Capítulo 8

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Duas semanas se passaram desde o incidente envolvendo Changkyun e a poção do amor. Ele ainda não tinha entendido o que estava acontecendo com ele. Por que ele queria estar perto de Kihyun mais do que o normal, ou por que ficava tão feliz ao vê-lo, e tampouco por que de repente ele era tão mais bonito que todo mundo.

— Minhyuk, algo não está certo. Eu posso sentir isso. Eu procuro por Kihyun em todos os cantos, e quando o vejo, meu coração acelera e eu sinto meu corpo inteiro entrar em combustão. Não era assim antes!

Se não fossem irmãos de pais diferentes, Minhyuk agradeceria por não ter pego o gene ruim que Changkyun tinha para perceber as coisas.

— Será que vai demorar muito para você entender que está apaixonado por ele? — Minhyuk perguntou, fazendo com que Changkyun se engasgasse com a própria saliva.

— A gente se odeia!

— Eu sempre achei que essa briguinha de vocês fosse eventualmente levá-los a se apaixonarem, só que achei que ele seria o primeiro. — Minhyuk deu uma risadinha. Changkyun grunhiu, querendo enfiar a cabeça num buraco.

Era muito estranho pensar nisso. Changkyun nunca soube o que sentia por Kihyun, mas sempre que se encontravam era como uma grande troca de eletricidade entre dois corpos. Entre eles dois. E de alguma forma ele sabia que Kihyun sentia o mesmo. Mas... apaixonado? Isso nunca. Sua imaginação decidiu trabalhar cenários onde ele e Kihyun eram um casal: eles andariam de mãos dadas, sairiam aos fins de semana, Kihyun iria em seus treinos e jogos e quando Changkyun ganhasse, ele iria correr pela quadra e abraçá-lo e eles iriam se beijar.

Os cenários foram o suficiente para deixá-lo completamente envergonhado de pensar esse tipo de coisa, tornando suas maçãs do rosto avermelhadas.

— Eu vou ter que ir para minha aula agora — a voz de Minhyuk relembrou-o que ele ainda estava em Terra. — Você decida sua vida e aproveite que Kihyun está sozinho duas mesas atrás de nós para falar com ele. Boa sorte!

Changkyun odiava que Minhyuk sempre sabia o que dizê-lo e sempre estava com a razão. E naquele momento, ele queria muito ter recusado a oferta do irmão, mas não pôde evitar. Ele foi falar com Kihyun.

— Hey. — Changkyun anunciou sua chegada com as mãos nos bolsos. Kihyun, que estava lendo, desviou o olhar de seu livro, e esperou Changkyun dizer o que queria. — Posso sentar aqui?

— Seja breve.

Changkyun se sentou de frente para ele e os dois se encararam por breves segundos.

— Eu queria te agradecer novamente por ter me ajudado naquele dia. Eu queria... te retribuir. — Geralmente era fácil conversar com as pessoas, ao menos para Changkyun. Ele nunca precisava pensar muito: as palavras saíam naturalmente, mas com Kihyun era diferente. Naquele momento, nem se tivesse todos os dicionários do mundo ele conseguiria soar menos robótico.

— Re...tribuir? Está falando sério? — Kihyun soltou uma risadinha. Era a primeira vez que Changkyun o via rir. — Não estamos num conto de fadas. Você não me deve nada.

— Ah, vai. — Changkyun se aproximou um pouco. — Deve ter algo que você quer.

— Não, Changkyun. Por Deus. Só quero que você me deixe em paz. — Kihyun estava tão irritado. Irritado com Changkyun por ser inconveniente e estragar tudo, irritado consigo mesmo por ter dado tão mole. Irritado com tudo.

— Se você deixar eu te pagar um sorvete, eu te deixo em paz para sempre.

Kihyun esperava que fosse verdade. Talvez, se Changkyun se afastasse dele de uma vez por todas, a poção perdesse seu efeito mais rápido e ele voltasse ao normal. Ao mesmo Changkyun exibido e irritante e convencido que era, que só prestava atenção em Kihyun para encher seu saco. E aí ele poderia esquecer do irmão idiota dele também. Ele poderia esquecer que toda essa bagunça um dia aconteceu.

— Tudo bem, podemos sair.

POTION OF LOVEOnde as histórias ganham vida. Descobre agora