Capítulo 23

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O corpo de Isaac parecia ter sido triturado. Sentia como se houvessem quebrado todos os seus ossos e os músculos como se estivessem torcidos, qualquer movimento acarretava-lhe uma pontada afiada de dor.

Abriu os olhos devagar, a visão meio embaçada e o nariz entupido com o sangue que havia escorrido e secado, interferindo na passagem de ar. Tossiu algumas vezes e sentiu o seu tórax arder, franziu a testa e gemeu, enquanto tentava apoiar a mão no chão para se levantar.

O sol já estava no meio do céu, um sinal que havia ficado desacordado por horas. Era bem provável que Alyssa estaria muito longe nessa hora, além das fronteiras de Ílac. Precisava avisar os soldados o mais rápido possível, o tempo poderia ser um grande aliado nesse momento. Quanto antes a rainha fosse notificada sobre o sequestro, maiores seriam as chances de poder recuperar a princesa.

O rapaz forçou o braço para erguer o seu corpo, lutando contra a dor que irradiava por seus membros. Tentou virar-se para poder se apoiar nos joelhos, mas cambaleou, caindo com o rosto no chão. Estava fraco, havia perdido muito sangue e presumia que tinha quebrado alguns ossos. No entanto, não podia fraquejar. Alyssa precisava dele e era ela que lhe daria forças – que nem possuía – para se erguer.

Com os braços debilitados, Isaac esforçou-se para inclinar o seu corpo novamente e conseguiu sentar no chão. Seu coração batia agitado e o pulmão estava ofegante pelo pouco movimento que havia feito. Levantou-se devagar, apoiando-se na árvore ao seu lado e, após muitas tentativas, conseguiu postar-se quase que dignamente em pé.

Quando deu o primeiro passo, suas pernas cambalearam e achou que cairia, no entanto, levou a mão para apoiar-se na árvore novamente, a fim de que não desabasse. Respirou fundo e conseguiu dar um pequeno passo fraquejante. Vacilava de um lado para outro, porém tentava manter-se firme até o seu destino final. Ia apoiando-se em cada galho, mato ou tronco que via pela frente, fazendo um esforço descomunal para conseguir chegar ao castelo.

Sua visão ia e vinha, alternando-se entre a claridade e a escuridão, a qualquer momento desmaiaria de novo. Os vultos negros ficavam mais frequentes à medida que ele esforçava-se para caminhar. Cada fibra dos seus músculos parecia estar se rompendo. Tentava ser forte, contudo, era cada vez mais difícil. Seu peito doía a cada respirada e, para piorar, o esforço acelerava a sua respiração, acarretando um sofrimento quase mortal.

Avistou o castelo ao longe e arrastou os seus passos para tentar alcançá-lo. Tropeçou em seus próprios pés e caiu no chão, batendo a lateral do rosto já machucada nos cascalhos do caminho.

Isaac rugiu de dor e contorceu-se na terra, a sobrancelha rasgada jorrando sangue novamente, inundando o seu rosto do vermelho escarlate. Não conseguiu levantar dessa vez, estava fraco demais. Seus olhos fecharam-se contra a sua vontade, mas conseguiu escutar alguns gritos masculinos e passos vindo em sua direção. Não conseguia compreender direito o que diziam, somente algumas palavras lhe eram claras como "caído", "Isaac", "ferido".

Mãos o ergueram do chão, enquanto ele ainda estava semiconsciente, tentava abrir a boca, mas a língua parecia pesada, seu corpo não conseguia seguir as ações comandadas pela sua mente. Não podia enxergar o que estava em sua volta, constatou um alvoroço em torno dele e, após algum tempo, sentiu suas costas serem deitadas em um local macio.

— Onde está o meu filho? – Cameron chegou ao aposento aos berros e os soldados que trouxeram Isaac abriram espaço para que o pai pudesse chegar até o rapaz.

Isaac identificou a voz do homem e esforçou-se para abrir um pouco os olhos, podendo vê-lo se aproximar e ajoelhar ao seu lado.

— O que houve com você?

Trono de SangueOnde as histórias ganham vida. Descobre agora