Capítulo 6

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Demorou um pouco para Kihyun colocar seu plano em prática e entender a melhor forma de conseguir dar a poção para Minhyuk, mas uma vez que pronto, ele não tardou para por em ação. Ele fez tudo conforme as regras: misturou seis gotas exatas em um milkshake de morango feito por ele mesmo, guardou a bebida na garrafa térmica e estava mais animado do que nunca: tanto para ver se a poção realmente funcionava, quanto para enfim ter sua chance com Minhyuk.

E falando nisso, se primeira pessoa que Minhyuk tem de ver após beber a poção é Kihyun, ele deveria estar no mínimo apresentável, certo? Por isso, ele fez questão de pentear o cabelo do jeito que mais gostava e no dia anterior havia retocado o rosa que já estava desbotado. Passou até um pouco de corretivo nas olheiras e um protetor labial. Sinceramente, mesmo que não gostasse de admitir, ele estava muito bonito.

Jooheon passou em frente sua casa para irem juntos ao colégio como habitual. No entanto, foi surpreendido pela presença de Hyungwon ao lado do amigo.

— Hyungwon, bom dia! — Kihyun sorriu enquanto trancava a porta. — Que surpresa te ver logo de manhã.

— Dormi na casa dos meus tios noite passada e coincidentemente descobri que eles são vizinhos de Jooheon. — Sorriu o Chae. — Espero não atrapalhar vocês.

— Você... nunca atrapalha... — Jooheon murmurou, e Kihyun conteve sua infantilidade de soltar um "tá namorando, tá namorando!".

No caminho, Hyungwon calhou de ser mais agradável do que Kihyun pensava que fosse (eles não eram muito próximos para ele saber disso, de qualquer forma). Até que Jooheon notou a produção a mais do amigo e o fato de ele estar de bom humor antes das oito da manhã, e questionou.

— Por acaso está produzido assim por algo em especial? — Perguntou Jooheon. — Algo que eu não sei?

— Imagina! — Kihyun sorriu totalmente suspeito, seguindo o passo na frente dos dois e entrando no colégio primeiro. Ele não contou a Jooheon que tinha pegado a poção com Wonho ou que tampouco iria dar ela a Minhyuk hoje. Ainda não era hora.

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No intervalo entre as aulas, Kihyun decidiu colocar seu plano em prática e dar uma sonda pelos corredores, esperando encontrar Minhyuk sozinho em algum deles. Infelizmente, quem ele encontrou primeiro foi o irritante e inconveniente Changkyun, que vestia o uniforme do time e provavelmente estava voltando do ginásio.

— Rosinha, retocou o cabelo! — Changkyun sorriu para ele. Algo em Kihyun disparou e ele esperava que fosse raiva. Provavelmente era. — Eu esperava te ver no treino hoje.

— Não sou parte da sua fanbase. Já tem gente o suficiente babando por você lá, seu exibicionista.

— "Exibicionista"? Eu? Apenas pra você. — Changkyun direcionou os olhos as mãos de Kihyun, especificamente a que segurava a garrafa térmica. — Posso dar um gole? Estou morrendo de sede.

— Sai fora, tem um bebedouro logo atrás de você! — Kihyun entrou em pânico só de pensar em Changkyun estragando toda sua vida e bebendo a poção.

— Mas a água do bebedouro está quente. — Changkyun sabia ser irritante e se aproveitou da vantagem de jogar basquete para tomar a garrafa das mãos de Kihyun sem esforço. Ele abriu a tampa e cheirou. — Sabia que milkshake de morango é o meu favorito?

— Me devolve! — Impossível que aquele idiota pudesse realmente estragar todos os planos de Kihyun simplesmente existindo, sério.

— É só um golinho, seu egoísta. Não vai doer. — Kihyun podia ouvir uma sinfonia dramática ecoando a sua volta. Todo seu esforço, todos os dias que ele passou planejando o único momento em que daria essa poção a Minhyuk...

Changkyun já estava levando a garrafa a boca. Parecia uma tortura em câmera lenta.

— Eu vou te MATAR, seu insuportável! — Kihyun falou tão alto que atraiu atenção de algumas pessoas que estavam ali.

Mas já era tarde para escândalos, porque Changkyun já havia dado alguns bons goles no milkshake e parecia bastante satisfeito, como se realmente gostasse muito da bebida — óbvio, porque era a favorita dele. Kihyun sentiu vontade de se encolher no corredor e chorar como se não houvesse amanhã. A poção só podia ser usada uma única vez e havia sido desperdiçada com aquele garoto maldito. Kihyun esperava que ele se apaixonasse pelo próprio reflexo na água e se afogasse tentando se beijar.

Changkyun lhe entregou de volta a garrafa muito satisfeito.

— Viu? Não doeu e ainda sobrou pra você beber. — Mas as coisas começaram a ficar estranhas logo depois. Changkyun começou a ficar pálido, e parecia muito nauseado de repente. — Meu Deus, Kihyun... você envenenou isso aí?

— Praticamente. — Kihyun respondeu indiferente, com raiva demais para prestar atenção no que quer que Changkyun estivesse passando e triste demais para lembrar de todo o processo da poção do amor assim que ingerida.

E então, como se já não bastasse tudo, Changkyun subitamente perdeu a força nas pernas e caiu por cima de Kihyun como se tivesse bebido um frasco de sonífero; e ele, é claro, entrou em desespero. Todo mundo do corredor estava olhando. Todo mundo tinha ouvido ele dizer que queria matar Changkyun. E se pensassem que ele tinha realmente o matado?

— Changkyun! — Kihyun conseguiu tirá-lo de cima de si e o deitou no chão, tocando seu rosto gelado. — Changkyun, para de graça! — Mas ele não estava de graça. Estava desacordado.

E Kihyun, completamente ferrado.

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