Capítulo 2

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   Aqui estou voltando para uma vida de terror. Não tem coisa pior do que voltar a estudar... Corrigindo. Tem sim! Você ter dois primeiros dias de aula em um só ano. Mas, como sou uma garota do bem (só que não), tenho que​ obedecer a essas regras e também não podia faltar no meu "primeiro" dia de aula. Calço meu tênis branco com uma meia azul quadriculada, que lógico, era para combinar com o uniforme, também quadriculado. Faço uma trança (com mais frizz que tudo) e pego alguns chicletes para mascar.

— Nossa! Isso tudo é para o primeiro dia de aula? — diz Jennifer ajeitando seus óculos.

— Dããã, mas é claro! Tenho que arrasar, tem algumas piranhas para assustar. — falo desfilando.

— A modelo já desfilou, agora temos que ir logo! — dispara Carla.

   Saímos do quarto e fomos em direção á sala de aula, todos os olhos estavam direcionados a mim. Será que o blush tá exagerado? É o batom que tá no dente? Alguém responde? Me dêem um sinal! Não está nada borrado, graças ao Pai!
   Assim que entrei na sala de aula, percebo que a loira oxigenada e sua dupla de sardinha são da minha sala. Mas fora isso tinha alguns garotos bonitos, consolo que não ia faltar!
   Sentei-me na primeira cadeira da terceira fileira e a Carla, Jennifer e Fernanda se sentam atrás de mim (agora estou me sentindo mais segura). Logo me dei conta que o trio de descaradas estavam a minha direita, mas, tinha um grupo completo de garotos a minha esquerda!

— Bom dia gente! — grita a professora que adentrou a sala.

— Ela é professora de quê? — pergunto a Carla.

— De química. E não se preocupe, ela é ótima! — respondeu ela.

— Estou vendo que tem gente nova na sala, por favor levante-se e dê um "oi" aos seus colegas! — Disse a professora.

   Bufo fazendo alguns fios dos meus cabelos se levantarem, coloco a mão na cintura e falo:

— Oi.

— Bem, já que não quer falar, sente-se!

— Muito obrigada. — falo dando um leve sorriso esnobe.

— Enquanto eu preparo a lista de frequência podem conversar. — falou a professora — Mas nada de sair da sala!

— Ótimo, uma aula sem fazer nada! — começo a dizer colocando os materiais de volta na mochila.

— Sentada que eu não vou ficar! — disse Carla  — Vamos alí... — falou puxando-me em direção a porta da sala.

— Por que mesmo você me trouxe até aqui?

— Aqui dá para ver o movimento, mas caso não queira, volte para o seu lugar! — disse Carla apontando para a minha cadeira.

— Ai que grossa! Vou ficar aqui mesmo.

— O André está vindo em sua direção... — falou Carla me cutucando.

— Quem diabos é André?

— O irmão da oxigenada que você tanto odeia!

— Tô vendo. Até que ele é gatinho...

— Que oferecida! Nem conhece o garoto.

— Cala a boca, ele tá chegando mais perto. — falo abaixando o tom.

— Ora, ora. Olha o que temos de novo por aqui! — disse André cheirando meu pescoço.

— Quem lhe deu essa liberdade toda? — falo tentando o empurrar.

— Desde quando vir você chegar, você não calou a boca! — falou André me abraçando.

— SE SAI GAROTO!

    Parece que gritar não adiantava mais, ele se aproximava cada vez mais, já podia sentir o seu hálito. Não entendo mais nada! Estava em uma sala cercada de pessoas, o ventilador não girava, a lua era crescente (tá, só coloquei isso para piorar a cena), não sabia mais de nada! Conseguia sentir o seu corpo colado com o meu, ele pega no meu rosto e diz:

— Cala a boca...

   Sem mais nem menos começou a me beijar. Não sei por quê, mas o correspondia. Logo comecei a puxar ele, o que estava acontecendo comigo? Eu nem conheço o cara! Ele me segurava cada vez mais firme, como se dissesse que eu não iria a lugar algum. Ele puxava meu cabelo, eu tremia, não entendia o porquê. O que eu sou? Não tinha o conhecido por um minuto e ficamos se beijando por quase uma aula inteira! Estava suando muito mais, gente sério, estava confusa e pela primeira vez estava agradecendo por ter esquecido de passar batom. Abro os olhos lentamente, e vejo que as minhas três quase amigas estavam me olhando, Senhor​ Jesus, não se pode mais beijar em paz. Continuo olhando e percebo que uma​ pessoa muito pior tinha visto aquilo tudo, Amanda. Gente! Ela é irmã dele, eu acabei beijando um menino (lindíssimo) que tem o mesmo sangue daquela cobra. Ele me larga, coloca meus cabelos​ no lugar e sai em direção a sua cadeira.

— Mano, passa um cloro na boca para não pegar uma doença. — fala Amanda do fundo da sala.

— Ó horrorosa, você não tem nada melhor para fazer não? — grito sentando na minha cadeira.

— Acho que não — disse ela se aproximando de mim —, na minha agenda não tenho compromisso para hoje!

   Assim que ela se aproximou de mim, subi na minha cadeira e vôo encima dela. Minhas mãos foram diretamente aos seus cabelos​, os puxava com toda minha força. A professora logo gritou e pediu a alguns meninos para separar a briga. Tinha tirado sangue da boca dela, o seu olho estava roxo e estava com três hematomas no ombro esquerdo. Sair de cima dela, joguei os cabelos e com o dedo na cara dela disse:

— Nunca, nunca! Se atreva a mexer comigo!

   Quem dera que tudo tivesse acontecido assim... 1) eu não beijei o André. Gente, pelo amor de Deus! Eu não sou vacaranha (vaca com uma mistura de piranha, entendeu?!) que nem algumas por aí! E ainda, nunca ficaria com um ser que tem o mesmo sangue daquela criatura desproporcionada! 2) eu não sou de caçar confusão. Minha mãe sempre me disse, que toda briga só acaba​ em merda e isso é a maior verdade! Mas bem que eu gostaria de ver aqueles olhos roxos e inchados (meu Pai do céu, que do mal eu sou).
   Na verdade, tudo aconteceu assim...

   Logo quando eu e a Carla, vimos que o André estava vindo na nossa direção, nós bolamos um plano, que irrita todo o homem. Ignorar​!

— Olha as gatinhas que temos por aqui! — falou o André.

— Agnes, você está ouvindo alguma coisa? — pergunta-me Carla.

— Eu não Carla. A única coisa que ouço são latidos!

— Verdade! E parece ser de um vira-lata.

— VOCÊ TÁ ATRÁS DE BRINCADEIRA PRO MEU LADO?! — gritou André apertando meu braço.

   Enquanto ele me apertava, começo a avistar​ a coordenadora vindo no corredor, comecei rapidamente a gritar por ela — Coordenadora, coordenadora!

— Olá Agnes, algum problema?

— Sim, este menino está me agredindo.

— Rapaz, siga agora para a diretoria​! Muito obrigada por me alertar pela desordem aqui presente.

— Não foi nada, apenas cumpri com o meu dever. — disse piscando para Carla.

   Amanda tinha assistido a tudo, e veio correndo para cima de mim e Carla, quando ela se preparava para me dar um tapa, olho fixamente para ela e digo:

— Você não quer ir fazer companhia com seu irmão, certo?

— Mas é lógico que não!

— Então, baixe a bola viu linda! — falo dando uns leves tapinhas no seu rosto.

— Crianças, podem sair, até amanhã. — gritou a professora.

   Todos saíram correndo da sala, quando eu e a Carla nós preparamos para sair a professora me puxa para o canto da sala e diz:

— Cuidado!

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