Fevereiro, 2016. III.

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Oi, pra todo mundo!
Sei que demorei um pouquinho (muito) para postar esse capítulo, mas ele tem quase 3.000 palavras, para compensar. E é muito importante, então leiam com muita atenção!

Votem e comentem, é muito importante pra mim saber o que estão pensando!

Qualquer erro, me avisem, para que eu possa corrigir o mais rápido possível.

Se quiserem falar comigo, me gritem lá no Twitter: @oliveiraalayla

Boa leitura! <3
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    Lucas não tinha vergonha de quem era. Nunca teve e sabia que nunca teria.

    Era filho de mulher negra, pobre, bolsista e sua mãe trabalhava como empregada doméstica; morava numa casa pequena, mas nada nunca lhe faltou.

    O dinheiro era sempre contado, mas nada faltava.

    Com o tempo, Lucas aprendeu, no meio de todos aqueles meninos ricos de seu colégio, que bens materiais não eram nada perto do amor que pairavam em sua casa – ou melhor, lar. Nenhum bem material superaria o cheiro do café fresco de sua mãe, feito com muito carinho todas as manhãs para o filho.

A única coisa que ainda incomodava Lucas naquela história toda era ele simplesmente não se sentir incluído na sua turma. Nunca. Todos os anos, os alunos eram trocados de turma, uns iam, outros ficavam... E, mesmo assim, Lucas nunca se sentia incluído.

Isso porque ninguém ali era como ele.

Não gostava de menosprezar os sofrimentos, angústias e dificuldades das pessoas, mas sabia que ninguém naquela turma nunca entenderia o que era ficar sem comprar uma camisa que tinha achado bonita simplesmente porque o dinheiro estava contado até sua mãe receber o próximo salário.

Naquele dia, quando saiu da casa de Gonçalves, tudo o que ele queria era chegar em casa e dormir. Queria esquecer-se de que tinha deveres de casa para fazer, mas sua consciência nunca o deixava em paz.

Há alguns quilômetros de lá, Pedro Gonçalves jogava futebol com sua turma, em um campinho do bairro, sem se preocupar com os deveres que teria que fazer correndo, quando chegasse em casa.

Aquele havia sido o primeiro dia de aula e Gonçalves considerava um absurdo ter dever no primeiro dia de aula. Se fosse por ele, não faria, mas não estava a fim de receber uma advertência. Não tão cedo.

Do outro lado da rua, na casa dos Gonçalves, Lúcia seguia trabalhando, lavando a louça, limpando todos os cômodos possíveis, sempre tentando não incomodar seus patrões – que, depois de alguns minutos, decidiram ir trabalhar e deixar a empregada a sós.

A papelaria e a loja de doces ficavam no centro da cidade, em uma área bem localizada, atraindo muitos clientes.

José Carlos e Juliana – pai e mãe de Pedro Gonçalves – não só cuidavam e administravam suas lojas, mas também trabalhavam nelas, atendendo os clientes e fazendo sempre o possível para venderem seus produtos.

Eram bons comerciantes, a cidade inteira reconhecia isso. Sabiam muito bem convencer um cliente a não sair da loja de mãos abanando.

Lucas simplesmente não conseguia se concentrar nos seus deveres. Desistiu, enfim, convencendo sua própria mente de que tentara. Talvez, assim, não se sentisse tão culpado.

Sem ter o que fazer, correu até o armário da sala, pegando um dos álbuns de quando era criança. Nunca teve registros de seu pai, nem mesmo no início da gravidez de sua mãe.

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