QUARENTA E NOVE: DEREK

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O ANTES

Era manhã de segunda, e na noite passada eu havia prometido ao Nicholas que iríamos para o colégio juntos como sempre fazíamos. Minha mãe havia decidido prolongar a viagem, ela estava se dando muito bem com o meu pai e pelas risadinhas que eu ouvi noite passada vindo do quarto que antes era deles dois, as coisas estavam fluindo da melhor forma possível. Eu estava amando isso, estávamos — quase — em família novamente.

O que eu não esperava naquela manhã, era uma ligação da Yuna. Ela estava chorando enquanto falava no telefone, e gemendo de dor por algum motivo. Me passou o endereço de uma praça que ficava um pouco distante dali e me pediu para que eu fosse o mais rápido possível. Eu fui.

Yuna estava sentada em um banco de madeira com a cabeça abaixada, suas mãos abraçavam a própria barriga, aquilo me causou um tremor terrível e me fez imaginar que alguma coisa havia acontecido com o bebê, com o nosso bebê.

— Yuna? — eu chamo após me sentar do lado dela no banco, passando da forma mais delicada que consigo o meu braço por cima dos seus ombros.

Ela olha para mim e então desvia o olhar para o seu tornozelo.
— Você pode me ajudar?

— O que aconteceu com você? — questiono, olhando para o seu tornozelo avermelhado.

— Eu caí da escada acidentalmente. — ela explica. — E eu torci meu tornozelo.

O fato dela ter caído da escada me traz desespero, ela estava grávida, uma queda dessas poderia ser totalmente prejudicial para o bebê.

— Como você caiu da escada? Não, o que eu quero saber é de onde você caiu? Onde você estava? — meu olhar permanece fixo em seus olhos, ela quer chorar. — Yuna, você está grávida, sabe disso, não sabe?

— Derek, se você veio aqui discutir comigo sobre coisas que eu já sei, obrigada, mas você já pode ir embora. Eu te chamei aqui porque eu não estou conseguindo andar muito bem e eu preciso ir ao hospital de qualquer jeito, você pode me ajudar?

Eu concordo com relutância, eu queria saber o que tinha acontecido, mas ela também precisava ir ao hospital.

Ficamos em total silêncio enquanto eu chamo um táxi, a ida até o hospital leva em torno de vinte à vinte e cinco minutos. Após passarmos algumas informações, ela é atendida. E eu faço questão de entrar junto para que ela não esqueça nenhum detalhe. A região do seu pé direito é enfaixada até a altura do tornozelo, e o médico recomenda repouso total por uma semana, por sorte, ainda estávamos na segunda.

O segundo assunto é a gravidez, para isso a Yuna precisa trocar de sala e dessa vez a assistente não me deixa acompanha-la, passo a maior parte do meu tempo na recepção, largado em uma das muitas poltronas enquanto meus pensamentos fazem minha cabeça doer.

Existem diversas ligações e mensagens do Nicholas, ele iria me matar quando me visse outra vez, eu sabia disso. O Hospital é de classe média/alta, e eu agradeço a minha mãe por me dar uma boa mesada adiantada, caso contrário, sairíamos daqui da pior forma possível.

Quando o sono me vence e eu decido cochilar um pouco, a assistente que acompanhou a Yuna aparece e chama por meu nome.

— Senhor Derek Hale? — a moça de pele morena e cabelos cortados baixinho diz enquanto olha para mim. — O Senhor pode me acompanhar, por favor?

Como se fosse em um pulo, eu me levanto da poltrona e me aproximo da moça que parece não me trazer boas notícias sobre a situação da Yuna. Enquanto andamos pelo corredor, ela começa a falar.

— A Senhorita Yuna Gavinsh não conseguiu manter a gravidez, a gente até tentou questionar sobre a tal história da escada mas ela se recusa a falar, ela estava muito agitada com a notícia e então foi recomendado um calmante para ela, ela está dormindo agora. — a assistente olha para mim, apreensiva, finalmente encontro seu crachá no jaleco branco, seu nome é Samantha. — A perde do bebê foi devido a queda, foram diversos degraus e em algum deles, ela acabou batendo com a barriga e isso causou alguns problemas que o doutor pode te explicar se você quiser.

Depois do Ritual (Romance Gay)Leia esta história GRATUITAMENTE!