Capítulo 3

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— An?! Se está falando da Amanda, não precisa se preocupar, sei lidar muito bem...

— Não estou falando da Amanda. — Interrompeu-me a professora.

— NÃO? Então está se referindo a que?

— Não posso falar muito, apenas escute-me​: cuidado.

— Como assim?

— Tenha um ótimo dia. — disse a professora saindo da sala.

— Nossa, que professora estranha!

— Não é não! Ela não costuma agir dessa forma.

— Tá bom.

   What?! Tinha algo de errado com aquela professora sim. Ninguém chega para alguém que não conhece e fala do nada: "Cuidado". E outra, ela nem me conhece! Professora minha linda, infelizmente não tenho bola de cristal, okay?
   Eu e a Carla fomos direto para o refeitório, uma princesinha que nem eu não podia morrer de fome.
   Ficamos na fila esperando nossos pratos e quando finalmente chega a nossa vez, nós deparamos com purês que mais pareciam​ cocô de recém-nascidos.

— Com esse tumulto todo, tinha esquecido de lhe contar uma coisa... — disse a Carla sentando-me em uma das mesas.

— Você e esse seu dom de deixar as pessoas curiosas, conta vai! — falou Carla com a boca cheia de comida.

— Calma menina! E mesmo se eu lhe contar não tem como ver, isto está lá no quarto.

— Hum, vou acreditar...

— Aliás, onde estão as outras meninas? — falo enquanto petisco o frango (sem um pingo de corante) que estava no prato.

— Vai lá saber!

— Conte-me um pouco mais sobre você!

— O que​ eu posso falar sobre mim?

— Eu lá que vou saber Carla!

— Bem, meu nome você já sabe! Eu nasci na Rússia, minha mãe morreu quando tinha dez anos e a partir desse dia, vim meio que me rebelando, comecei ouvindo simples rock's e quando me dei conta, o quê havia sobrado dos lindos cachos dourados, foi apenas um cabelo roxo.

— Minha vida é mais ou menos assim.

— E outra, odeio séries!

   Tinha me identificado com  a Carla, por mais incrível que parecesse, não éramos irmãs! Ela tinha uma história de vida idêntica a minha, e o melhor: não perde tempo assistindo séries​. Minha mãe ou meu pai pulou a cerca, é impossível uma menina ser tão parecida comigo nos mais diversos aspectos, nem minhas melhores amigas tinham todas essas qualidades há há há! Juro que já tô ansiosa para sair daqui e fazer um teste de DNA, só assim acreditarei que não somos irmãs!

— As princesas não vão assistir a palestra não? — falou Jennifer se sentando na mesa.

   Depois de perceber que eu e a Carla estávamos boiando, continuou falando:

— MEU JESUS! Que lentidão para raciocinar, todos do internato foram convocados ao pátio para assistir a uma palestra!

— Por isso não tivemos todas as aulas! — completou Fernanda.

— Então vamos adiantar, não queremos chegar na hora das palmas! — falou Carla.

   Corremos para o quarto, as outras meninas foram retocar a maquiagem e passar um pouco mais de perfume, enquanto eu, fui ajeitar uma trança que de tanto frizz parecia uma verdadeira juba de leão! Sério que estávamos nós arrumando para assistir uma palestra? Lembro-me muito bem, quando pequena minha mãe sempre me levava a esses encontros (tediosos) e como sou nada besta, sempre levava livrinhos de palavras cruzadas, parece que eu já sabia que o negocio ia ser chato. Desta vez, a única coisa que vou levando sou eu e um batom para comer, isso mesmo, comer​. Eu não uso batom e quando uso minha mãe já sabe que tem esquema por trás!
   Fomos correndo para o pátio, chegando lá, ainda estavam testando os​ sons, não sei se riu ou choro.

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