Capítulo 1

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Então é isso, eu pretendo manter a data de publicação inicial para 10/08/2017, pois ainda quero reler com calma alguns pontos, mas o que eu puder ir adiantando, farei!

Estou ansiosa com a opinião de todas vocês, porque eu sinto que meu GAEL foi o maior passo que eu dei na minha vida literária. Ele será publicado na Amazon de forma independente no ano que vem, portanto, eu conto com os comentários de vocês para que eu saiba onde ajustar as coisas! Obrigada por tudo.

Bj da tia Locks <3



♫♪Capítulo 1

Então diga adeus e pegue a estrada

Arrume suas coisas e desapareça

É melhor você ter algum lugar para ir

Porque você não pode mais voltar aqui

- Linkin Park. ♪♫

Dias atuais/Lara

Coloquei mais uma caixa no chão. Meus braços doíam e minhas pernas trêmulas quase não davam mais conta do recado. O suor escorria sobre minha testa e fazia o contorno do meu rosto parando em minha nuca que também estava ensopada. O calor escaldante do final de janeiro não era exatamente o que consideravam um dia perfeito para fazer uma mudança. Ou pelo menos não era indicado àqueles que haviam passado as últimas 24 horas velando e enterrando alguém. Não que eu tivesse muita coisa, afinal, todo o meu dinheiro foi levado pelo tratamento de câncer da minha mãe. Assim como o outro carro, nossa casa, quase todos os eletrodomésticos que tínhamos dentro dela e nossas economias de toda a vida.

Meu estômago embrulhava pelo excesso de esforço que eu fazia. Teria ajudado se eu tivesse comido nas últimas 24horas, mas eu não conseguia... Simplesmente não suportava a possibilidade de ingerir algo. Coloquei a última caixa dentro do caminhão e me escorei na lataria onde marcava com letras garrafais o nome da empresa de transporte. Olhei mais uma vez para a casa que eu morava desde que nasci: pensando se um dia eu conseguiria viver uma vida normal sem me lembrar do que passei dentro dela. Nenhuma parte do meu cérebro pensava que seria possível, eu estava ciente que não, não era uma mudança de estação; como quando as folhas começam a cair evidenciando a chegada do outono. Eu estava deixando tudo para trás e começando uma vida nova, mas meu passado sempre estaria comigo.

O gramado que um dia fora verde como um campo de futebol, hoje estava amarelado, queimado do sol. Os dois anões de jardim estavam sem cor e um deles com um pedaço quebrado na parte da cabeça. Era certo que aqueles anões não faziam ideia de nada, porque os dois continham dois enormes sorrisos pavorosos estampado no rosto. Anões idiotas. Os vidros da casa estavam sujos como se ela não fosse habitada há anos. A tinta branca e empoeirada na madeira velha anunciava que fora pintada uma única vez. 1995 para ser mais exata; quando meu pai a comprou e a pintou para me receber. Que ele não possa ver toda essa desgraça de onde está, pois estaria decepcionado com o que a vida é capaz de fazer com uma garotinha.

Tirei as chaves do bolso do meu jeans gasto e segurei entre o polegar e o indicador enquanto mantinha meus olhos fixos no objeto metálico. Vinte e três anos da minha vida estavam sendo deixados para trás naquele momento, e eu não sabia se sorria ou se chorava por isso. Talvez naquele momento eu pudesse me lembrar de uma frase bonita que meu avô me dizia, mas isso só seria possível se ele não tivesse morrido de câncer depois de colocar minha mãe no mundo geneticamente no mesmo caminho.

Eu poderia ligar á minha avó, mas seria impossível já que ela morreu quando eu tinha dez anos... E minha família paterna, bom, segundo minha mãe, eles passaram boa parte da vida culpando-a pela morte do meu pai, já que ele mudou de cidade para viver com ela assim que descobriu sobre a gravidez... Antes de o acidente acontecer e puff: em um passe de mágica lá estava eu. Sendo criada por uma mulher que vivia a base de remédios tarjas preta por ter tido depressão pós-parto e sendo visitada recentemente por uma assistente social incompetente, que era incapaz de tomar alguma iniciativa plausível.

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