabedoria para introduzir aos poucos sua ragazza ao assunto, mencionando as inúmeras qualidades dela primeiro até que, finalmente, chegasse aonde realmente queria.

"Uma mulher interessada em política? Que singular." Domenico considerou enquanto pegava um doce de amêndoas. Ele o estudou por alguns segundos antes de jogá-lo para dentro da boca. "Mas creio que isso não seja algo tão surpreendente para alguém que tem uma família como a sua."

Marco assentiu, empolgado com a assertividade do capitão-regente.

"Sim. Ela é uma pessoa extraordinária, signore Berti. Tenho certeza de que adoraria conhecê-la."

Romance em San Marino - Livro II [Prévia]Where stories live. Discover now