10 - Que mulher forte

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O poder de Deus era tanto!

Aquilo com certeza era um mover espiritual, dava para sentir na pele, Maria acabara de ser libertada pela mão do Senhor! Era como ter saído do Egito e atravessado o Mar Vermelho. Ser crente era tão bom!

Ela mal percebia os degraus sob seus pés, de forma que chegou ao topo da escadaria que subia para longe do estoque como que voando. O amigo de Lídia precisava ser salvo, e agora ela estava livre para fazer isso acontecer. Era um absurdo que alguém ficasse tão a mercê de outra pessoa assim, sendo maltratado o tempo todo e sem reação. Talvez nem percebendo a situação! Era como agredir uma pessoa cega.

Quando chegou ao setor de malas correndo, se deu conta de que não fazia a mínima ideia do que fazer em seguida, nem para onde ir. Ficou tão envolvida com o discurso de Lídia que era como se ela própria estivesse lutando contra o tempo para tirar Jesus da cruz. Devia estar muito esbaforida e descabelada por conta da correria nas escadas, porque Pablo e uma mulher segurando o braço dele a encaravam. Tinha passado a semana inteira se abaixando no caixa e escondendo o rosto atrás de vitrines e malas para evitar Pablo e, agora, ele estava bem ali olhando para ela de cenho franzido.

- Eu e Lídia ficamos presas no estoque por horas - Ela se sentiu obrigada a explicar.

- Meu Deus. Vocês estão bem? - Pablo perguntou.

- Agora sim! Mas Lídia precisa salvar a vida de um amigo dela.

- Como assim?

Era difícil de explicar, e Maria estava nervosa por ter que trocar palavras com o supervisor.

- É que...

Antes que a menina pudesse concluir a fala, sentiu a mão da mulher ao lado de Pablo apertando seu braço, mas apertando mesmo.

- Então é você, sua miserável! - A mulher berrou - É ela, Pablo! E você me disse que não conhecia nenhuma Maria!

Pablo ficou pálido, sem nenhuma reação.

- A senhora pode largar meu braço? - Maria tentou se soltar - Está me machucando!

- Você não tem vergonha de ficar compartilhando foto do marido dos outros?

Ai, meu Deus. AI, MEU DEUS. Maria ficou gelada quando entendeu a situação toda, mas aparentemente não havia nada que pudesse fazer além de gaguejar e ter uma pamonha no lugar da face.

- F-foi sem querer, eu juro!

- Olha aqui, garota, eu acabo com você, entendeu? Se você olhar na cara do meu marido de novo, eu mato você! - disse a mulher. Ela era muito bonita, mas no momento tinha um dragão morando dentro dos olhos dela.

Agora Maria teria que se esconder atrás da caixa registradora por obrigação. Não era tão ruim.

- Flávia, fica calma!

- EU TÔ CALMA, PABLO.

- Ok! Você está calma! Mas a gente trabalha junto - Pablo estava tentando separar as duas - É só uma menina, foi um mal-entendido.

- Você está defendendo ela? - Flávia só berrava.

- Não, eu só...

- Você tem que me defender, Pablo! Eu que sou a vítima! É uma descaramento essa safadeza toda acontecendo aqui!

Foi nesse momento que Lídia surgiu das escadas com Tiele e Bruno e, nossa, era como se a vergonha fosse um bicho comendo a cara de Maria. Flávia ainda segurava seu braço - que mulher forte - meio que tentando torcê-lo e aquilo estava causando um desespero na adolescente.

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