TRINTA E SEIS: NICHOLAS

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Quando acordo ainda estou no sofá, é estranho se acostumar com isso quando antes o dormir no sofá significava acordar na cama, em meu quarto, isso me faz pensar no quanto eu cresci, obviamente minha mãe não consegue me carregar mais.

Minha mãe está na cozinha, e de acordo com a conversa que eu ouço, meu pai também. Ela fala sobre a viagem, sempre deixando claro que eu não quero ir.

— Não posso forçar ele a ir, você sabe disso. — ela diz, está segurando uma xícara de chá nas mãos, não percebe a minha entrada na cozinha, quem faz isso é o meu pai.

— Olha ele aí! — ele diz sorridente, vindo me abraçar logo em seguida. Meu pai sempre foi tão amoroso comigo, não é surpresa alguma ser recebido assim por ele, realmente entendo o motivo da sua ânsia pela viagem, ele quer contar aos meus avós sobre a chegada de um novo membro na família e eu estou sem ânimo algum para fazer isso. — E então, campeão, o que acha de viajarmos amanhã de manhã para casa dos seus avós? Eu prometo que vai ser divertido, seus primos estão lá, você não vai ficar sozinho.

Retribuindo seu abraço eu concordo com a cabeça, não há muito o que se fazer agora, o Derek não está aqui, não estou falando com a Kimberly, não quero papo algum com o Justin, o Tony é a última pessoa que eu quero ver na minha vida e a Alison não está em casa.

— Isso é um okay? — meu pai questiona, arqueando uma das sobrancelhas.

— Isso é um não tenho nada mais interessante para fazer, então vamos lá. — respondo com sinceridade, recebendo um tapinha na cabeça logo em seguida.

— Engraçadinho. — meu pai ri junto à minha mãe. — É bom você se preparar para quem estiver vindo, eu e a sua mãe passamos noites e mais noites em claro cuidando de você, é seu dever como irmão mais velho passar noites em claro cuidando dele também.

— Isso é brincadeira né? — pergunto, olhando para ambos de forma rápida.

Eles riem mais.

— Em partes, não. — meu pai admite. — Você obviamente vai ter que ajudar em casa, seremos quatro agora, é seu dever também. — ele bagunça meus cabelos com a mão. — Mas por enquanto a sua única obrigação é subir para o quarto e arrumar sua mala, vamos sair cedo amanhã.

**

Sou péssimo quando se trata de dobrar roupas e enfia-las em um compartimento pequeno, dou o meu melhor para que a mala feche corretamente, organizando as roupas de melhor forma que consigo, levo coisas que sequer sei se vão ser necessárias já que meus avós apenas moram em uma cidade vizinha.

Agora é a primeira das muitas vezes que eu vou me arrepender por não ter ido para Vegas com o Derek, me pergunto o que ele deve estar fazendo agora, suponho que esteja visitando locais com a mãe, ele sempre faz isso quando vai para lá.

Quando termino de arrumar tudo o que decido levar já é madrugada, resta pouco tempo para dormir porque sei que o meu pai fala sério quando se trata de viagens, ele vai me acordar mais cedo do que o necessário para não fazermos nada enquanto o tempo passa e ele decide tirar o carro da garagem. Após um banho extremamente rápido, eu me deito na cama rezando para não acordar com cara de morto no dia seguinte, ou melhor, em algumas horas.

Levo ambos os lados do fone aos meus ouvidos e seleciono a playlist aleatória, ela parece acertar a música porque descreve totalmente o meu estado atual, o som é Ghost da Katy Perry.

"And now you're just a ghost, when I look back never would have known that you cold be so cold"

"E agora você é apenas um fantasma, quando olho para trás nunca poderia ter imaginado que você poderia ser tão frio."

Meu celular vibra ao meu lado.

Tento dizer não para mim mesmo, está tarde, eu preciso dormir, não é o Derek, não é ninguém.

Meu celular vibra novamente.

E é ele.

Derek: Oi.

Derek: Nós podemos conversar? De verdade, por favor.

Algo gela em meu peito.

Nicholas: Está tarde, Derek.

Derek: Mas eu preciso, Nicholas, por favor, só deixa eu escrever e te enviar.

Nicholas: Eu não te proíbo de fazer isso.

Derek: Mas me prometa que você vai responder.

Nicholas: Eu não posso prometer algo sem saber do que se trata.

Derek: Tudo bem.

Nicholas: O quê?

Derek: Eu vou falar.

Ele demora uma eternidade digitando, chego a cochilar nesse pequeno espaço de tempo mas quando a mensagem chega eu desperto.

Derek: Tudo bem, eu não sei como começar a escrever isso porque se eu já sou péssimo falando pessoalmente, imagina escrevendo, não é mesmo? Eu sinto sua falta, Nicholas, eu queria tanto que você estivesse aqui agora porque tudo fica melhor quando você está ao meu lado, você me entende tão bem e me completa de uma forma que ninguém nunca conseguiu completar, eu demorei muito tempo para cair na real e aceitar que eu também gosto de você, eu não quero esconder isso, não mais. Me perdoe por ser um babaca na maioria das vezes, o tio Richard sempre acha que eu sou o responsável mas ele está errado, é você quem cuida de mim, é você quem cuida de nós dois, sem você eu estaria perdido em toda essa situação e você sabe muito bem do que eu estou falando, eu gosto de você, Nicholas, eu gosto muito, me perdoe por tudo.

É estranho. A mensagem é estranha, o Derek sempre foi uma pessoa tão fechada quando se tratava dos seus sentimentos e do nada ele se declara para mim como se eu fosse a única coisa que ele tem e precisa na vida. É estranho mas é um estranho bom, é um estranho que eu sempre quis que acontecesse, eu amo o Derek e não posso negar isso.

Derek: Lembra o que aconteceu durante o nosso acampamento? Estávamos deitados olhando as estrelas e eu acabei cochilando.

Nicholas: É claro que eu lembro, e eu venci a aposta.

Derek: Eu ouvi você dizer que me amava.

Um calafrio percorre todo o meu corpo.

Derek: Você provavelmente está envergonhado agora, eu sei disso, mas não precisa ficar, sabe por quê?

Nicholas: Por que?

Derek: Porque eu também te amo, Nicholas Danvers.

Depois do Ritual (Romance Gay)Leia esta história GRATUITAMENTE!