9 - SANTO E PODEROSO DEUS

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Não tinha café no mundo que tiraria a cabeça de Lídia do rolo em que Pablo estava se metendo, então ela abraçou a única coisa possível: trabalhar. Já que não podia fazer muita coisa a respeito do amigo, ia pelo menos fazer alguma diferença no mundo sendo produtiva.

Passou no setor de malas para ver se os aprendizes estavam bem e se não havia nenhum fogo para ser apagado. Eles estavam se acostumando. Agora Tiele e Breno passavam as compras num dos caixas da loja, e Glauce e Maria abordavam clientes. Até que funcionavam muito bem juntos. Era uma pena que apenas dois poderiam ficar. Os superiores dariam seus pitacos, mas era Lídia quem teria o maior peso na decisão. Ela ainda não estava certa do que fazer. Dava para ver quem levava mais jeito com a loja, porém, também era importante avaliar como se comportavam como dupla.

Breno perdia muito tempo olhando feito bobo para Tiele quando estavam juntos. Ela, por sua vez, batia muito papo com Maria nos primeiros dias, mas agora mal se falavam, o que era um problema. Maria parecia muito travada, principalmente perto de Glauce, que era em quem Lídia mais via potencial. A menina era meio desbocada, falava o que vinha na mente, mas às vezes era necessário ser mesmo assim e não ficar engolindo sapo... Lídia jamais seria desse jeito.

Oh!

Enquanto arrumava umas malas que haviam caído de uma prateleira, Lídia deu um sorriso ao notar que havia decorado o nome de todos.

Pablo.

Pablo.

Pablo.

Foco no trabalho, Lídia, disse para si mesma.

Ficou um pouco atendendo no caixa ao lado dos aprendizes, foi resolver um problema no setor de sapatos, voltou para atender clientes no setor de malas, mal parou para almoçar. Depois correu para acertar uns itens no sistema, ajeitou o preço das malas que haviam acabado de entrar em promoção e já estava pronta para adicionar os modelos recém-chegados no estoque aos estandes do setor.

Pablo.

Pablo.

Pablo.

Mas que merda, hein?

Mergulhou tanto no trabalho que nem viu Pablo durante a manhã inteira. Olhou ao redor e nada dele. Bom, melhor assim. Tinha mais o que fazer mesmo. Ia logo buscar as novas malas no estoque.

- Maria, você pode me ajudar no estoque por um instante? - Lídia perguntou ao abordar as duas meninas atendendo clientes.

- Poxa! - disse Glauce - E eu vou ficar sozinha?

- Vai. Mas você dá conta.

- Ela quer ficar aqui - A menina continuou protestando.

Lídia ergueu a sobrancelha para Maria, que não havia dito uma palavra.

- Eu acho melhor eu... ir, né? - Maria finalmente disse.

- Não, você quer ficar.

Gente.

- Ok, mas eu que mando, então ela não tem escolha - Lídia ergueu a voz - Aí uma cliente entrando no setor, Glauce, vai lá fazer sua mágica.

Maria puxou as mangas do casaco para baixo várias vezes, parecia um tique nervoso. Glauce saiu bufando.

- Está tudo bem? - Lídia perguntou para Maria.

- Está!

- Você sabe que ela não manda em você, não sabe?

- Você que manda.

- Não foi o que eu quis dizer.

- Então... Estoque, né?

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