13. A Avestruz.

14 2 0
                                                  

Ainda demorou um bom tempo para Fabrício os alcançar, tempo suficiente para Quad caçar e preparar o fogo. Ela lembrou também de colher cogumelos e ervas, mas sem saber a diferença, arrancou todo tipo de mato e uns cogumelos escuros e verdes muito venenosos. Ela já estava impaciente quando eles apontaram na última curva do caminho. Reese ainda estava desmaiado.

Quando viu os ingredientes Fabrício lembrou, nenhum dos outros sabiam cozinhar e pelo visto isso não ia mudar muito rápido.

- O que se tá fazendo?

- Separei as coisas pra você COZINHAR pra gente. - ela disse orgulhosa por lembrar da palavra.

Fabrício pegou os cogumelos da mão dela e jogou fora.

- Certo. Vou pegar algo pra acompanhar a caça... Pode ir tirando a pele?

- Ei! deu muito trabalho pegar essas coisinhas...

- Tem uma regra sobre cogumelos no meu mundo. NÃO COMA OS VENENOSOS! Mas se quiser morrer... - Ele disse apontando para eles no chão.

- Eu... vou tirar a pele. - Quad encolheu os ombros e limpou as patas no couro da saia.

- Espere! Você sabe onde tem água limpa? Esses cogumelos estão cheios de seiva ácida... Precisamos nos limpar!

Por mais que amasse cozinhar essa era a última coisa que ele queria fazer, mas pelo que via, logo notou que se qualquer um dos outros fizessem isso, ou morreriam de fome, ou envenenados. Ivan farejou o ar, escutou um pouco e achou um fio de água que brotava limpa não muito longe dali.

- Já tinha ouvido falar de água. Então é assim?! Que lindo! - Disse Zeeppa impressionada com a joia líquida que escorria de suas mãos.

Por alguma sorte o zumbido de algumas mandaçaias chamou a atenção de Reese que logo se interessou naquilo. Fabrício achou engraçado o modo como o pequeno se debatia correndo de um lado para outro entre elas.

- Não diga que seu planeta não tem abelhas, elas são fundamentais no meu! - vendo que não eram perigosas deu um jeito de pegar a colmeia. 

Quad havia pego um grande mamífero de seu mundo, e Fabrício o preparou com mel, depois da refeição deu a cada um, um pedaço de favo.

- Tivemos muita sorte. Essa é das poucas abelhas sem ferrão que existem.

- Então devia levar isso com a gente...

- Se tivesse uma cesta ou algo como um balaio eu poderia levar alguns ingredientes por garantia.

A ideia de poder comer mais mel animou Zeeppa que arranjou umas folhas e logo começou a trançar. O sol estava se pondo.

- Menos um dia!

Logo se seguiu um silêncio fúnebre.

 Aquela noite todos pensavam no que tinham deixado pra traz, daqueles malditos pedidos, será que ao menos um valia mais que a vida de todos os outros?

De qualquer forma, não tinha volta, e o silêncio dominou a noite.

A cidade não estava a mais de uma hora, e os diamantes, na montanha logo depois dela, e Ivan os acordou com tanto estardalhaço quanto era capaz de fazer. Fabrício voltou ao local onde haviam encontrado a água e o mel, para lavar o rosto e quanta sorte, um ninho com quatro ovos enormes podia ser visto a uns dez ou doze metros. Mais sorte ainda foi achar a dona do ninho, que não era nada menos que uma linda avestruz marrom escura de bico laranja. Ela o viu com os ovos e o seguiu furiosa, bicando suas juntas de metal.

- Gente! Eu trouxe o café da manhã... - e apontando satisfeito para a enorme ave, declarou - ...E o almoço!

- Acha que vão ser o suficiente?

- Ei! Vocês não podem comer ela!

- Que? - todos ficaram surpresos com a origem da exclamação. Porque não?

Enquanto discutiam Zeeppa a admirava comer. 

- Essa é a coisa mais fofa que eu já vi na vida! Olhem como ela come!

- Mas essa é uma das melhores carnes que existem no meu mundo! - Respondeu Fabrício, se interrompendo - Se bem que... talvez não seja tão má ideia. Fazem corridas com avestruzes no meu mundo, elas são ágeis e fortes, se Zeeppa cavalgar ela com certeza será mais rápida e não vai mais nos atrasar.

- Então vou ter que caçar o almoço de novo?

- Como se você achasse ruim... de qualquer forma, vou preparar esses ovos antes de sairmos daqui.

Depois do café, se dirigiram até a cidade:

- Alguém explica porque a gente dormiu no mato se tinha uma cidade tão perto?! - Fabrício estava indignado com isso.

Todos o encararam como se a resposta fosse mais que óbvia.

- Ah não vão dizer que era por causa do horário! Vai por mim moro em São Paulo uma megalópole bem complicada do meu mundo eu tiro de letra gente estressada de cidade.

- Mega...o que?

- Quer dizer cidade super populosa... eu não teria problemas num lugar assim... 

- Você é louco de chegar à noite no meio de sabe-se lá o que? E se nos achassem uma ameaça?

- Chegar em outro horário vai mudar alguma coisa?

- Pelo menos vamos levantar menos suspeitas. 

- Acho que não vai adiantar nada tentar mudar a opinião de vocês! - suspirou o humano, - Deixa pra lá.

Ao chegarem na cidade, porém, logo notaram algo muito bizarro. As criaturas que viviam na cidade eram todas muito estranhas, pessoas, alienígenas, animais, tudo e todos, pareciam ficar se repetindo, como se tivessem sido programados. Animais puxavam carruagens em quarteirões como que andando em círculos, de suas portas e janelas algumas dessas criaturas acenavam sem parar ao vazio, logistas apenas perguntavam: o que deseja, ou em que posso ajudar. quem carregava feno, não colocava no chão, a leiteira abria e fechava sua jarra sem tirar dela sequer uma concha para a criaturinha que segurava uma moeda diante dela e lhe estendia a mão de tempos em tempos.

- São autômatos?

Mas logo Reese constatou que não eram máquinas aquelas coisas de alguma forma estavam vivas.

Make a WishOnde as histórias ganham vida. Descobre agora