PRÓLOGO

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A noite lá fora estava tão escura quanto meus pensamentos

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A noite lá fora estava tão escura quanto meus pensamentos. Eu não sabia o que estava fazendo ali. Caminhando por aquele corredor de chão polido, indo em direção ao que parecia ser a reunião para a venda de minha alma. Eu tinha perdido tudo, conseguia sentir a dor da perda formigar em meu corpo, e agora sabia que iria perder minha alma.

O hotel em que entrei era um dos mais caros de Nova York. Pessoas elegantes caminhavam pelo saguão, mas ninguém subiu comigo até aquele último andar. Não havia outras portas além da que eu via agora.

Meu sapato caro batia com força no mármore. Meu coração parecia seguir os sons secos. E quando vi, já estava batendo a porta branca, prestes a cometer a maior besteira da minha vida.

Um homem alto com os cabelos loiros queimados a abriu. Ele possuía talvez uma dor ainda maior no rosto do que a que eu carregava. Suas roupas estavam amassadas, havia um copo de bebida em sua mão esquerda.

- Entre.

Entrei sem olhar muito ao redor. Mas ainda sim soube que aquela suíte seria o lugar mais caro que entraria na vida.

- Quer uma bebida?

- Sim, por favor – falei com um tom de sedução.

Quando ele chegou perto de mim mais uma vez, me entregou a mesma bebida que bebia e apontou para o sofá em L no meio da sala. Quando me sentei notei que não havia paredes solidas naquela direção, e eu podia ver Manhattan por inteiro. Cada prédio reluzente, cada torre, cada pessoa caminhando pelas ruas... Dali, o mundo até parecia bonito.

Eu sorri elegantemente e me virei para olhar no rosto do homem que me contratara. O mundo era mais nojento de vil do que parecia. Mas aquele homem na minha frente tinha os mais belos e bondosos olhos que já tinha visto. Meu peito comprimiu e senti minha pele arrepiar. Ele era bonito também. Alto, bem forte, apesar de parecer deprimido, tinha a barba por fazer e parecia confuso.

- Eu sou Hugo.

- Lauren.

- Esse é seu nome verdadeiro?

Sorri e pela primeira vez em semanas foi um sorriso sincero.

- Não.

- Por que está aqui, Lauren?

- Você sabe por quê. – Me aproximei dele, tomando cuidado com a bebida em minha mão. Não queria que por um descuido manchasse um sofá que provavelmente valia dez vezes mais o que Hugo me pagaria naquela noite.

- Tome um gole. – Ele sugeriu, bebendo do seu copo. Aceitei o convite dele e virei de uma vez todo aquele líquido quente. Minha garganta quis explodir um segundo depois.

Hugo pegou meu copo quando devolvi a ele. Colocou-o na mesinha de centro e voltou a olhar para mim, se demorando nas minhas curvas. Eu não achava minha beleza tão excepcional, pelo menos não comparada as mulheres incríveis de Nova York. Meu corpo curvilíneo me traia como sendo metade brasileira e metade americana. Meus cabelos eram castanho-escuros, minha pele branca como leite. A única coisa que achava linda de minha face eram os lábios... Exatamente onde o olhar de Hugo pairou por um longo segundo.

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