Nova Etapa

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Capítulo 23

Nova Etapa

          Os dias seguintes após o ataque ao Divino foram ainda mais corridos do que quando eu e Dragão fugimos da escola pela primeira vez. Provavelmente porque, desta vez, nós estávamos realmente sendo caçados. De qualquer forma, a nossa antiga base na Cidade Acorrentada já havia sido destruída antes de sairmos para o ataque e o plano agora era irmos para Espanza.

          Após alguns dias andando bem longe das estradas, encontramos uma Terra Morta, com uma rápida busca, encontramos uma única Masmorra no local: uma pequena casa abandonada.

          — Vamos ficar aqui por algum tempo e deixar as forças do Divino passarem por nós. Quando eles estiverem alguns dias na nossa frente, vamos atravessar a fronteira.

          Esse foi o plano proposto por Dragão, e eu precisei admitir que não teria pensado em algo do tipo. Bem, mais pelo fato de que minha mente ainda estava ocupada tentando processar o que havia acontecido durante a luta contra Veraprata. A luz roxa, os corvos e aquela voz. Ainda era difícil acreditar que ela havia acordado justamente naquela noite. Mas se ela realmente estivesse fora do cristal então eles provavelmente já estavam se movendo também.

          — Eu achei que a essa altura você estaria mais tranquilo.

          Eu não havia percebido que alguém havia entrado no pequeno quarto que eu usava como meu quarto pessoal. Quando olhei para a origem da voz, percebi, com um pouco de surpresa, que era Cavala.

          — Achei que, depois de ser capturada, você ficaria colada na sua irmã.

          — Ela está dormindo. Nunca foi muito boa com atividades físicas.

          A Amaldiçoada andou até o meu lado e se encostou na parede. Alguma coisa estava errada naquela situação. Por um momento, considerei seriamente que havíamos pegado a pessoa errada na hora de fugir.

          — Aconteceu alguma coisa? Você parece diferente.

          — Eu sei lá. É só que, olhando para você agora, eu não tenho nem mesmo vontade de zoar você.

          Esse tom de voz era mais típico dela. Mas, mesmo assim, seus olhos pareciam um pouco diferente do que o de costume quando ela virou seu rosto para me encarar.

          — Aquele loiro esquisito era uma pessoa que você queria matar, não? Então por que você não está mais tranquilo?

          Uma pergunta até que esperta para Cavala, uma que nem mesmo eu não conseguia achar uma resposta concreta.

          — Ele era só um dos meus problemas.

          — E quem são os outros?

          — Nem mesmo eu sei.

          Aparentemente ela não ficou satisfeita com a resposta, tendo em mente que o tapa que levei no ombro ardeu muito mais do que pensei que ela seria capaz de fazer.

          — Se você não sabe, então por que se preocupar tanto? Você matou alguém que queria te matar, isso significa que você vive. Não é tão complicado.

          A resposta era algo que eu esperava que Cavala dissesse, e não era de todo errada também. Eu sabia que eles existiam, mas eu nunca cheguei a descobrir o que eles eram. Não por falta de tentativa, mas toda vez que tentei sair da escola para tentar descobrir, Alana aparecia para me arrastar de volta.

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