A RESPOSTA

17 1 0

Não esperávamos após míseros dez anos obter uma resposta, um "ouvimos e queremos fazer contato". Todos os países enviaram numa mensagem ao universo, sua forma de ser visto, traço mais representativo. Os países africanos escolheram a simbologia Adinkra, um dos nossos maiores tesouros e conhecidos por boa parte do mundo. Admito que aquilo me pareceu muito mais simbólico do que sério, pois ficção e realidade são lugares distintos.

Há um século atrás modernizamos a capacidade de comunicação fora do planeta, assim como a dobra do espaço para viagens. Claro que não conseguimos nada parecido às ficções do cinema, mas viajar de um planeta a outro gastando o tempo de um cruzeiro marítimo, algo em torno de três dias a uma semana é mais que incrível. É simplesmente espetacular e necessário.

Fomos pegos de surpresa durante uma reunião da Aliança dos Países para o Desenvolvimento Espacial, uma necessidade para limitar e manter sob controle os interesses e avanços de cada nação na mais próspera e seguinte Terra.

Meu trabalho como cientista parecia relevante no início, mas depois de alguns anos se tornou normal, como se o que viesse depois da descoberta de alguma forma normalizasse aquele fogo e foi assim comigo, depois de onze anos deixei de achar tudo interessante. Mas aquele instante mudou tudo.

Estava pronta para apresentar os relatórios da colônia Terra-Akan-1 e ajeitando o meu turbante gelê quando um painel começou a piscar, minha secretária soltou um grito e correu, não entendi o motivo até olhar para a tela às minhas costas. Ali estava uma resposta, um símbolo, mas eu definitivamente não estava preparada para aquilo.

Interrompi o debate das nações e joguei no holograma central a resposta recebida, não esperada, mas estava ali diante de nós. Pensei que meus olhos me enganavam, mas era um Adinkrahene, um símbolo Adinkra, o principal, respeitado pelos africanos e povos negros pelo mundo, representado por três círculos, onde um engloba o outro.

Para nós é como se ele tivesse lido o nosso tenso futuro na época, a escravidão e tivesse compreendido que mesmo espalhados seríamos uma unidade, ainda conectados por nossa cultura e legado. Mas também é lido por muitos como um presságio, um princípio físico leitor da humanidade séculos antes de Einstein, que previu a ação e reação do espalhar dos povos, a pedra que gerou o nosso movimento para o bem ou para o mal no espelho d'água do mundo, mas não nos dissipamos, pois nos seus limites, os três anéis voltamos a nos encontrar. Eis o motivo dele personificar o Dia das Áfricas pelo Mundo, nada mais assertivo.

A dúvida sobre o sentido da imagem alvoroçou o mundo. Logo outros estudiosos se debruçaram sobre ela e descobrimos haver ruídos cíclicos nos três aros, mas por dias ninguém resolveu. Senti que nada do que sabia em termos ocidentais ajudaria e fiz o que devia fazer, quebrei o protocolo e apresentei o conteúdo original à Comissão dos Povos de Tradição Africana. Após dez minutos, as teorias dos jovens foram abafadas por gargalhadas dos mais velhos ao fundo. Nesse momento uma anciã veio a frente e disse "um, dois, maior que dois".

Caí sentada, a mais antiga contagem africana descriptografou os aros que começaram a girar como órbitas de átomos e dentro deles outros Adinkrahene menores se ativaram igualmente. Foi então que percebemos, alguns haviam desaparecido, aquela era uma contagem regressiva para o iminente contato.

Seriam eles a pedra que nos espalharia no espelho d'água do universo? 


A RESPOSTALeia esta história GRATUITAMENTE!