Capítulo 47 - Terna

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Acordo ao sentir os raios de sol em meu rosto, contudo o que vejo ao abrir os olhos são duas pérolas fruta cor me encarando, me sobressalto. Aurora se afasta envergonhada.

-Perdão. Não queria acorda-la é que...Não há desculpa, eu sinto muito. –Então ela morde os lábios e se afasta mais. –Já busquei algumas frutas secas, sei que vocês têm costume de comer.

Sendo assim ela me entrega a "comida". Olho desconfiada para aquilo, mas ao perceber seu olhar ansioso pego a coisa marrom e como uma. Quase á cuspo, é horrível, tem gosto de terra, mas diante daquele olhar ansioso faço um som de apreciação e ela sorri. Noto que Ivy ainda dorme, ela resmunga alguma coisa sobre Ravi.

-Deixe-me pintar só mais uma borboleta. –Ela resmunga. Rio de minha irmã e seus belos sonhos. Aurora olha confusa para mim.

-Ivy costuma desenhar nos mapas do marido. –Explico. - Vamos deixa-la dormir, ela precisa de mais energia.

Aurora não me questiona. Então continuo comendo. Contudo como ela me observa começo a ficar desconfortável. Ela percebe e tenta desviar o olhar, mas acaba sempre por voltar a me encarar como se eu fosse a presença mais fascinante do mundo. Respiro profundamente desistindo de me manter calada.

–Então, o que você faz por aqui? –Peço com educação.

-Normalmente me mantenho ocupada pegando cipós frescos do topo das arvores, e refazendo minhas bases, eu as tenho espalhadas por toda a floresta. Logo cedo descobri que está floresta guarda as melhores coisas em cima de seus galhos mais altos. –Ela fala enumerando as frutinhas que colheu e certa vez pensou ter visto um pássaro que não pertencia a floresta. Ela desviou o olhar envergonhada. –Deve ser chato me ouvir, não tem muito o que fazer aqui, sempre tento sair, mas nunca tive resultado positivo... e bem... eu... –Ela fica ansiosa. Continuo mastigando a comida, não fica tão horrível depois de algumas mordidas. –Eu...

-Se não quiser dizer. –Digo dando de ombros. –Eu mesma não sou muito propensa a sair do reino, tinha medo de perder o controle de meus poderes e acabar permitindo sem querer alguma perversidade.

Me choco. É a primeira vez que falo sobre esse assunto como algo normal, sem me sentir tão insegura em relação a mim. Não sei como ela parece perceber que este é um passo importante, pois sua mão toca brevemente na minha, como um gesto de apoio e compreensão. E que droga, eu gosto disso, aprecio ter alguém com quem falar sobre meu sentimento. Então como agradecimento sorrio para ela, e para minha enorme surpresa Aurora parece saborear meu sorriso, seus olhos se firmam em meus lábios, seus olhos brilham sua respiração parece vacilar.

-Como estava dizendo, não é necessário que me conte, tudo ao seu tempo. –Falo tentando cortar aquele contato surreal. Aurora me olha e fica um tanto vermelha.

-Ó sim, digo, Acho que preciso. –Diz ela vermelha. –Eu me conecto a você.

Engulo a semente seca. Pisco um pouco atordoada. Ela continua vermelha, e acho que também estou.

- o que quer dizer com se conecta a mim? –Pergunto cautelosa.

-Não me julgue... na verdade você poderia, mas, preferia que não fizesse, mas está no seu direito, contudo. –Ela está fugindo do assunto, parece desesperada, mas agora estou irritada.

-Desembucha. –Falo severa. –Se for algo que me envolve é meu direito saber.

-Tudo bem. –Diz ela se rendendo. –Eu disse ontem que ele me ensinou a passar meu poder a você, isso só acontece por que pedaços de nossas almas são compartilhadas, assim como Ivy e Ravi... A divindade que me prendeu aqui me contou que quando eu era recém nascida nossos pais nos tiveram e nos prometeram uma a outra, compartilhando as almas e....

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