TRINTA E QUATRO: DEREK

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Nicholas não me responde e isso é extremamente chato, quero tê-lo de volta, preciso disso mais do que qualquer outra coisa em minha vida, pelo menos agora. Estou deitado sobre minha cama extremamente confortável e luxuosa enquanto a única coisa que me vem na cabeça além dele, é a Yuna, ela já sabe o resultado, ela sabe se aconteceu ou não mas por algum motivo desconhecido prefere me deixar curioso. Embora eu queira permanecer em meus terríveis pensamentos, minha mãe não me permite. Após duas batidas na porta do meu quarto ela entra, agora vestindo outra roupa, extremamente arrumada. Seus cabelos loiros estão soltos e penteados para trás, ela veste um vestido justo em cor preto e branco e em seus pés estão um par de saltos na cor preta.

— Perdi a prática na cozinha, será que você pode se juntar à mim para irmos a um restaurante qualquer? conheço uns ótimos por aqui, você não vai se arrepender, Dek. — ela sugere com um sorriso largo no rosto.

Relutante, eu me levanto, talvez seja melhor distrair a minha mente com qualquer outra coisa ao invés de ficar deitado observando a tela do meu celular, esperando por uma notificação que eu sei que nunca vai chegar. Poderíamos estar saindo juntos essa noite, eu, ele e a minha mãe, Nicholas poderia conhecer Vegas como sempre havíamos planejado antes, ele sempre quis vim e quando finalmente obteve a oportunidade, nós estragamos tudo. Eu gostaria de me desculpar mas agora já é tarde demais, muito tarde.

— Hum, tudo bem.. só deixa eu me trocar, prometo não demorar, ok? — sugiro enquanto minha mãe me observa, não precisava fazer muita coisa além de trocar meu shorts jeans por uma calça e vestir uma camiseta.

— Estarei te esperando no carro, vou deixar a chave em cima do sofá e você tranca a porta quando sair, não demore, quero pegar uma mesa boa para nós dois. — ela me encara, esperando uma resposta e eu apenas concordo com a cabeça, já me apressando para pegar algumas peças de roupa.

Desço a bermuda com rapidez após minha mãe fechar a porta, a primeira calça que eu encontro é comum, na cor preta, além dela visto um blusão moletom em tom cinza, tem o cheiro dele, é dele. Após calçar os sapatos eu desço as escadas e como ordenado, tranco a porta de casa antes de sair. Minha mãe me espera no carro, com a porta de passageiro aberta, travo o cinto após fecha-la, rezando para não entrarmos em nenhum assunto delicado como o que tivemos mais cedo.

— O que acha de uma porção de nachos para começar a noite? — minha mãe sugere enquanto começa a dirigir, se eu fosse comparar o carro do Adam com o dela, ela certamente ganharia.

— Acho uma ótima opção, mãe.

— Dek, está acontecendo alguma coisa? Desde cedo você está tão disperso, sem prestar atenção em nada que eu diga ou animado por conta da viagem, você sempre adorou vim para cá, lembra? Até contava os dias para as férias de outono chegar. — ela olha para mim rapidamente.

Era verdade, eu amava viajar para ficar com a minha mãe porque ela basicamente fazia todos os meus gostos, não que o meu pai não fizesse, mas com a minha mãe as coisas eram diferentes, ela não precisava trabalhar dia e noite, tínhamos mais tempo juntos, não é a mesma coisa com o meu pai. Até entendo o motivo dele, horas extras é algo bom, o salário é dobrado e assim ele consegue pagar as contas acumuladas no final do mês.

— Não é nada, mãe.. — ela me corta antes mesmo que eu possa tentar me explicar.

— É o Nicholas, não é? — ela deduz. — Eu sei o quanto você queria que ele estivesse aqui e eu realmente não sei o que aconteceu entre vocês dois, mas, seja o que for, você ainda tem a oportunidade de chamá-lo, estamos aqui.

— Ele não vai me perdoar, mãe.

— O que você fez foi tão grave assim?

— Pode apostar que sim.

Ela concorda com a cabeça, suspirando logo em seguida.

— Sabe, Dek, embora eu e seu pai tenhamos nos separados eu sempre tentei me manter informada sobre você, sempre quis que você morasse aqui comigo, sua vida seria melhor aqui, você sabe disso. — e lá vem ela com o discurso. — Hoje eu sei pouco sobre a sua amizade com o Nicholas mas me atrevo a dizer que esta mais forte do que antes, não é mesmo? — ela faz uma pausa e novamente olha para mim. — Vocês são amigos há anos, Derek, não deixe que uma amizade tão bonita assim acabe por uma besteira, se você gosta do Nicholas e quer ter ele por perto você deve abrir o seu coração e deixar de ser tão orgulhoso, mostre a ele que você está arrependido, azar o dele se não acreditar, apenas seja verdadeiro, diga o que você sente agora mesmo antes que seja tarde demais.

— Você acha mesmo que ele vai me perdoar?

— E por que não perdoaria? Todos nós somos falhos, seria idiotice do Nicholas deixar a amizade de vocês dois morrer por algo tão fútil, independente do que tenha acontecido entre vocês eu sei que existe amor e companheirismo aí, tente. — ela sorri.

Ela tem razão, eu passei tanto tempo tentando negar algo que agora está totalmente dentro de mim, como galhos retorcidos apertando meu coração, me sufocando cada vez que eu tento respirar e recobrar meus sentidos, recobrar o motivo para eu permanecer vivo e fingir está bem quando na verdade tudo está em ruínas sem ele por perto.

Estou decidido a me desculpar, a correr atrás da única coisa que eu tenho certeza em minha vida: Eu quero o Nicholas. Quero ele perto de mim de todas as formas possíveis, quero conseguir sair da minha cápsula e mostrar para ele o meu verdadeiro eu, o eu que assim como ele tem medo de se magoar e acabar magoando alguém, tenho quase certeza de que ele me vê como um escudo, como aquele cara que não se importa com a opinião dos outros e com as coisas que acontecem ao seu redor, é essa imagem que eu normalmente passo para as pessoas, eu tento permanecer forte porque é assim que eu quero ser, eu quero ser forte.

— Obrigado, mãe. — finalmente respondo. 

Depois do Ritual (Romance Gay)Leia esta história GRATUITAMENTE!