QUARENTA E DOIS: NICHOLAS

Começar do início

Minha explicação é embolada, porém suficiente. Derek continua me olhando sem dizer nada e isso me corrói por dentro, não era esse tipo de reação que eu esperava ter dele. Ainda sem dizer nada, ele se aproxima um pouco mais e me puxa para um abraço, minha cabeça fica próxima ao seu peitoral, até consigo sentir o cheiro do seu sabonete de baunilha.

— Me desculpe por te deixar sozinho, se eu fosse atrás de você no momento em que o Tony te chamou isso não teria acontecido, e seu te procurasse com mais precisão talvez eu tivesse te encontrado, ao invés disso eu desisti após ver a Kimberly naquela situação e então retornei para a piscina, não demorou muito e eu já estava pulando de quarto em quarto com várias e várias garotas até acontecer a briga com aquele babaca.

— Não é culpa sua, Derek, e não aconteceu absolutamente nada comigo.

Ele não responde, mas também não me libera do seu abraço. Permanecemos em silêncio por um longo tempo, apenas sentindo o calor um do outro, eu durmo ali, tenho certeza disso porque quando acordo pela manhã, Derek ainda está do meu lado.

**

Eu mal havia chegado à Las Vegas e já estava indo embora, foi somente um dia, se é que eu posso dizer que realmente passei um dia. O mais chato de tudo é que eu também estraguei as férias do Derek, ele voltaria mais cedo, acompanhado da sua mãe.

Meus planos de sair da cama primeiro deu absolutamente certo, o que era uma conquista já que o Derek sempre acordava primeiro. De forma rápida, eu torno a arrumar as coisas dentro da minha mala, deixando somente uma peça de roupa para me trocar após o banho, sei que viajaríamos cedo, mas eu ainda não sabia o horário.

Quando eu termino de tomar banho o Derek ainda está deitado, na mesma posição, a luz do sol já ilumina a cama, esquentando o ambiente, é uma pena não poder explorar toda a cidade da forma que eu pretendia fazer. Com o celular no bolso da minha jeans, recebo algumas notificações que o fazem vibrar:

Adam: Estou esperando meu pagamento, Danvers.

E quando eu penso que o diabo não poderia me atormentar outra vez..

Nicholas: Estamos de férias, esqueceu? Sequer estou em casa.

Adam: Espero até você retornar.

Nicholas: Espere.

Lembrar do Adam estava acabando com meu psicológico, tudo começou por culpa dele, do seu desafio incrivelmente estúpido na noite do ritual, se não fosse por ele, eu e o Derek não estaríamos em uma situação desconcertante e meus sentimentos por ele continuariam escondidos, como sempre foram. Eu até poderia namorar a Kimberly, mas não aceitaria fazê-la de segunda opção.

Pensar nela me causa remorso. Talvez eu tenha sido muito duro em minhas palavras, todo mundo erra, e eu não deveria tê-la julgado da forma que julguei. Mas já estava feito, de maneira alguma eu poderia voltar atrás.

A segunda mensagem é da Alison, e isso me assusta. Não estávamos tão íntimos como antes, desde que as coisas mudaram entre mim e o Derek, tudo mudou entre nós todos.

Alison: Oi babaca! Como está as férias? Sua mãe me falou que você foi para Vegas com o Derek, isso significa que vocês dois já voltaram a se falar, graças à Deus, não aguentava mais ficar divida entre vocês dois e embora o Derek seja o maior babaca desse mundo (mais babaca do que você), eu gosto de vocês dois.

A mensagem me faz sorrir, no fundo, eu sentia falta dela.

Nicholas: Oi Ali. Mal cheguei aqui e infelizmente já estou voltando para casa mas até o momento está tudo bem, e você como está? Está gostando das férias na casa dos seus tios?

Alison sempre passava as férias de outono em Santa Mônica, na casa da sua tia, irmã da sua mãe. Era um costume que eles tinham desde.. sempre, desde que o sempre significasse uns dois anos atrás, quando eu conheci a Alison.

Enquanto ela não responde eu continuo a descer as escadas que me levam até a sala da casa da tia Rouse, o silêncio toma conta do lugar, aparentemente o Derek não é a única pessoa dormindo. Encontro a chave da casa próxima à uma mesa de canto e então destravo a porta, recebendo a forte luz do sol em meu rosto, tenho o máximo de cuidado para não fazer barulho nenhum quando abro a porta, saio e então torno a fecha-la.

O primeiro degrau é um ótimo lugar para se sentar, com o celular em mãos eu alterno meu olhar entre a tela e a paisagem à minha frente; Uma outra casa, ou mansão, os dois, talvez. O céu está extremamente azul, sem uma nuvem sequer, e o sol é uma bola enorme e brilhante, extremamente quente. O vento é leve, trazendo um cheiro de grama recém-cortada, me pergunto se alguém por ali acabou de fazer isso, não espero uma resposta, até porque ela não vem.

Novamente, meu celular vibra:

Alison: Mas já? Aconteceu alguma coisa?

Alison: As férias aqui estão sendo uma maravilha mas estou com saudade de vocês e da nossa rotina, me ligue quando chegar em casa, talvez a gente possa fazer alguma chamada de vídeo.

Nicholas: Prometo ligar.

A próxima mensagem é da minha mãe:

Mãe: Oi meu amor, já está tudo em ordem para vocês voltarem? Seu pai se ofereceu para pagar as passagens de vocês mas você sabe como a Rouse é, espero que você tenha um ótima viagem e me desculpe por interrompe-la assim, te amo!

Nicholas: Chegaremos logo mãe, não sei o horário que sairemos daqui mas espero que não demore muito, quero me jogar na minha cama imediatamente. Também te amo, até logo.

Com as mensagens importantes respondidas, eu puxo os fones de ouvido do meu bolso e conecto-o em meu celular, como sempre eu escolho o modo aleatório e a música que começa a tocar é a que eu preciso ouvir naquele momento: Strangers, da Halsey com a Lauren Jauregui, em sussurro, repito para mim mesmo as palavras da música:

"Eu lembro do que você me disse, disse que não somos amantes, somos apenas estranhos com a mesma maldita vontade de ser tocado, de ser amado, de sentir qualquer coisa".

Depois do Ritual (Romance Gay)Leia esta história GRATUITAMENTE!