Capítulo 17 - Pó e Poeira

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   Plíndaco desmontou, e em seguida ajudou o jovem misterioso a descer do cavalo.

   Eu fui até eles, enquanto o resto do acampamento murmurava curiosidade. Limpa-chaminés me contou que aquele era um mensageiro da antiga Pólis de Messênia, que trazia notícias sobre uma aliança que nenhum de nós esperava.

   Quando eu parti de Esparta ao lado de meus irmãos, para me vingar dos assassinos de minha família, havíamos passado pela cidade de Messene. Messene era uma região em crescimento, não mais do que uma rua, mas fazia parte da grande Messênia; que datava de histórias antigas como a Guerra de Troia. Foi justamente em Messene que impedimos um fanático religioso, que pretendia matar uma mulher grávida. Esta mulher, que possuía duas irmãs, as quais foram assassinadas pelo sacerdote insano, havia se recuperado do trauma, parido sua criança e conhecido um novo homem. Pelo capricho dos Deuses, os caminhos desta sobrevivente, que teve a vida salva pelas armas de meus irmãos, se cruzaram com os de um homem chamado Polyphontus, Rei de Messênia. Agora, nas palavras do próprio jovem mensageiro, ela retribuía o favor enviando quinhentos homens para tonificar o exército Espartano; com cumprimentos a um homem chamado Paráxeni. Todavia, deveríamos marchar para as ruínas de Ecalia no próximo dia, sem falta, porque se os reforços ali chegassem e não encontrassem ninguém, possuíam ordens de voltar imediatamente para Messênia, já que a Pólis do Rei Polyphontus não tinha atritos com os pátricos.

   Aquela notícia foi recebida de forma confusa, pois os Esparcíatas eram muito desconfiados. Nada que vinha de forma fácil, ou exageradamente benéfica, chegava sem um preço.

   Eu questionei o jovem sobre aquelas palavras, pedindo-lhe informações a respeito daquela tal nova Rainha. Ele então confirmou, falando-me de suas irmãs mortas, e dando descrições muito precisas de uma velha senhora, que era mãe das mulheres. A velha havia dito que um de meus homens possuía uma lança magnífica; presente do antigo Rei de Esparta, Anaxândrides. Eu me lembrava daquela anciã, e as palavras do mensageiro falavam claramente de Agnéio. Era impossível a velha saber daquilo sem ter nos conhecido em Messene. Ainda não satisfeito, pedi para o adolescente correr ao redor do acampamento, pois eu não entendia como um garoto tão jovem poderia antecipar um exército de guerreiros treinados. E mais uma vez ele surpreendeu, pois era veloz como a Corça de Cerínia; que corria sem descanso e possuía cascos de bronze. Uma das mulheres dos Periecos, uma jovem de rosto arredondado, começou a beber o vinho de um cálice, e quando terminou o jovem mensageiro já começava sua terceira volta no assentamento. Aquilo era mais do que uma prova.

   Era um prodígio dos Deuses.

   Alguns homens celebraram, mas, outros limitaram-se a se sentar e terminar a refeição, ainda desconfiados. Eu mesmo não acreditava muito nas palavras daquele jovem, embora Limpa-chaminés fosse de minha total confiança. E quando um dos Esparcíatas do exército acusou Plíndaco de traição, dizendo que ele estava mancomunado com aquele mensageiro, que provavelmente também era um escravo, visando nos levar todos à morte, eu ergui minha voz dizendo que o escravo possuía crédito inalterado comigo. Portanto, aquele que não confiava no jovem Hilota também não confiava em meu escudo. O homem manteve o desacato, de queixo erguido e olhando para mim. Sua barba era recortada com uma ponta aguçada feito uma lança, mas era muito mais curta do que a minha. A mão do Esparcíata tocou o cabo da espada, que descansava em seu cinto de bronze. Como comandante, eu não poderia tolerar uma afronta. Correspondi e estendi a mão para meu Hilota, pedindo-lhe a lança. Plíndaco estendeu a haste, mas o homem se resignou, talvez com medo de perder a vida, ou temendo matar seu líder, e se sentou novamente para comer.

   Meus irmãos abraçaram Plíndaco fazendo piadas, dizendo que se mandássemos ele bater o terreno durante um mês, conseguiríamos um reforço de mais de dez mil homens. Isso acalmou os ânimos, mas eu percebi que muitos dos soldados Espartanos, e até mesmo alguns dos comerciantes Periecos, ficaram com uma pulga atrás da orelha. Eu não os culpava, pois aquele reforço de Messênia era quase um milagre. Tanto que o sacerdote Lídio, maravilhado com a notícia, tratou de arrumar o sacrifício de uma cabra gorda. Assim que mataram o animal, ele o abriu com uma faca e removeu seu coração. O órgão era perfeito, tão vermelho quanto podia ser, e tinha um aspecto saudável. Aquilo acalmou ainda mais as suspeitas.

Paráxeni - A Ruína dos Persas. (Por Marco Febrini.)Leia esta história GRATUITAMENTE!