Prólogo ✓

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- Aaron Baldini, desce daí, agora! - falei olhando com raiva para o garoto. - Senta nessa cadeira e fica quieto - ajeitei o cinto no pequeno.

- Você é muito chata, nana - disse emburrado.

- E você é muito bagunceiro - sentei de volta e cruzei as pernas. - Mamãe disse para você me obedecer, e você não 'ta fazendo isso - o olhei e o pequeno me deu língua.

- Posso ver filme? - me olhou com súplica.

- Se eu pôr o filme, você vai ficar quieto? - levantei uma sobrancelha e o pequeno balançou a cabeça assentindo animadamente. - Se você não se comportar, eu vou tirar o filme e você vai dormir, entendeu? - falei antes de lhe dar os fones.

- 'Ta bom, nana - sorriu. - Posso comer chocolate? - eu acabei rindo da cara que ele fez e lhe dei seu chocolate, que estava em minha bolsa.

- Agora quieto - pus os fones em seu ouvido e encostei-me ao meu banco, pondo os meus.

Não demorou muito para eu olhar para o lado e ver a cena mais fofa da minha vida, um pequeno dormindo encostado em meu ombro e com o chocolate meio terminado na boca. Ri baixinho e o ajeitei, deitei o banco e o deixei dormir.

Encostei-me a janela olhando as estrelas do lado  de fora e comecei a pensar em como tudo pode mudar de uma hora para outra. Londres foi a cidade que eu morei mais tempo, exatamente dois anos, e também a cidade que mudou minha vida, mas agora aqui estamos nós indo para outro país, de novo.

Deixei que o sono me atingisse também. Eu não via a hora de tudo aquilo acabar, eu odeio mudanças.

(...)

- Como foi a viagem? - minha mãe perguntou enquanto meu pai pegava as malas naquela esteira gigante do aeroporto.

- Metade dela Aaron não me obedeceu, a outra metade ele dormiu - falei rindo e minha mãe olhou feio para o pequeno.

- Você não obedeceu a sua irmã, rapazinho? - pegou em sua mão.

- Eu obedeci sim mamãe, ela que é chata, não me deixa brincar - o moreno falou emburrado e cruzou os braços.

- Subir na poltrona e começar a pular igual um doido, no meio do avião, não é brincar, Aaron - o olhei de cara feia e o menor me deu língua.

- Vamos? - meu pai perguntou carregando o monte de coisa.

Peguei uma das malas para ajudar e fomos em direção a nossa mais nova casa, e mais nova cidade, pela vigésima vez.

- Ei, eu sei que você odeia isso, mas tenta aproveitar ao máximo! É a sua chance, bebê - papai disse me abraçando de lado antes de entrarmos no carro, e eu sorri concordando.

O condomínio era grande. Eu nunca havia morado em um apartamento, que eu me lembrasse, e era tudo verde claro com branco, haviam três torres e várias áreas externas de lazer.

O elevador demorou meio século para chegar ao décimo andar, onde o corredor e as portas brancas eram lindos, e uma planta com um espelho em uma mesa no meio do corredor dava um aspecto mais leve ao ambiente.

Entrei no apartamento por último e fechei a porta, tudo já estava praticamente arrumado. Meus pais vieram há alguns dias para arrumarem tudo, e eu e Aaron ficamos na casa de nossa tia, em Londres.

- Espero que goste do seu quarto, fiz do seu jeitinho, é só você decorar agora - mamãe sorriu. - Terceira porta no corredor - eu assenti e fui em direção a onde ela indicou.

Abri a porta e vi tudo em tons de branco e um roxo escuro, minha cama estava com meus ursos de pelúcia, que eu tenho desde criança, uma caixa grande ainda estava no chão, e pelo que eu percebi eram meus pôsteres, quadros e decorações.

Pus uma das malas em cima da cama e comecei a arrumar tudo no armário e afins.

Acabei algumas horas depois, tomei um banho quente para relaxar e pus uma calça de moletom com um casaco qualquer, a noite estava fria.

- Vamos pedir pizza, você vai querer? - papai disse abrindo a porta do meu quarto devagar.

- Claro - o olhei e sorri.

- Nunca tinha visto esse - ele apontou para um pôster de um carro cinza e preto e eu dei de ombros.

- Julie me deu antes de virmos embora - sorri e ele assentiu.

- Amanhã vamos a sua escola para fazer a matrícula e tudo direitinho, 'ta bom? Se eu não me engano, as aulas começam semana que vem - apoiou no batente.

- Tudo bem - dei de ombros. - Acho que as aulas da academia também começam semana que vem, eu tô muito nervosa - sorri passando a mão pelo cabelo.

- Você é maravilhosa filha, não é atoa que você ganhou essa bolsa, e não é atoa que estamos aqui - ele veio em minha direção e me abraçou.

- Tem razão, papai - sorri.

- Só, me promete que você vai ficar nesse caminho, por favor?! - o senti respirar fundo. - Eu morro de medo de algo acontecer com você, e você sabe - se afastou um pouco para me olhar.

- Pai, 'ta tudo bem, eu já te prometi, certo? - o olhei e ele assentiu. - Confia em mim - sorri.

Ele respirou fundo e deixou um beijo em minha testa antes de sair do quarto.

Voltei a mexer em meu celular e a falar com Julie sobre como estava tudo por aqui, aquela baixinha vai me fazer falta.

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