Capítulo 4

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Kihyun estava se sentindo tão destruído quanto se tivesse sido pisoteado por uma manada de elefantes. Passou o final de semana inteiro trancado no quarto, remoendo suas dores e alimentando suas inseguranças e vez ou outra enfiando uma colher de sorvete na boca, porque era a única coisa que não o deixava profundamente triste no momento. Até mesmo o episódio final do seu drama favorito foi insuportável. Estava tudo um caos.

Ele queria gritar com seu Eu do passado e perguntar por que diacho ele pensava que Minhyuk ficaria convenientemente solteiro até o momento em que tomasse coragem para se aproximar. Kihyun se sentia bastante insuficiente. Era um saco pensar a todo minuto no que Jinyoung tinha e ele não; a lista estava se tornando infinita.

Sem forças para fazer qualquer coisa, Kihyun acompanhava as mensagens de Jooheon pelas notificações do celular. Eram muitas. O coitado estava desesperado e até cogitando realizar um funeral representativo, porque já não tinha notícias de Kihyun desde sexta-feira.

— YOO KIHYUN! — Falando no diabo, Jooheon estava agora gritando do outro lado da porta do quarto, dando um susto em Kihyun. Ele batia com força e provavelmente tão raivoso quanto um filhote de doninha. — Seu cretino! Abre essa porta!

— Como você entrou aqui em casa?! — Kihyun gritou de volta.

— Não interessa! Se você não abrir essa porta, eu vou pegar uma cadeira, jogar nela e depois em você!

Kihyun resmungou e se levantou do mar de cobertores que lhe envolvia, sentindo um arrepio no corpo ao tocar no chão gelado do quarto descalço. Não queria que Jooheon começasse a depredar toda a casa de sua avó por pura raiva. Esfregou os olhos mal dormidos e não se importou com aparências, porque Jooheon era seu melhor amigo e já tinha o visto em formas muito piores do que aquela.

— Estou abrindo... — Kihyun disse enquanto destrancava a porta. Uma vez aberta, ele foi surpreendido por um abraço. — Honey?

— Eu vou te matar por ter me deixado tão preocupado. — Disse ele, separando o abraço um tanto envergonhado. — Você está com cara e cheiro de morto.

— Talvez porque eu esteja?

— Para com isso, Kihyun! Vai se afundar só porque sua paquerinha arrumou um namorado? Eu não vou deixar. — Jooheon estava determinado enquanto dizia. Kihyun se jogou na cama novamente enquanto o amigo abria as cortinas e janelas.

— Eu tive tantos meses para convidar Minhyuk a um encontro, me aproximar dele... e no final, minha covardia o levou a encontrar outro! Eu sou um idiota, não sou?

— Sim, você é. — Jooheon sentou ao seu lado e o olhou. — Você é idiota por estar trancado aqui, no escuro, remoendo o que podia ter feito. É idiota por estar sem dormir e é idiota por estar se desmerecendo e se culpando. Eu nem sabia que você gostava tanto dele assim.

— Não sei se estou exatamente me afundando por ele estar namorando, eu... eu não sei de mais nada. — Kihyun deitou a cabeça no ombro do amigo e soltou um suspiro. — Eu também não posso fazer mais nada. Não ficaríamos juntos nem se eu tivesse uma poção do amor.

Como um clique mental, tudo fez sentido. Poção do amor. Wonho havia lhe oferecido uma dias atrás e ele desdenhou, mas e se de fato funcionasse? E se fosse sua chance?

— Jooheon, eu sou um gênio! — Kihyun se levantou da cama como se nunca tivesse passado os dois últimos dias trancado no quarto. — Uma poção! É óbvio!

— Não, você está falando sério? A vida não é um filme de Harry Potter, Kihyun! Não existem essas coisas fora da ficção!

— Meu querido amigo niilista, Wonho me ofereceu uma dessas na semana passada e eu reagi exatamente como você — dizia Kihyun enquanto catava os lenços de papel jogados pelo quarto. — Hoje, no entanto, eu já acredito que tudo seja possível.

— Dois dias sem luz solar são suficientes pra mexer com sua cabeça. Você está maluco. — Jooheon protestou.

Kihyun não deu ouvidos ao amigo e catou o celular entre a bagunça que tinha feito, um pouco mais são para lembrar-se de arrumar todo aquele quarto depois. Ele digitou alguns números na tela e aguardou ansiosamente Wonho atender.

Kihyun? — Wonho atendeu. — Desde quando você faz ligações?

— Wonho, lembra daquela poção do amor que você me ofereceu?

Sim? O que tem ela?

Eu vou querer.

POTION OF LOVEOnde as histórias ganham vida. Descobre agora