15. A Fera Da Montanha

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- Vamos logo daqui!
- Sim esse lugar dá arrepios. - Quad odiava esse tipo de sensação.
- Mas talvez devêssemos voltar aqui depois de pegar os diamantes.... Aqui tem comida e parece mais seguro que a floresta... Além disso queria descansar meu tronco sobre algo macio... Minhas costas estão me matando por causa desse maldito corpo de metal... (Fabrício sabia que não teria chance sem o corpo de cavalo, mas não aguentava mais aquele punhal o impedindo de deitar normalmente.)
- Voltar?
- Pode ser; afinal eles nem saem do lugar, por que iriam se importar em nos receber como "convidados" à noite?

- Mas esses coitados não me parecem nada bem. E se isso for uma espécie de doença contagiosa? - Reesee gostava dessa opção, Finalmente iria ter uma doença com seu nome, todos em sua família, gerações e gerações, tinham dado seu próprio nome a uma doença...
- Não acho que isso seja doença.
- Ei vamos deixar essas trivialidades mórbidas pra lá e nos concentrar no que importa? - Ivan já estava impaciente com o aroma que estava cada vez mais forte.
- Em não morrer!?
- Pff! Ah por favor! Estou falando dos diamantes!
- Que?
- Quanto antes eu tiver as minhas pedras, antes ela terá as armas pra caçar e antes teremos nossas chaves! E antes eu voltarei, muitíssimo mais rico do que já sou para meu palácio...
- O que é palácio? - perguntou Zeeppa.
- ... O lugar onde eu moro.
- Vamos logo... O Ivan tem razão... Precisamos procurar as chaves... Não dá pra perder tempo com tolices...

Chegar à montanha não foi coisa fácil,  a floresta densa e úmida escondia sob a terra bolsas de ar e Fabrício atolou mais de três vezes em areia movediça. Répteis com plumas que lembravam folhas de murta, se escondiam na mata e atacavam de sabe-se-lá-onde, sem emitir nenhum ruído, nem a audição apurada de Acquad era capaz de os detectar. Tão perto, mas nem parecia que tinham avançado nada.

Duas horas, ou mais, o sol começou a atinar quando alcançaram a clareira da montanha. Fabrício estava lento, a areia movediça, e o barro entraram nas juntas metálicas e ele mal podia se mexer. Reese e Zeepa tiveram de aproveitar a parada que fizeram para limpar suas juntas.

Ivan estava alucinado pelo perfume dos diamantes, subiu descontrolado pela montanha procurando uma entrada para o rico salão escuro, com Quad atrás de si.
Finalmente a caverna e, sorte de Ivan, a caçadora ter subido com ele, um som familiar a colocou em alerta e seu reflexo rápido o puxou para fora antes das enormes garras escarlates o atingirem no pescoço. Pra alguém com o olfato tão poderoso, uma fera fedorenta como aquela passar desapercebido era no mínimo estranho.
- Ariwatma' an guenzoon. E você, seu magricelas fique ali naquela fenda. -
O animal parecia um urso jovem, azul marinho de orelhas agudas e dentes protuberantes, bem maior que Ivan em altura, ainda que bem novo, suas unhas tinham quase 3 polegadas. Seu urro parecia mais um assobio agudo, tão penetrante que deixava um zumbido dolorido nos ouvidos.
Quad lambeu os lábios enquanto sua cauda se movia para os lados rápido e graciosamente.
- Guenzoon taitart! Ariwatma! - ela gritava provocando a fera, que assim que se mexeu, recebeu areia e pedriscos nos olhos e focinho, ela nem se importava de estar desarmada. Antes que ele percebesse ela já estava atrás dele, preparando um belo chute em seu ponto cego. Um ganido ensurdecedor seguiu o golpe. Quad não parava de golpear o monstro enquanto provocava em sua língua o enorme guenzoon, que não tinha ainda sequer dois anos, ele ainda ia crescer mais uns três ou quatro metros. Mais um golpe, no ouvido da fera, por um instante ele ficou bambo e a seguir iniciou uma sequência louca de movimentos violentos, ela se movia depressa se desvencilhando das garras aguçadas sem que ele tocasse sequer um fio de seus pelos brilhantes.
O barulho fez os outros se apressarem, enquanto Ivan apenas a admirava lutar de um lugar convenientemente seguro.
- O que está acontecendo?
- Silêncio vão distraí-la!
- Quad! - Zeeppa gritou arremessando o bastão repleto de espinhos para ela.
Era muito habilidosa, e aproveitando o impulso do arremesso, acertou a nuca do monstro com tanta força que ele caiu morto imediatamente, e rolou montanha abaixo.

Assim que se livrou do monstro, a caçadora se virou contra Ivan:

- O que você tinha na cabeça seu grande inútil? Se não prestar por onde passa vai acabar morrendo... Pelo que Archemar me falou, jeitos de morrer não faltam aqui! Eu não estou interessada em ficar protegendo ninguém aqui!

- Quad! - interferiu a sobrevivente. - Ele estava fora de si, e você viu, além disso tudo acabou bem.

- Não se meta! - Ela arrepiou os pelos atrás das orelhas com tanta raiva que se podia ver mais faíscas entre as duas do que nunca. Ela voltou para seu alvo de nariz protuberante - Devia ter vergonha que outros tenham que te defender!

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