GRAND HOTEL

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O carro de Ricardo, um corvette vermelho 58, percorria a longa estrada. O sol estava a ponto de se pôr quando o motorista resolveu parar no acostamento. O seu semblante era nitidamente de cansaço. Seus olhos eram o testemunho da prolongada noite e do arrastado dia que tivera. Ajeitou o corpo contra o banco e tentou resistir ao sono, querendo, de alguma forma, apenas repousar.

O descanso veio acompanhado de um profundo suspiro. E esfregando a mão direita nos olhos, abriu o porta-luvas, retirando dali um maço de cigarros, para, em seguida, acender um deles e dar uma tragada.

_ Eu preciso dormir. _disse ele em voz baixa.

O seu olhar avistou, a certa distância, um outdoor: Grand Hotel a 8 km. O letreiro estava em caracteres garrafais, acompanhado de uma foto da suntuosa fachada do local.

Não podia acreditar. Uma noite era tudo de que precisava para seguir viagem no dia seguinte. Era como um oásis no deserto.

_ Caiu do céu. _ agradeceu ele com a voz enfraquecida pelo cansaço.

O carro ganhou então a estrada em direção ao hotel.

A noite já se tornara presente quando Ricardo chegou ao seu destino. A fachada era de impressionar, tendo duas grandes colunas de sustentação, além de uma grande porta de madeira, pintada com o que parecia ser folhas de ouro. As janelas estavam todas acesas, exceto uma no último andar. A escada da frente era de um mármore branco que parecia brilhar. O hotel se assemelhava a um cenário da antiga Metro Goldwyn Mayer, nos tempos de seu império.

O manobrista, um jovem com vinte e poucos anos, bem apessoado e trajando um impecável uniforme vermelho, aproximou-se do carro. Ricardo lhe entregou as chaves.

_ Bem-vindo ao Grand Hotel, senhor. _disse o rapaz, abrindo um largo e simpático sorriso.

_ Obrigado. _ respondeu prontamente Ricardo. _ Cuide bem dele, é a coisa mais preciosa que tenho.

_ Ele é mesmo uma beleza, senhor! Não se preocupe, cuidarei como se fosse meu. O carregador cuidará de suas malas.

O jovem notou em Ricardo seu aparente cansaço.

_ Longa viagem, eu presumo, senhor!

_ Você não tem ideia... _ respondeu Ricardo.

_ Veio ao lugar ideal para descansar, senhor, posso lhe assegurar. _concluiu o jovem, entrando no carro.

Ricardo esperou pelo carregador, que não tardou, para adentrar o hotel.

O hall não deixava nada a desejar se comparado à fachada. Um carpete vermelho forrava o chão, sendo da mesma cor das cortinas de veludo que cobriam as largas janelas. Em sua extensão, podiam-se avistar pilares do mesmo mármore das escadas. Tudo era dotado de uma singular beleza. Nas paredes, quadros de extremo bom gosto e valor. Esculturas faziam também parte do acervo. As poltronas de couro saltavam aos olhos por seu aparente conforto.

Não se notava a presença de ninguém, exceto a de uma linda morena, Taís, dotada, dentre outros predicativos, de um rosto que tomou a atenção de Ricardo.

Atrás do balcão, ela aguardou que ele se aproximasse.

_ Boa noite. _ disse ela, em um tom polido.

_ Boa noite. _ respondeu ele, prontamente.

_ Bem-vindo ao Grand Hotel. O senhor tem uma reserva?

GRAND HOTELWhere stories live. Discover now