Capítulo 1

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Os ouvidos de Jooheon estavam cansados do ranger de dentes de Kihyun, que detonava seu lápis sem pena durante o segundo período de química da manhã. As palavras da professora já se esvaíam em ecoantes blá-blá-blás. Se já não bastasse ter que aturar Kihyun tratando seu paquera da outra sala — Lee Minhyuk — como se fosse um tipo de deus a se seguir, ultimamente Jooheon também tinha que aturá-lo mordendo as coisas na espera do bater do relógio anunciando a hora do intervalo para, enfim, ver o bendito.

Se você está pensando que Kihyun está em uma espécie de paixão incorrespondida, você está certíssimo. E como se tal fato já não fosse suficientemente triste, também há outro de que Minhyuk não dá a mínima ideia para ele e nem para a sua existência em si. Kihyun já tentou de tudo: cartinha de amor, flor, bolo de chocolate caríssimo da cantina. Tudo. E mesmo assim mal conseguiu um encontro. Honestamente, Kihyun nunca trocou mais de meia dúzia de palavras com ele por pura vergonha.

Essa paixãozinha platônica iniciou-se na metade do ano passado, quando Minhyuk foi transferido para o colégio para ficar junto do tal irmão que até hoje não descobriram quem é. Minhyuk era tímido, andava de ombros juntos e a única pessoa que sobrava no corredor para pedir informação em seu primeiro dia era Kihyun e sua cabeça de algodão doce. Óbvio que, depois disso, o tal iria querer fazer amizade com Minhyuk. Ele não poderia deixar escapar a chance de ficar mais próximo daquele lindinho nem se o pagassem!

Mas por que o plano deu errado? Porque, segundo Jooheon, Kihyun é um afobado digno de pena que não sabe como se comportar ao lado de gente nova, principalmente se ele estiver amorosamente interessado. Minhyuk não era assim. Minhyuk era tímido e ainda estava se adaptando ao colégio. Ele não precisava de um algodão doce ambulante o perturbando e falando em seu ouvido o dia inteiro.

Devidamente informados, recapitularemos para o cenário inicial: aula de química. Kihyun assassinando o esmalte de seus dentes e seu lápis ao mesmo tempo enquanto encarava o relógio obsessivamente, e Jooheon querendo esganá-lo.

— Ao invés de você ficar mordendo esse lápis, não quer me ajudar a entender esse cálculo dos infernos? — Perguntou Jooheon dando uma expressão pouco contente a seu amigo irritante.

— Se você parasse de tomar conta do que eu mordo e prestasse atenção na Sra. Song, já teria entendido essa matéria há duas aulas atrás. — Respondeu Kihyun com um sorrisinho cínico.

— Seu-

— JOOHEON! — Kihyun o interrompe com um grito-sussurro. — Acabei de ver Minhyuk sair da sala dele. O que eu devo fazer?!

— E eu que sei, garoto maluco? Você vai acabar saindo da sala fale eu algo ou não.

— Okay. Ótima ideia, ótima ideia. Eu vou sair correndo fingindo um enjoo e se a professora perguntar algo, você inventa qualquer merda. Diz que eu tô grávido, sei lá.

Quê?!

Mas já era tarde para protestos, porque Kihyun levantou da cadeira como um furacão com a mão na boca e fechou a porta com um baque estrondoso e desnecessariamente chamativo, correndo para o corredor. O silêncio ensurdecedor na sala respondeu a Jooheon que sobraria pra ele inventar uma desculpa convincente.

— Sr. Lee? Pode me explicar o que aconteceu? — Perguntou a professora, mais desentendida do que brava.

Mas nem Jooheon soube responder.

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