QUARENTA E DOIS: NICHOLAS

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É desconcertante saber que a tia Rouse sabe disso. É óbvio que ela saberia, embora a mãe do Derek não tivesse passado tanto tempo conosco, ela nos conhecia, tinha acompanhado uma boa parte da nossa infância e bastou um dia com nós dois para tirar a conclusão de que estávamos juntos, nos amando.

Ainda é estranho para mim, eu desejei tanto ter o Derek e agora que eu tenho, eu não sei o que fazer. Não estamos namorando, estamos longe disso, sequer rolou um pedido mas estamos juntos, ao menos eu acho que estamos. Ele diz que estamos.

Permanecemos no sofá, estou sentado no colo do Derek enquanto nos beijamos em uma intensidade selvagem, com chupadas nos lábios e apertos firmes nos braços e costas, isso vem de ambos. Ele é o primeiro a tirar a camisa, depois eu mesmo faço isso com a minha. É a segunda vez no mesmo dia.

— Eu acho que é melhor irmos para o seu quarto. — sussurro entre o beijo.

Derek segue com seus lábios para o meu pescoço onde me da alguns chupões, a sensação me causa arrepios e excitação, seus lábios se movem até ele alcançar minha orelha que é mordiscada somente na ponta.
— Por que? — ele pergunta, e então sela meu pescoço novamente. — Eu gosto de adrenalina.

Sua resposta é o suficiente para que façamos aquilo ali mesmo, como antes, nossas roupas vão parar no chão e embora o clima já estivesse quente, nos terminamos de colocar fogo em tudo.

**

Após incendiarmos a sala, estamos de volta ao quarto. O banho também foi em conjunto, onde o Derek fez questão de me beijar diversas vezes. Estamos deitados lado à lado no escuro, somente com a luz da lua entrando através da grande janela do quarto, me pergunto porque o Derek não escolheu ficar com a mãe, ele teria uma vida tão boa, sabe que não faltaria nada.

— Nicholas? — ele diz após alguns minutos de silêncio apenas olhando em meus olhos.

— O quê?

— Eu estava pensando, depois do seu chilique no dia em que fomos acampar, eu retornei para a cidade de carro com a Alison e a gente teve uma conversa meio que interessante, ela me disse que durante a festa do Adam encontrou você extremamente chapado e meio que assustado, como se algo tivesse acontecido, aconteceu alguma coisa? — ele me pergunta, sem desviar o olhar.

— Como assim? — pergunto, ainda confuso.

— Você sabe o que eu estou perguntando, Nicholas, você sumiu por horas depois que o Tony te chamou e então a Alison te encontrou super estranho, eu só quero saber se aconteceu alguma coisa.

Agora sim eu entendi. O Tony, aconteceram várias coisas envolvendo ele. Esse é um assunto que eu gostaria de poder esquecer, é uma cena que eu gostaria de apagar da minha memória e não recuperar nunca mais, eu até entendo que por estarmos em uma festa, o Tony também estivesse chapado, mas isso não dava direito algum dele fazer o que fez comigo, e o pior de tudo é que ele não veio se desculpar depois, apenas ficou me encarando nos corredores do colégio, vez ou outra evitando andar conosco, até mentiu sobre o hematoma que eu deixei em seu rosto.

— Nicholas? — Derek chama outra vez, me fazendo sair do transe de pensamentos.

— A-Aconteceu.

Derek me olha apreensivo, esperando que eu continue o que eu não quero continuar, eu não devo isso a ele, sei que somos amigos, ou namorados, não sei, mas esse é assunto meu.

Respiro fundo antes de continuar:

— Depois que o Tony me chamou a gente entrou e foi direto para a cozinha, lá ele me ofereceu bebida e eu bebi com ele, depois disso ele pediu minha ajuda para algo, eu não entendi muito bem o que foi porque a música estava alta, então ele me chamou para o quarto, disse que seria melhor falar comigo em um local abafado, eu concordei, afinal, era o Tony. — finalmente começo a explicar enquanto o Derek permanece me olhando. — Quando entramos no quarto o Tony me empurrou contra a parede e eu simplesmente congelei, eu estava tão chapado, tão tonto, tão fora de mim.. a gente se beijou e logo depois ele tentou tirar minha roupa, eu recusei e empurrei ele, então ele veio para cima de mim outra vez e dessa vez me empurrou para a cama do quarto e tentou investir.. — as cenas retornam a minha cabeça, posso ver tudo com clareza. — Eu dei um soco na cara dele, foi por isso que ele faltou alguns dias no colégio e quando apareceu, estava com aquele hematoma. Quando eu bati no Tony eu não sei o que aconteceu, mas, ele simplesmente apagou e eu joguei ele para o lado, antes disso ele me falou que todos sabiam que eu gostava de você e que não era mistério para ninguém a minha sexualidade, aquilo foi ridículo da parte dele. — confesso. — No final de tudo eu tornei a vestir minha camisa e sai do quarto deixando ele para trás, encontrei a Alison que fez uma limonada para mim, depois encontrei a Kimberly e.. nós transamos, depois eu fui te procurar e você estava se envolvendo em uma briga.

Depois do Ritual (Romance Gay)Leia esta história GRATUITAMENTE!