Capítulo 8

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Ericka

Eu realmente iria fazer isso. Parei na frente do espelho me olhando de corpo todo. Eu amava vermelho, passei a mão pelo corpete de renda que deixava meus seios fartos ainda maiores, admirei a minúscula calcinha que fazia conjunto com o par, a ligas da cinta e a meia de seda, único acessório que era preto. O vermelho fazia um contraste bonito com minha pele chocolate, eu estava me sentindo poderosa.

Meu corpo estava desperto, a excitação corria pelas minhas veias. Era nestes momentos que eu me perguntava o porquê das pessoas consumirem drogas, era só ter uma boa noite de sexo com dois tabletinhos de chocolate como os meus.

Ainda podia sentir os resquícios do meu orgasmo de minutos atrás. Tinha feito sexo por telefone com o G1. Me tocar ouvindo aquela voz deliciosa em meu ouvido foi incrível. Depois disso ele me convidou a ir à casa dele para continuarmos. Aceitei por impulso, mas estava com uma pontinha de medo.

Para fechar meu look, coloquei um sobretudo preto e mais nada, estava me sentindo perversa. Um sapato de salto alto fino preto e vermelho me dava alguns centímetros a mais. Precisava desta vantagem, meus gêmeos eram bem mais altos que eu.

Peguei minha bolsa, celular e carteira e sai do meu quarto. Ao descer as escadas encontrei meus pais chegando. Minha mãe como sempre muito elegante, eu era parecidíssima com ela, nossa única diferença era a cor dos olhos, os meus cor de mel e os dela pretos. A raça latina se sobrepôs a caucasiana do meu pai, que era um homem alto de pele clara, cabelos pretos e olhos azuis.

— Boa noite querida, vai sair? — Perguntou minha mãe.

— Sim, preciso espairecer um pouco. Vou me encontrar com alguns amigos para conversar. — E ter sexo gostoso, quente, selvagem e intenso, completei em pensamento.

— Ouvi que a polícia esteve aqui hoje. — Meu pai comentou. — O que aconteceu?

— Recebi um presente. — Tremi. — Alguém me enviou os olhos de uma pessoa em uma caixinha.

— Jesus Cristo! — Minha mãe exclamou.

— Quem? — Meu pai veio até mim e me deu um beijo na testa. — Você está bem?

Eu precisava receber olhos humanos em uma caixinha para meu pai demonstrar o mínimo de afeição por mim. Olhei bem para ele e só balancei a cabeça que sim. Estava evitando pensar naquilo. Acho que o motivo maior por ter aceitado o convite do G1 foi para me livrar da cena bizarra que presenciei essa manhã.

— Eu não sei. — Meu celular apitou, olhei para o visor vendo que o meu Uber já tinha chegado. — Tenho que ir.

— James vai te levar. — Meu pai decretou.

Não queria que ninguém soubesse onde eu estava indo. — Já chamei um Uber.

— Ericka, James pode te proteger...

— A polícia está cuidando do caso e eu sei me virar. — Passei por ele e fui dar um beijo em minha mãe. — Afinal, as aulas de autodefesa que você criticou servem para isso.

Me despedi deles e sai. Um carro preto estava me esperando. Cumprimentei o motorista do Uber e saímos do condomínio. Olhando pela janela as ruas de São Paulo, meus pensamentos foram para o meu pai. Nós nunca tivemos uma boa relação. Uma vez eu escutei uma briga dele com a minha mãe onde ele jogava na cara dela a incompetência por não ter dado a ele um filho homem.

Agora ele está em uma campanha para arranjar o marido perfeito para mim. O filho homem que ele nunca teve, aquele que vai tomar conta da fortuna Ravena. O que ele não sabia era que não iria me casar com qualquer um e que eu era mais que capacitada para gerir as empresas. Finalizei meu MBA em administração e minha especialização em comércio exterior. Tinha um contato dentro da empresa que me passava todos os dados dela e vinha comprando as escondidas ações. Juntando as que eu já tinha mais as da minha mãe eu estava quase tendo o suficiente para ser sócia majoritária de tudo.

The Secret - O que acontece aqui, Morre aqui *Degustação*Onde as histórias ganham vida. Descobre agora