Capítulo 48 - Ivy

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A gravidez me deixa sonolenta, bocejo me concentrando nas palavras de paixão, as dicas da senhorinha louca fazem sentido, contudo, ainda não sabemos o que fazer para derrotar a criatura. A saudade de Ravi assola meu peito e penso se meu marido já sabe o que aconteceu conosco, e caso saiba, espero que controle seu temperamento e confie em mim para vencer o desafio e voltar para ele. Onde estamos, perto do topo da arvore consigo ver que está floresta não é inteiramente aterrorizante, as folhas balançam com suavidade aqui em cima, o som farfalhante que fazem é acolhedor, fico mais aliviada em saber que paixão descobriu que nem tudo aqui são cascas mortas. Acaricio a barriga, um pequeno sorriso se forma em meus lábios ao ver os olhares que Aurora lança em direção a Terna. Sua confissão me pegou de surpresa, não esperava ouvir alto tão íntimo, mas que opção eu tinha diante a situação atual? Só espero que minha irmã se permita conhecer esta soberana devotada, pois tenho certeza que Paixão vai tentar alcançar seu coração selado por anos de aprisionamento.

- O que faremos agora? – Pergunto para ambas. – Aurora, você acha que pode nos levar até a caverna?

Aurora olha para Terna e morde os lábios, sei o que está pensando, Terna não se preparou para este momento, não como eu e aparentemente ela. Minha querida irmã sempre enterrou a cara nos livros, e jamais usou seu poder, de tal maneira que seria um inconveniente no momento que estamos. Terna nos observa com um pergunta nos olhos, então a compreensão a atinge.

-Sei o que estão pensando, não sou forte e não sei usar meus poderes, mas com este ser precisamos ter uma cabeça forte, então eu me preocupo mais com você do que comigo. –Declara Terna apontando em minha direção. –Precisamos nos unir, não espero que lutem por mim, vou dar meu melhor!

Diz ela dando um soco em sua própria mão. São mãos frágeis, mas não vou dizer isto a ela.

-Você tem razão, vamos precisar de sua inteligência neste campo de batalha. –Digo e ela arregala os olhos surpresa, mas depois concorda com um aceno firme. Aurora olha para ela e respira fundo, não vou deixa-la abalar a confiança de Terna, então digo. –Não tema por minha irmã Aurora, ela é a soberana das trevas, sabe muito bem se cuidar, estou certa Terna?

Ela levanta o queixo e volta a concordar. Contudo meu coração acelera, temo por ela, temo não poder salva-las.

- Consigo encontrar o caminho. – Fala Aurora derrotada. –Mas, veja bem, não é que não confie no seu trabalho, mas quando chegar o momento gostaria que...

-Não! –Corta Terna. –Você não tem direito nem intimidade para me pedir nada, estou ciente que compartilhou minha mente por algum tempo, mas nunca esteve em meu coração e alma, vou dar meu melhor, como minha irmã já afirmou sou a Soberana das trevas.

Paixão solta a respiração e passa as mãos pelo rosto, um sinal de desespero. É comovente ver como Terna lhe importa, mas ela engole em seco e começa a puxar o cipó por qual subimos. Então começamos a nos organizar, vejo que Aurora monitora Terna, que por vezes tropeça em seus próprios pés, quando a decida começa deixamos Terna propositalmente no meio, de modo que possamos iça-la se necessário. Isso não passa despercebido por ela que resmunga durante toda a descida.

-Droga de farpa. –Reclama retirando a mão do galho e quase caindo, contudo Aurora a pega, e então leva aos lábios sua mão e arranca a farpa com agilidade. Terna desvia o olhar, e paixão volta a se posicionar abaixo, descendo como se nada tivesse ocorrido. Terna fala se dirigindo a mim. - Ivy... Não temos um plano.

-Claro que temos! Encontramos a caverna que Aurora falou que ele vive, atacaremos e o destruiremos! Isso, não parece um plano? – Sorrio para tranquiliza-la, apesar do nervosismo, mas ela não deixa enganar. –Olha, não sabemos o que vai acontecer, mas sabemos que precisamos estar juntas... e bem, estamos juntas.

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