Capítulo UM

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Aqui estou, sentada numa sala com mais três pessoas que eu nunca vi na vida. Meu nome é Jennifer e eu sou fotógrafa. Assim como essas pessoas, eu estou aqui para uma entrevista de emprego na Revista Famosos que contrata apenas um fotógrafo a cada dois anos. Este ano, esse emprego tinha que ser meu. Meu maior objetivo é manter meu apartamento sem que eu precise pedir dinheiro para minha tia Joanna.

A irmã caçula do meu pai foi um anjo que caiu do céu quando, há alguns anos, eu o perdi junto com a minha mãe num acidente. Morávamos no Canadá, meu pai casou-se com a minha mãe quando ela engravidou do meu irmão e desde então nunca mais se separaram. Há oito anos quando eles estavam voltando de uma festa, um bêbado colidiu com seu carro no dos meus pais e infelizmente eles não sobreviveram ao acidente. O homem que assassinou as duas pessoas mais importantes da minha vida foi solto alguns meses depois, cumpriu sua pena sob regime aberto, pagou umas multas e não sofreu nenhuma sequela do acidente, nenhum arranhão. Nunca fui muito religiosa, mas... "Deus, o que você pensou que estava fazendo?"

– Cristina Flores! - Uma garota que estava sentada a duas cadeiras de mim levantou-se e seguiu o homem moreno que veio chamá-la para ser entrevistada. Ela usava calça jeans e botas, assim como eu, uma blusa social branca um tanto transparente e seu cabelo vermelho era chamativo. Lembrei da vez em que Luke resolveu pintar o cabelo de vermelho. Foi um desastre.

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– PEDRO LUCAS! O que aconteceu com a sua cabeça?

– Não. Diga. Uma. Palavra.

Encaramo-nos por mais alguns segundos antes de cairmos juntos na gargalhada.

– Não pensei que fosse ficar assim – Dizia meu irmão enquanto se olhava com tristeza no meu espelho do banheiro.

Eu já tinha feito alguns cursinhos de cabeleireiro anos antes e tentei arrumar aquela bagunça. Ele parecia um palito de fósforo, ainda deixou alguns cabelos escuros enquanto o vermelho vivo gritava na sua cabeça.

Em chamas, era como ele parecia estar.

– Você descoloriu o cabelo? – Perguntei enquanto me ajeitava atrás da cadeira que colocamos de frente para o espelho, comecei a dividir seu cabelo e aos poucos passei o pincel cheio de tinta em seu cabelo ondulado que ia até a altura dos olhos.

– Acho que posso ter cochilado com o descolorante no cabelo. – Ele dá de ombros. Eu fico boquiaberta.

– Seu cabelo poderia ter caído. – De repente imagino-o careca e quase deixo o pincel cair enquanto caio novamente na gargalhada. Desta vez sozinha.

– Pode rir, mas isso acabaria comigo. Imagina só como Daniel me olharia depois disso?

....

Ah! Esqueci de contar uma coisa. Meu irmão é homossexual.

Luke era a melhor pessoa do mundo. Sempre foi um irmão mais velho maravilhoso. E admirei-o ainda mais quando ele tomou coragem e contou a nossos pais que estava namorando Daniel. No início meus pais ficaram loucos, mas eles amavam demais meu irmão e aos poucos aceitaram conhecer Daniel. Terminaram quase dois anos depois.

Ele não precisou se preocupar com o cabelo. Ainda ficou um pouco avermelhado, mas estaria mais escuro em duas semanas. Nunca mais tentou colocar qualquer tipo de tintura no cabelo, seu castanho escuro permanece livre de química até hoje.

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Mandei um SMS para Luke dizendo que faltava pouco para a minha vez. Ele me respondeu alguns minutos depois.

Retratos de Uma Vida (degustação)Onde as histórias ganham vida. Descobre agora