Capítulo 1 - Corazón

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HELOÍSA

Caminho calmamente carregando as verduras da horta para ajudar a vó Lourdes na cozinha, quando escuto alguém se aproximar à cavalo.

— Oxe! Se ajeite! — Caleb brada de cima do seu cavalo branco. — Aqui nessa fazenda não se anda com essas sobras de pano que mal cobre a bunda, vá trocar isso.

não é o meu pai, muito menos manda em mim, diacho. — Cruzo os braços. — Tá pensando o quê?

Meu pai sempre disse para respeitar seu Lorenzo, seu Alejandro e seu Estevan, mas é impossível me curvar ao Caleb. Dona Serena e minha mãe contam que ele é igual ao Lorenzo. Essa família Esperanza é impossível, mas eu sou mais, devo ter puxado à minha mãe.

Quando eu nasci, Caleb tinha três anos, sempre brincamos juntos, com os bichos, correndo por aí e nadamos muito no açude. Sou durona assim porque sempre convivi com ele, depois vieram Nina e Luna.

Ele sempre me levava para cavalgar, éramos muito amigos, mas depois nós crescemos, ele passou a frequentar alguns lugares com amigos e a arrumar namoradinhas. Orgulho do Lorenzo e decepção da Serena, que queria o filho padre.

Eu também cresci, mudei, meu corpo mudou... sinto coisas quentes perto dele. Meu corpo fica todo arrepiado quando o vejo seminu pela fazenda.

Um dia, flagrei esse peste na beira do açude com uma moça... os dois estavam completamente pelados, grudados e suados. Nem liguei para a quenga que estava com ele, só consegui ver todo aquele corpo se mexendo, os músculos contraídos. A voz dele estava mais grave e mais rouca, dizendo tanta safadeza, que fiquei abismada.

Desde esse dia eu não consigo mais me aproximar dele sem que me lembre do seu corpo se mexendo com força. Só de pensar, sinto uma quentura estranha. Agora ele está aqui e eu não sei se sinto raiva ou tesão.

— Não me faça descer desse cavalo, Heloísa.

— Ou o quê? — desafio. — Está com ciúmes?

— Que ciúme o quê? Vou te ensinar que não se anda nua por aí quando tá cheio de peão solto, porra.

— Vou me encontrar com Pedro — minto descaradamente. — Isso tudo aqui é para ele.

Caleb bufa e desce do cavalo em um pulo, vejo aquela montanha de homem vir até mim e parar perto, muito perto. Ele é muito maior que eu, tanto que eu tenho que olhar para cima para encontrar seus olhos cor de mel, iguais aos de dona Serena.

Meu coração começa a martelar dentro do meu peito quando ele dá mais um passo à frente e eu começo a sentir sua respiração quente em meu rosto. Ele está sem camisa e eu luto para ficar olhando nos olhos dele.

— Vou ter que te arrastar? — rosna. — Sabe o que os peões falam quando veem esses pedaços de pano que cê usa?

— Experimenta ralar essa mão em mim. — Aponto o dedo. — Não quero saber o que eles falam não, ninguém se mete a cavalo do cão comigo. Sei me defender.

Caleb segura meu pulso com força e rosna feito um animal.

— Não aponte esse seu dedo pra mim, porra.

Puxo meu braço de uma vez, dou as costas e saio pisando duro. Ele me xinga, mas não dou importância. De repente, sinto uma mão forte no meu braço e sou puxada sem força.

— Filho da mãe! Cê não é meu pai!

Ah que vontade de bater nessa cara linda e safada dele!

— O que é isso? — Dona Serena aparece na soleira da porta. — Que gritaria é essa?

resolvendo com Heloísa, mãe, deixa quieto.

Minha paixão: Spin-off da Trilogia MinhaOnde as histórias ganham vida. Descobre agora