Capítulo 46 - Terna

Começar do início

-Nós sempre discutimos que o sentimento faz parte do soberano ou semi soberano. –Falo com franqueza, meu coração palpita. –mas vamos voltar para o principal, se você foi presa aqui, quem fez isto?

-Calma. –Diz Aurora esticando um braço. Percebendo nossa frustração ela se explica. –Me alongo quando fico ansiosa, funciona... Bem, acho que importa, por que isso vem lhe corroendo e quero passar meu conhecimento adiante, pois quero que compartilhem o de vocês comigo. Os soberanos e semi soberanos recebem o poder moldado para eles, ou seja, o sentimento que eles conseguem lidar que encaixa com ele, mas assim como qualquer ser, as vezes somos corrompidos, os sentimentos nos transformam e se o sentimento é ruim e seu interior é fraco e manipulável, bem é fácil se corromper.

-Então quem me deu depravação acredita que eu seria depravada? –Falo meu queixo tremendo.

Ela me observa. Parece demorar segundos para entender o que digo. Os galhos secos acima de nós se balançam e rangem se forma sinistra enquanto espero sua resposta, o leve movimento das arvores indica que o frio da noite se aproxima, e o "crec" de um galho sendo partido a distância faz com que nós três observamos a direção de onde veio o som.

- É apenas outra arvore podre. –Explica num sussurro, então seu olhar volta a me encarar. –Não acho que recebeu seu sentimento por ser corrompível, acredito precisamente o contrário. Quem lhe presenteou com ele, sabia que você lidaria melhor que ninguém com esse sentimento. É mais difícil ser bom, quando somos rotulados de maus.

Diz Aurora olhando com admiração em meus olhos, e suas palavras penetram meu coração como uma calda morna de alivio. Quase choro diante a tais palavras.

–Você poderia ter cedido, mas foi forte diante a adversidade.

-A garota elástica tem razão. –Fala Ivy, ela pega em minha mão e beija meus dedos gelados.

Olho para ela, pensando se ela acredita mesmo naquilo, e quando Ivy sorri, percebo que sim. Ela acredita que eu seja boa. Sinto um pouco de alivio.

-Tudo bem, mas como você sabe tanto sobre mim? –Pergunto, então ela finalmente para de se esticar, e estranhamente desvia o olhar, parece mesmo envergonhada. Ivy e eu sentamos, pois percebemos que ela não traria perigo. – e quem lhe prendeu aqui?

-Só sei. –Diz ela. Desviando o olhar.

-Desculpe isso não basta, preciso saber, como sabe tanto sobre os soberanos, sobre a gente, e o que quis dizer quando falou que temos razão, recordo que assim que chegou nesta clareira você concordou com a gente, então sabe quem é o nosso rival, ele está nesta floresta? Onde ele está para que possamos acabar logo com isso?

Quando termino de falar percebo que preciso respirar, e que minha voz foi se alterando, minhas mãos tremem e estou apertando os punhos.

-Terna você está assustando ela. –Fala Ivy tentando me acalmar, sua mão toca meu ombro mas eu a afasto com um leve tapa.

-Ela quem me assusta. –Grito e noto Aurora tensa. Ivy morde os lábios, mas fica em silencio. –Vamos garota! Desembucha!

Dou uma passo em sua direção e paixão cai para trás assustada ela se arrasta um pouco e me observa de baixo. Meus olhos que estavam estreitados de raiva relaxam, assim como minhas mãos e ombros tensos. Minha atitude não está ajudando. Volto a sentar no chão e respiro fundo, alguns minutos de silencio passam.

Noto que é melhor não insistir sobre assunto, ela fica calada, parece um pouco em pânico. E me culpo por ser a responsável por seu desconforto. Ivy levanta batendo as vestes. Olho em sua direção e ela dá de ombros.

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