AMANDA

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— Por favor, se aproxime mais do microfone.

Eu estava sentada na delegacia. Não sabia ao certo o que devia contar, mas o policial a sua frente provavelmente faria perguntas que ela deveria responder com calma, mesmo que estivesse muito nervosa depois de tudo que havia passado.

— O que exatamente aconteceu Senhorita Amanda? — ele me analisava de forma intensa, todos os pelos de meu corpo se arrepiaram. — Porque procurou a nossa DP?

— Bem eu, — passei a mão no rosto que suava, o que não adiantou muito porque as mãos também estavam ensopadas — eu preciso de ajuda. Tenho recebido ameaças. E acho que sei de quem são. Tenho medo.

— Explique melhor, por favor. — a voz dele era calmante, ele se escorou na cadeira, deixando a postura rígida para trás, seus olhos se suavizaram, esperando que eu contasse o que havia acontecido.

— Começou há uma semana mais ou menos. A primeira ligação que recebi achei que era um trote. Recebo muitos porque meu telefone está na lista. Foi estranho. Porque a voz se parecia com a minha, eu quase diria que era uma gravação da minha voz. — hesitei por alguns minutos. — a voz disse que se chamava Amanda, Amanda Souza, por isso achei que era um trote.

— Amanda Souza? É seu nome. E porque acha que não é um trote?

— Porque a seguir ela disse que eu roubara a sua vida, e que em uma semana a tomaria de volta. Minhas opções eram duas: fugir ou morrer.

— Então recebeu uma ameaça de morte? Porque só agora resolveu vir atrás da policia? — Ele parecia desconfiado, não acreditava na minha história, eu não acreditaria também.

— Ontem à noite, alguém matou meu cachorro e o colocou na minha porta. — comecei a chorar, nada havia me abalado tanto quanto a morte de Scooby, — e em cima dele tinha um bilhete — estendi a mão tremula e peguei o bilhete na bolsa entregando – o ao policial. Nele havia uma única palavra: SAIA!

— Eu moro sozinha, mas minha casa é bem protegida, tenho o melhor dos alarmes além de trancas muito boas, o que realmente me preocupou é que a casa é toda cercada. Ninguém poderia entrar sem ser visto por conta das câmeras, mas não tem nada.

— Vou mandar alguém a sua casa para verificar esses vídeos senhorita. — ele fez uma pausa enquanto anotava algumas coisas em um bloco. — A senhorita disse que sabia quem era o autor das chamadas?

— Eu não imaginava quem era até conversar com meu pai, — ele me olhou com interesse, e fez sinal para que eu continuasse — Minha mãe nos abandonou quando e tinha uns três anos de idade, e fui criada pelo meu pai. Ele nunca falou mal dela para mim, mas também nunca me explicou o porquê de ela ter ido embora. Mas ontem pela manhã fui visitá-lo, e contei sobre as ameaças que eu ainda imaginava serem trotes. Ele se assustou o suficiente para que eu desconfiasse, e depois de muito o persuadir ele me contou que tenho uma irmã, gêmea.

O policial se inclinou mais para perto, e me observou.

— Antes de lhe atender eu verifiquei os seus registros senhorita, e segundo um laudo que tenho na minha mesa, sua irmã morreu aos 3 anos de idade. Um acidente em uma ponte, o carro de sua mãe sofreu uma colisão, o corpo de sua mãe foi encontrado, o de sua irmã não. Apesar de terem vasculhado todo o rio não a encontraram.

Coloquei as mãos na boca. Aquilo era novidade para mim. Meu pai não me contara isso. Não sabia o que pensar. Minha mãe estava morta?

— Eu sinto muito ter que lhe dar essa noticia senhorita. — ele me olhava com pena — mas não acredito ser possível que sua irmã esteja viva, uma menina de três anos em um rio agitado? Se ela estivesse viva teria sido encontrada.

— Eu imaginei que fosse ela, por causa da voz. — pensei no que meu pai havia contado — o senhor tem certeza?

— Absoluta senhorita. — ele ajustou o gravador novamente. — agora o que aconteceu com seu cão é grave. Precisamos averiguar o corpo. O que você fez com ele?

— O meu vizinho, Marcos, me trouxe aqui, ele também trouxe o corpo de Scooby.

— Você tem onde ficar? Não seria prudente voltar para casa nesse momento. Vou mandar uma patrulha para o seu bairro, mas não gostaria que a senhorita voltasse para casa.

— Eu dou meu jeito. — falei, me sentia mais calma e controlada. Precisava confrontar meu pai, mas não tinha forças nesse momento, então não poderia ir para a casa dele. — vou falar com Marcos. Acredito que ele irá me acolher.

Saímos da sala de interrogatório, de lá eu podia ver marcos. Ele é um grande amigo sempre ao meu lado, havia insistido varias vezes que eu procurasse a policia quando contei das ligações. Quando encontrei meu cachorro só consegui correr para ele.

Ele vestia um jeans surrado e uma camiseta azul de gola pólo, e estava sujo de sangue. Quando chegamos a delegacia foi um fuzuê até conseguirmos explicar que o sangue era do cachorro, acho que por isso que o próprio delegado me atendeu.

Assisti o delegado apertar a mão de Marcos enquanto falavam sobre o corpo do meu amado Scooby. Também o vi perguntando sobre carros e pessoas suspeitas na área.

Marcos tem uma empresa de vigilância, ele trabalha em casa e tem uma central de vigilância em casa, o serviço dele é muito caro, tanto que tem poucos clientes e mesmo assim tem uma renda invejável.

Ele explicou para o delegado que havia trazido os seus arquivos de vigilância dos últimos dias e que também havia trazido os meus. O delegado ficou satisfeito e nos dispensou, entregando um cartão com seu numero para cada um e pedindo que tomássemos cuidado.

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