prólogo; cor

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Havia balões. Uma mesa de doces e um palhaço contratado para animar a festa. Os seus amigos também estavam ali, corriam e gritavam por todo o jardim.

Ele se sentia curioso quanto àquela interação estranha na casa ao lado. Nunca havia tido uma em seu próprio jardim.

É de fato que ele sabia que naquele dia, ele completava quinze anos de vida, mas também sabia que sua família não comemorava aniversários.

Nunca havia recebido presentes, ou parabéns, e nem mesmo uma festa como a que acontecia na casa ao lado.

Sua mãe carregava o bebê nos braços, sua irmã mais nova, na qual Jimin era proibido de ter contato. Os pais de Jimin diziam que ele era uma maldição, um castigo de Deus por seus pecados. Jimin não entendia muito bem, ele não era muito diferente de seu outro irmão, Park Jihyun.

Ambos tinham a mesma estatura, porém Jimin aparentava ser menor por causa de seu peso relativamente acima da média. Ele não comia muitas vezes ao dia, apenas um desjejum e uma janta, o pequeno se achava gordo demais para comer várias vezes ao dia.

Jihyun era bonito, com um cabelo liso e olhos brilhantes. Jimin era o oposto, de aparência tão fraca e quebradiça, cabelo preto escorrido e sujo, pois ele também não recebia banhos com muita frequência, e os seus olhos não tinham vida.

Os pais de Jimin tinham boas condições, moravam em um bairro de classe média e transpareciam uma família cristã normal.

Tanto Jihyun quanto Jimin frequentavam o colégio, ambos da mesma classe.

Todos os domingos iam à igreja, ajoelhavam-se e rezavam.

Jimin não gostava da igreja.

Jimin não gostava de rezar.

E principalmente...

Jimin não gostava do padre e das tantas horas que ele era mantido em uma pequena sala com o mais velho, para "pagar seus pecados".

                                 –––

A mãe de Jimin ainda carregava o bebê pela sala, cantava uma canção bonita, que o garoto particularmente havia aprecia.

Jimin não via cores.

Ele enxergava os traços, como se tudo fosse um grande desenho em uma folha em branco.

Ele sabia diferenciar o preto do branco, porque eram apenas as duas coisas que ele tinha.

De fato, ele não era o único a ser assim.

Uma boa parte dos seres humanos nasciam assim.

As cores só se mostravam para os puros de coração, para os que encontram a sua razão. Seu amor verdadeiro. A metade da sua alma que estava com suas cores.

Jimin estava sem suas cores, mas ele também carregava algo do seu amor consigo.

O pecado de Jimin era ter nascido com o nome do seu amor marcado no lado esquerdo de seu peito. Como uma cicatriz. Uma marca de nascença.

Os pais de Jimin são cristãos.

O amor de Jimin é um garoto.

Esse é o seu pecado.

 –––

A mãe de Jimin se sentou no sofá da sala.

Jimin ainda estava com sua resta encostada na janela da sala, a festa do vizinho havia acabado, não tinha muito mais o que se ver.

Vez ou outra brincava com a barra de sua camisa amassada e suja. Ele não tinha muitas roupas como Jihyun.

Jimin assistia os traços do lado de fora da casa, as linhas negras sobre o branco, preto e cinza infinito.

Cores.Donde viven las historias. Descúbrelo ahora