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Toquei repetidamente na campainha. Provavelmente ele iria aparecer à porta irritado. Mas nem lhe dei tempo para isso; mal abriu a porta não consegui conter mais as lágrimas.

"Eu preciso da tua ajuda" balbuciei no meio do choro

"Estás a assustar-me" ele abre mais a porta e aperta-me num abraço.

"Quem é?" ouvi a voz do Fejsa na sala

"Eu não sabia que estavas acompanhado" soltei-me dos braços do Raúl "Eu desenrasco-me sozinha"

"É que nem penses" fechou a porta e trancou-a, encaminhando-me para outra divisão "Vem para a sala e fala connosco"

"Hey, Mari... O que se está a passar?" a expressão alegre do Ljubomir transformou-se numa preocupada.

"Ela precisa de ajuda" o Raúl diz, sentando-se no sofá. Sentei-me entre os dois homens.

"Ajuda com o quê?" perguntou. Abro a minha mala e tiro duas caixas, do tamanho de termômetros de febre, e atiro-os para cima da mesa. Ficaram os dois a olhar para aquilo atentamente e só o Raúl foi capaz de falar

"Suspeitas que estás grávida?" acenti com a cabeça "De quanto tempo?"

"Talvez dois, máximo dos máximos três meses" um silêncio quase ensurdecedor instalou-se na casa. Juro que podia ouvir um alfinete a cair no andar de cima.

"Realmente bate certo" o Fejsa falou pela primeira vez desde que larguei a bomba "Os enjoos, sempre com fome, a barriga,... As hipóteses são altas"

"Não estás a ajudar" falei, rompendo num rio de lágrimas outra vez e o Raúl envolveu-me novamente nos seus braços.

"E vieste aqui porque não tens coragem de os fazer sozinha" tentou adivinhar e eu acenti com a cabeça.

[…]

Olhei para os pequenos aparelhos no lavatório. Acreditem ou não, mas ter o apoio moral do Raúl encostado à porta da casa de banho conseguiu acalmar-me mesmo. Saí da casa de banho como se os testes fossem bombas e senti-me no sofá.

"10 minutos, não é?" perguntou um dos rapazes e eu acenei com a cabeça que sim "Se estiveres mesmo gravida, como vais contar ao Pizzi?"

"Acho que o maior problema dela é contar ao pai que namora com ele e que está gravida" falou o Raúl a olhar para o telemóvel que fazia a contagem decrescente dos dez minutos.

"Esse sim, é o grande problema" estava a olhar para o vazio, a pensar no que fazer da minha vida. O Raúl foi um querido em ir-me buscar um chá para ver se me acalmava. Consegui distrair-me numa conversa com eles, mas o som horrível (nestas circunstâncias) do alarme tocou. Olhei para a porta da casa de banho e depois para o Raúl. Felizmente ele percebeu a deixa de que eu estava demasiado em pânico para ver.
Saiu da casa de banho com um aparelhinho em cada mão e a observar cada um minuciosamente.

"E então?" o Fejsa perguntou. O Raúl levanta os olhos para mim.

"Não te preocupes..." quase consegui respirar mas a expressão dele tinha algo estranho. Fez-me um sorriso fraco "se quiseres eu ajudo-te a escolher o nome."
Acho que nunca me senti tão aterrorizada a receber uma notícia como naquele momento.

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