10 O Fim da Segunda Fase

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Quando todos estavam preparados para entrar pelo portal amarelo um pequeno grupo pediu atenção.

– Amigos guerreiros, queremos dizer que nós decidimos ir pelo portal vermelho.

Cafil coçou a cabeça e disse:

– Mas não decidimos em conjunto que iríamos pelo portal amarelo.

– Sim, sabemos, mas nós decidimos que preferimos ir pelo portal vermelho, eu acho que aparentemente lá por não ser um bom caminho é o caminho mais acertado.

– Não entendi. – Cafil disse.

– É o seguinte, como lá aparenta não ser o caminho mais tranquilo, nós achamos que seja justamente para deixarmos de ir por ele.

– Cafil, se for por esse entendimento, diz para eles irem no portal dos tubarões!

– Calma, Zoraide.

– Claro! É o pior, vai ver é o melhor caminho! – Disse irritada.

– Olha só, eu vou seguir o combinado pela maioria, quem quiser ir pelo portal vermelho que vá, vou fazer a marca com um X no portal amarelo, pois foi o escolhido pela maioria. – Cafil disse fazendo a marca no chão.

Uma parte do grupo seguiu pelo portal vermelho, Cafil, Davi, Zoraide, Sereia, Fileno, Mareo, Grostin, Paratodo, Gator e outros guerreiros entraram no portal amarelo, quando todos passaram os portais, eles se fecharam.

– O que houve? – Paratodo interrogou.

– Não sei, o portal sumiu depois que todos passamos. – Disse Zoraide.

– Estranho porque ele fecharia desta vez?

– Não sei, Fileno. – Disse Zoraide.

– Qual a diferença desta para a outra vez que entramos? – Interrogou Davi para um guerreiro que havia entrado com ele na vez anterior.

– Nenhuma diferença, entramos igual, mas agora não podemos retornar.

– Tem uma diferença sim! Na vez anterior um grupo ficou na caverna. – Cafil disse.

– Será, Cafil?

– Sim, Davi, eu e os outros ficamos na caverna, talvez o fato de não ter ninguém lá, impeça o retorno.

– Talvez.

Havia alguns corredores, eles caminharam com piso molhado e um pouco de escuridão, depois de andar por um bom tempo chegaram numa sala cheia de espelhos, Davi e os outros já sabiam que tinham que entrar nos espelhos vermelhos e não nos de outras cores, especificamente verde, amarelo e Azul. Foi o que fizeram. No primeiro grupo de espelhos entraram no vermelho, e isto os levou para outra sala onde entraram de novo no espelho da mesma cor, isto se repetiu por cinco salas, até que foram transportados para um local cheio de montanhas.

Os guerreiros caminharam por horas subindo e descendo as montanhas até que encontraram um pequeno riacho e pararam para descansar. Davi e Paratodo estavam conversando dentro do riacho com a água localizada no joelho de ambos. Eles estavam virados de costas para o riacho e de frente para os amigos observando-os.

Dois guerreiros estavam conversando um pouco afastados dos outros quando a areia que estava ao redor deles se levantou como uma onda os cobriu e eles sumiram.

Paratodo que tinha acabado de olhar na direção deles, olhou novamente e percebeu apenas a protuberância na areia que foi baixando e sumiu, ele se virou para Davi, apontou e disse:

– Davi, tinha dois guerreiros ali. Não tinha?

– Sim, mas eles devem ter se misturado com os outros.

– Vamos contar.

– Um, dois, três..

– Olha só a areia tá se levantando...

– Saiam daí. Zoraideeee! Fileno!

Todos saíram correndo do riacho e foram chamando os outros, quando Zoraide percebeu que Gator estava sendo engolido por uma onda, ela e Fileno o puxaram e conseguiram salvá-lo, as ondas de areia aumentaram e eles ficaram tentando desviar, às vezes puxavam os amigos quase sendo engolidos pelas ondas.

– Vamos para a água. – Gritou Mareo em meio à confusão de ondas.

– Vamos, guerreiros! – Disse Cafil.

Os dezessete que sobraram conseguiram entrar no riacho e atravessaram para o outro lado. Eles se afastaram do local e continuaram a caminhada. Até que chegaram ao topo de uma montanha no qual se via o horizonte, mas havia uma barreira que eles não conseguiam ultrapassar, era como uma película transparente ou mesmo um campo de força que impedia a travessia, conseguiam tocar na película transparente, mas não ultrapassá-la. Foi quando Davi teve a ideia de caminharem seguindo lado a lado com o campo de força, talvez tivesse um ponto com falha e eles pudessem atravessar.

Caminharam por horas, dias ao lado da parede invisível e nada de conseguirem uma passagem, as estrelas apareciam, sumiam e às vezes eles paravam para descansar e se alimentar, até que avistaram um riacho que aparentemente seguia em frente rompendo a barreira.

Eles resolveram nadar e tentar encontrar uma passagem, foi quando perceberam que a barreira ficava até um pouco abaixo da superfície da água, mergulharam e ultrapassaram.

Quando chegaram do outro lado havia um guardião, um homem careca, vestido com uma túnica preta. O guardião estava sentado numa pedra e permaneceu sentado até boa parte dos guerreiros saírem da água. Davi foi um dos primeiros e percebeu que na verdade não era o horizonte que eles viam e sim o reflexo do local onde se encontravam, pois do outro lado não havia montanhas e sim uma floresta. O guardião disse:

– Já passaram todos?

Davi se virou e contou os amigos, na contagem foram dezesseis, ele contou novamente e disse:

– Zoraide, falta um. Quem é?

– Um, dois, três... dezessete. – Zoraide conta os guerreiros.

– Esqueci de contar comigo?

Davi e Zoraide caíram na gargalhada, nesse momento Sereia chegou.

– Posso saber o que vocês estão cochichando?

– Nada! Sereia, tem coisas que somente eu e o Davi podemos saber.

– Esta é uma Zoraide. Caladinha!

Os dois riram e a Sereia se afastou com olhar fuzilante para Zoraide. Davi falou para o guardião que todos já haviam passado e ele começou a falar:

– Parabéns, Guerreiros dos Mundos! Vocês acabam de finalizar a segunda etapa do treinamento. Temos três portais. O primeiro é para passar quem não perdeu nenhuma vida, o segundo para quem perdeu uma vida extra e o terceiro é para quem está sem vida extra. Vocês devem passar pelos portais de acordo com a vida extra que possuem. Aviso a vocês que na floresta há várias pulseiras escondidas dentro dos riachos e nas árvores, cada um terá que pegar pelo menos três pulseiras para finalizar a terceira fase, elas serão moedas de troca no final do treinamento.

– Para trocar pelo quê?

– Você é a Sereia, não é?

– Sim.

– Vocês só precisam saber agora o que é dito.

Todos foram honestos na passagem do portal, afinal já sabiam que se tentassem enganar os portais perderiam as vidas extras e morreriam.

Guerreiros dos Mundos - Em Busca do Planeta MãeOnde as histórias ganham vida. Descobre agora