Infância

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Laura sempre ouvia histórias a respeito de sua mãe. Seu pai mais do que qualquer um de sua família fazia questão que ela soubesse sobre o caráter imponente daquela mulher tão amada. Com o tempo a menina aprendeu a não culpar-se pela morte da mãe que perdera a vida durante seu parto. O pai também não a culpava, pelo contrário, via na menina a mulher que tanto amava. Essa foi sua maior motivação em superproteger a filha. 

Ricardo não sabia exatamente como criar uma menina e tinha medo de masculinizar a filha que crescia absorta em sua imponente loja de construção. Laura podia dirigir um trator aos 12 anos e isso lhe causava um orgulho sem medida, mas também o amedrontava. A menina entendia absolutamente tudo de ferramentas e era a melhor companhia de seus operários, vendedores e demais funcionários. 

Sua maior influência feminina era sua avó materna com quem convivia majoritariamente nos finais de semana. A senhora de cabelos levemente grisalhos lhe ensinava tudo que o pai não era capaz de ensinar. Essa mistura a tornou uma mulher forte, ao contrário das meninas de sua idade não possuía futilidade alguma em seu caráter e ainda assim carregava uma beleza iridescente. 

Quem visse apenas a sua aparência diria que a jovem era bonita, mas nada fora do comum. Mas quem a realmente conhecia diria que a jovem era a mais bela que poderia existir. Sua personalidade amável conquistava a todos. Laura não entendia a solidão que sentia, mas costumava achar ter nascido numa época errada ou ter nascido com um espírito velho. Conseguia conversar com pessoas com o dobro de sua idade, mas não se sentia confortável entre os jovens. 

Seu tio paterno com toda a certeza também era um de seus melhores amigos. Júlio tinha 10 anos a menos que seu pai. Laura o via como um garotão. A admiração da menina se instaurava por vários aspectos. Destacava-se a beleza, o sucesso profissional e a personalidade altiva de seu tio. Tudo nele a encantava e como o passar dos anos o tio se tornou sua brecha para escapar da superproteção do pai. Mas ela entendia que Ricardo apenas não queria perdê-la como perdeu a Mãe. 

Aos 17 anos a menina queria namorar, ir as festas do colégio e ser social, mas o pai jamais permitiria qualquer uma dessas coisas. O tio no entanto a acobertava de forma que ela passava a dizer a seu pai que dormiria na casa do tio para passar a noite com a sua prima que sempre fora sua melhor amiga. Assim ela e a prima podia divertir-se a vontade com a permissão de Júlio que as incentivava. 

Júlio não passava de um romântico incorrigível, mas apesar das suas atitudes irresponsáveis amava a filha Sofia e era um bom pai. Não esperava tornar-se pai tão cedo ao se envolver com uma garçonete num bar, mas tinha esperança que aquela mulher de quem nem o nome lembrava fosse ser o amor de sua vida. Após o nascimento da filha a desconhecida fugiu e nunca mais retornou. 

Sofia amava o pai e em nenhum momento sentiu falta de uma figura materna. Cresceu observando as várias namoradas de Júlio, mas sabia que nunca uma mulher tomaria seu lugar na vida do pai. Ela era tudo para ele. A menina era bonita alem do comum e o pai apesar de tudo a protegia incansavelmente, mas desejava para sua filha um amor como nunca tivera. 



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