QUARENTA E QUATRO: DEREK

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Com nossa volta, o Nicholas decidiu ir para casa sozinho e prometeu que viria me visitar ao anoitecer, com isso, eu tive tempo de desarrumar as minhas malas e manter um diálogo constrangedor com a minha mãe e o meu pai. Ele fez questão de que ela ficasse conosco embora ela recusasse todas as ofertas, no final, por mim, ela acabou aceitando.

O bom de retornar de viagem antes do final das férias é que absolutamente ninguém — dentro do nosso grupo amigável — está em casa também, sendo assim, eu e o Nicholas teremos mais tempo para ficarmos a sós e esquecermos nossos problemas, o meu é relacionado a Yuna, o do Nicholas é um mistério que ninguém sabe.

Minha mãe passou uma boa parte do tempo apenas criticando a situação da casa, o que fez meu pai ficar extremamente irritado, de modo que, ele saiu para trabalhar mais cedo e acabou nos deixando a sós.

— Está satisfeita por estressar ele? — pergunto enquanto a mesma tira algumas peças de roupa da mala.

— Seu pai já é estressado por vida, Dek, você deveria saber disso. — ela responde, sorrindo para mim. — Por que o Nicholas foi para casa? Você não chamou ele para entrar? — ela inicia o assunto delicado, o assunto que eu queria deixar para trás, lá em Vegas.

Quando eu assumi para a minha mãe a minha situação com o Nicholas, eu não imaginei que ela ficaria questionando sobre nos dois à todo momento, qualquer pergunta que o relacione vindo dela — ou do meu pai —, me deixa totalmente constrangido, isso não deveria acontecer por parte dele, até porque ele não sabe de absolutamente nada, e nem pode saber, diferente da minha mãe, o meu pai não tem a mente tão aberta assim, ele sempre procura brechas para questionar sobre meus namoros, e o que ele espera de mim é um futuro promissor com uma bela mulher e uma casa repleta de filhos, seria péssimo transformar seus sonhos em um pesadelo, e mais péssimo ainda me precipitar à dizer que estou namorando com o meu melhor amigo de infância sendo que eu não tenho certeza alguma de que isso vá durar por tanto tempo, sequer é um namoro de verdade, o que está acontecendo entre mim e o Nicholas é algo que simplesmente fluiu, sem intenções, e eu estou curioso para saber aonde isso vai dar, estou curioso para saber se realmente existe amor dentro de mim, se é isso que eu realmente quero. Eu amo o Nicholas, o Nicholas amigo, irmão, e tenho medo de que esse amor não passe dessas duas fases.

— Ele foi para casa ver como as coisas estavam mas prometeu que ia vim aqui mais tarde. — finalmente respondo, sem desviar do seu olhar, o copo de água em minhas mãos é apertado com força, até tenho medo do vidro rachar e me causar algum ferimento. — Mãe.. você não vai entrar nesse assunto enquanto o papai estiver por aqui, não é mesmo? Quando eu te contei sobre isso, eu pensei que morreria com você.

— Você realmente está preocupado com isso, Derek? Eu não vou contar absolutamente nada para o seu pai, até porque ele deveria saber disso através de você e antes que você pense, isso não é um incentivo para você ir lá e fazer isso — ela afirma. — O que está acontecendo entre você e o Nicholas é recente, você está se descobrindo, a gente já teve essa conversa e eu acho que o seu pai não iria aceitar isso da melhor forma, portanto, tenha cuidado e vá com calma, tudo bem? — ela se aproxima de mim ainda com o sorriso nos lábios, e em um momento inesperado, me abraça.

— Obrigado, mãe.

— Estou aqui para o que você precisar, Dek.

**

— A gente está bem mesmo? — ele pergunta, encostado na porta do meu quarto enquanto eu estou deitado em minha cama, jogando um bolinha de golf para cima e pegando-a logo em seguida.

— Por que não estaríamos? — questiono, olhando em seus olhos rapidamente.

— Porque embora você não queira admitir, eu estraguei a sua viagem e eu me sinto péssimo por isso, eu sei que fiz isso, Derek. — Nicholas se aproxima da cama e então se senta do meu lado, instantaneamente, eu levo minha cabeça para o seu colo e instantaneamente ele acaricia meus cabelos loiros bagunçados.

— Eu já te falei um milhão de vezes que aquela viagem não seria a mesma coisa sem você, Nicholas Danvers, eu bem, você está bem, a minha mãe está aqui e nós dois estamos juntos, acha mesmo que eu iria me chatear por termos voltado para casa mais cedo? — suas carícias em meus cabelos me fazem relaxar, eu estava me entregando de uma forma tão louca que até estava começando a duvidar se esse eu era realmente eu.

— Tudo está acontecendo tão rápido, sabe? — enquanto uma de suas mãos continua o trabalho em meus cabelos, a outra desce por meu rosto, percorrendo o dorso do meu nariz, passando por minha bochecha direita e então alcançando meus lábios onde ele percorre, primeiro o superior e depois o inferior, a sensação me faz arrepiar. — Semanas atrás estávamos brigando porque segundo você, eu me aproveitei do seu estado bêbado, depois você me disse que jamais ficaria comigo porque era hétero, depois veio aquela situação com a Kimberly e com a Yuna.. — ele suspira e eu fecho meus olhos. — Esse ano está sendo tão louco, eu estou tão arrependido por ter dito aquelas coisas para a Kimberly mas ela também me magoou bastante e agora eu não sei o que fazer, e você tem uma grande possibilidade de ser pai mas o resultado da Yuna não bate com o dia em que vocês transaram e isso é tão confuso, eu só queria poder recomeçar tudo, sabe? Voltar ao dia do ritual e recusar qualquer desafio que nos fosse proposto.

Eu demoro para dar uma resposta, e culpo suas carícias tão relaxantes por isso.

— Se a gente não tivesse aceitado o desafio provavelmente não estaríamos aqui agora, ao menos não nessa situação. Você não teria se confessado para mim e eu não teria deixado transparecer o que talvez eu sinto por você, eu sei que tudo está sendo confuso, Nicholas, e acredite em mim, eu também estou chateado com a Kimberly embora lá no fundo eu goste um pouco dela, eu tenho que gostar, nos somos amigos há tanto tempo e é meio impossível eu detestá-la, de uma forma ou outra, sempre estivemos juntos. — abro meus olhos para olhá-lo também. — Não se preocupe em relação a Yuna, nos vamos passar por isso, eu vou passar por isso, se a Yuna realmente estiver grávida de mim eu vou assumir essa criança de alguma forma e tudo vai ficar bem, eu tenho a minha mãe, ela não me deixaria sem nada.

— O que você talvez sente por mim? — ele ressalta, esquecendo todas as outras coisas que eu falei.

— Você me entendeu, Nicholas. O que está acontecendo entre nós dois é recente, não posso dizer que te amo de outra forma sendo que mal começamos isso, você foi o primeiro garoto que eu beijei, é o primeiro garoto que estou fazendo tudo isso, me dê um pouco de tempo, é tudo novo para mim e eu realmente não quero te magoar. — confesso, me desvencilhando de suas carícias para me sentar também.

Estou com as costas na cabeceira da cama e com as pernas estendidas sobre o colchão, Nicholas se senta à minha frente, em meu colo, e meus braços o envolvem pela cintura como se estivessem programados para fazer isso.

— Ao menos eu não sou o único que está achando tudo isso estranho, todos esses toques novos, essa aproximação que nunca houve entre nós dois.

— Você realmente quer começar uma discussão agora? Porque poderíamos nos beijar e esquecer de completamente tudo, eu não sei que horas você vai para casa mas você definitivamente vai precisar ir, e eu não quero passar o pequeno período de tempo que temos juntos aqui me chateando.

— Você é a pessoa mais babaca que eu conheço, Derek Hale. — ele diz entre um sorriso torto.

— E você adora estar com esse babaca aqui, não é mesmo?

Nicholas me responde da melhor forma possível, da forma que eu adoro que ele responda: 

Com um beijo. 

Depois do Ritual (Romance Gay)Leia esta história GRATUITAMENTE!