Capítulo XXIII

2.7K 445 193
                                                  


A febre retornou na noite anterior. Mais uma vez, chamaram o doutor Fisher e tio Edmundo disse que cheguei encharcada em casa. Alexander e meus pais deram-me um sermão. Eu poderia denunciar as atrocidades que Alexander Trollinger fez e as formas como tentou atingir-me. Porém, meu querido marido ameaçou Sr. Huppert e sua família, caso contasse sobre seus feitos.

Acordei, sentindo calor em volta do meu corpo. Tateei, percebendo que era Alexander. Seus braços envolviam-me como se ele não fosse o bruto que era. Minha cabeça estava em seu peito, ouvia seu coração bater.

Fechei os olhos, por um momento, pensei em continuar ali, voltar a dormir. Mas não podia sentir-me assim. Ele era mau, odiava-me. Eu era apenas uma presa. Afastei-me bruscamente. Ele abriu os olhos e encarou-me.

— Estava tremendo de frio, por isso eu a abracei.

— Obrigada por responder o que eu sequer perguntei. — virei-me de costas pra ele.

— Luna...

Sussurrou. Senti-o aproximar-se. Uma de suas mãos acariciou meu ombro, por cima da longa camisola branca que eu vestia. Ele beijou meu pescoço. Arrepiei.

— Afaste-se, Alexander. Eu quero dormir. — murmurei.

— Se me quisesse longe, não iria arrepiar quando toco você, quando te beijo... — afastou-se.

— Eu te quero bem longe. Se quiser se mudar para outro planeta, eu agradeço. — bufei.

— Você não ficaria longe de mim.

Virei-me e encarei-o com incredulidade.

— São quatro horas da manhã, eu quero dormir. Agora, cale a sua boca, Trollinger.

— As difíceis são as melhores. — murmurou consigo mesmo. Internamente, revirei os olhos. Alexander aquietou-se. O frio era intenso. — Onde você vai? — questionou, quando estava prestes a levantar.

— Pegar mais um cobertor.

— Não pode pegar frio. — olhou-me seriamente.

— Definitivamente, você é louco! Esqueceu por que estou doente? — arqueei as sobrancelhas.

— Vem aqui... — Ele puxou-me para si. — Aqueço você. — sussurrou.

— Prefiro passar frio. — tentei desvencilhar-me de seus braços.

— Você será minha, mais cedo do que imagina, Luna Katerina.

— Você não controla o tempo, Trollinger.

— Mas posso controlar você. — o sorriso zombeteiro em seu rosto, aumentava a vontade que eu tinha de socá-lo.

— Irai-vos, mas não pequeis. — sussurrei, com os punhos cerrados.

Alexander levantou-se e abriu o baú que ficava nos pés da cama. Tirou um cobertor e colocou-o sobre mim.

— Você vai me dar mais trabalho do que eu imaginei, Luna Katerina. — encarou-me, como se estivesse tentando me desvendar.

— O que quer de mim? — crispei os olhos.

— Eu já disse a você que odeio as mulheres. Darei a você tudo o que você merece. O pagamento que toda vadia merece.

Estremeci ao ouvir suas palavras. Ele colocou uma mexa do meu cabelo atrás da minha orelha e beijou minha testa.

— Você é louco. — meus olhos marejaram.

— Se acha isso, não me provoque.

Alexander deitou-se. Então, adormeci, com suas palavras rondando meus pensamentos. O que seria de mim? Trollinger era descontrolado. Louco. O que poderia fazer para livrar-me dele? Não temia apenas por mim, mas por toda Valência.

Coração ValenteOnde as histórias ganham vida. Descobre agora