Capítulo 1

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— Não fique triste, é apenas por um ano. — fala Júnior.

— Um ano que parecerá mil! — falo descendo do carro — Júnior, seja cavaleiro e me ajude  com as malas!

— Oh desculpe-me senhorita. — falou balançando as mãos em sinal de reverência.

   Rimos juntos, mas logo voltei a minha realidade. Estava vindo uma senhora em minha direção, com toda certeza ela trabalhava​ nesse internato ridículo. Não vou mentir, aquela senhora já era feia, mas naquele cenário ficou ainda mais!

— Olá, seja muito bem vinda! Sou coordenadora deste local, e acho que está na hora de dá tchau a seus pais. — falou a coordenadora​ abrindo o grande portão enferrujado do internato.

   Corro de volta para o carro e dou um abraço bem​ apertado na minha mãe, naquele momento desejei que tudo tivesse sido diferente, mas mesmo assim não me arrependia de nada! Dou um leve tchau a ela e sigo para dentro do colégio, com três malas e uma mochila nas costas.

   Terror. Isso foi o que minhas amigas disseram​ que eu ia encontrar alí, várias patricinhas e muitíssimos meninos gatos, mas todos uns sem vergonhas. Tenho que admitir, foi um ótimo aviso, mas não ia me ajudar em nada! Não iria conseguir resistir, não​ sei se estava habitando em um paraíso, ou um inferno com muito glitter. Eu e minha mania estranha de carregar roupas que nunca usaria, ainda mais em uma escola! Só para constar: em uma das minhas malas tinham uns treze saltos e cinco conjuntos de cachecóis da estampa oncinha. Naquela escola fazia um calor infernal (isto só servia para aumentar meu fogo), nunca iria sentir frio! Aliás, tinha muitos garotos para seduzir, um lencinho (ainda mais de oncinha) iria ser ideal. Mas o verdadeiro problema é que em Benjamin ninguém entende de moda! Minhas roupas da Califórnia iriam parecer simples trapos.
   Logo comecei a sentir calor (sim, eu estava usando um dos cachecóis!), o sol já estava irritando minha pele, já tinha passado da hora! Sou uma loira, sem nenhuma manchinha, tinha que previnir, e devo ter puxado ao meu pai, minha​ mãe é uma morena, ela as vezes tenta ser ruiva, mas só fica no tentar mesmo!
   Tava todos do internato me olhando, o sol batia na água do chafariz que refletia de volta em meus olhos, já estava começando a enxergar tudo turvo há há há!
   Já não tinha ido com a cara de uma garota, ela era loira, e tenho que ser sincera, aqueles fones de ouvido davam um charme muito maior.

— Algum problema mocinha?

   Tinha esquecido desse detalhe, estava acompanhada daquela mulher horrorosa, só para ter uma ideia ela tinha uma verruga que cobria metade da sua bochecha.

— Oi?! Não, nenhum problema! — respondo enquanto confiro se o celular está realmente no bolso.

   Meu Deus, por que mesmo eu fico tão nervosa na frente dessa coordenadora de meia tigela? Eu sou muito mais bonita que ela (isso já não é novidade)!

Ela pega a bolsa que estava nas minhas costas e diz:

— Deixe aqui suas malas e siga para a sala do diretor, ele quer falar com você.

   Deixo minhas malas, e claro com muito medo de ser roubada, afinal estava em uma lugar de puro marginais! Vou caminhando e torcendo muito para o diretor ser um pouco mais simpático que essa coordenadora feiosa. Continuo andando e logo comecei avistar a placa acima da porta escrita "Diretoria".  Dou uns leves toques e abro a porta, meu coração estava acelerado.

— Sente-se por favor​. Vandalismo, linguagem imprópria, bullying e vários outros... — disse o diretor de costas — Muitos vem para esse internato por não terem condições, os pais querem dar uma lição aos seus filhos, ou simplesmente estão aqui porquê​ quer!

   Sentei-me, assim que me sentei ele virou. Era um homem lindo, mas o quê me deixava arrepiada eras os arranhões em seus braços, com toda certeza ele andava se agarrando com alguma! Me encarava sem parar, analisava lentamente o meu corpo, olhava para mim de cima a baixo. Sei que estou linda diretor, tem muito tempo que não encosto em fritura!

— Você está aqui por outro motivo... E eu adoro isso!

Ele se aproximava cada vez mais de mim. Minha respiração já estava ofegante. Finalmente tomo coragem, levanto e falo:

— Tenho apenas 16 anos, ok?

— A senhora Beckmann​, sua mãe, já me informou de tudo, não pense que lhe aceitar aqui foi uma tarefa fácil. Está em dívida comigo! — começou a dizer mordendo os lábios.

   Começou a se aproximar de mim, agarrou-me, apertou minha cintura e cheirava loucamente meu pescoço (sorte dele que passei perfume!).

— O senhor está me machucando sabia? — falo o empurrando.

   Meu Deus! Aqui até o diretor toca terror, naquele momento não sabia como me comportar, não dava para simplesmente sentar e fingir que nada tinha acontecido, só para ver se eu entendi direito: ele tentou me beijar?

— Não me diga que eu não faço seu tipo! — disse ele alisando meu rosto.

— Que tipo de pergunta é essa?! Pensei que​ tinha vindo aqui falar com o senhor!

   O que estava acontecendo! Meu Deus! Será que ele leu minha mente e sabe que eu achei ele bonito? Foi bonitinho! Você não é bonito! Ler minha mente agora! Se o senhor consegue ouvir minha mente escute: VOCÊ É FEIO! Nunca senti nenhuma atração por ti!
   Confesso que esperei alguma reação aos meus pensamentos, mas, ele não ler pensamentos, maravilha!

— O seu quarto é o do número 67, agora saia da minha sala!

— Muito obrigada. Sairei com o maior prazer!

   Sair daquela sala, assim que sair meus batimentos cardíacos voltaram ao normal. A coordenadora​ mandou eu vestir o uniforme me deixando à frente do quarto, assim que entro dou de frente com a patricinha loira.

— Essa cama é muito mais macia que a minha... — falou ela jogando no chão meu uniforme.

— Garota, você tem algum problema? — falo me abaixando para pegar o uniforme.

— GAROTA NÃO! Para sua informação meu nome é Amanda! — disse ela colocando​ o dedo na minha cara.

— Opa, opa! É melhor parar por aqui pro assunto não render! — disse uma menina jogando um livro na cara dela.

— Bravo! Chegou a defensora dos animais. Deixe-me ir para​ não me contaminar! — falou ela saindo do quarto.

— Prazer, meu nome é Agnes! Acho que isso é seu... — digo entregando-lhe o livro.

— Olá, meu nome é Carla! Muito obrigada! Essa é a Jennifer e essa é a Fernanda! — falou apontando para as outras duas​ meninas do quarto.

— Seja bem vinda! — disseram​ as duas meninas em forma de coral.

— Muito obrigada! — falo me deitando na cama — Meu Jesus, aqui sempre é assim?!

— Você esperava o que? Estamos em Benjamin Academy meu amor! — disse Fernanda.

— Me responde uma coisa: os professores daqui são muitos​ chatos? — pergunto colocando minhas roupas dentro do armário.

— E como são! — Respondeu Carla!

   Pronto. Já não bastava aquele diretor​ descarado, agora tenho que lhe dar com vários professores chatos todo santo dia! Tenho que me preparar não só mentalmente, mas também espiritualmente, no ódio que estou sentindo nesse momento para eu enforcar o professor da primeira aula é rapidinho!

— Você não vai se arrumar? — Carla me pergunta.

— Se arrumar para que mesmo?

— Linda, nós temos aula! — disse Carla penteando os cabelos.

— Está bem... — dou uma pausa (literalmente dramática) — Então vamos nós arrumar!

Nuvens De Adolescentes [PARADA PARA MUDANÇAS]Leia esta história GRATUITAMENTE!