Capítulo 2

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Cinco meses? - Rebeca bufava ao telefone. - Cinco meses So?

Ela não cansava de repetir a frase.

- Guilherme está o que? Maluco?! Não se faz um casamento em cinco meses. Seria necessário ao menos um ano.

Eu estava fazendo de tudo para não surtar. Tudo mesmo. Mas ouvir Rebeca falando desse jeito era uma ida certa para uma queda ao precipício. Eu deveria saber escolher minhas melhores amigas.

Quando saí do elevador e caminhei em direção ao metrô Brigadeiro, porque desisti de ir de carro. Precisava andar um pouco. Espairecer. Sei lá. Comecei a pensar sobre o casamento. A cerimônia em si. Liguei para Rebeca de dentro do vagão, com o metrô em movimento, em busca de algum aconchego e um pouco de sanidade, claro. Precisava de calma, porque eu estava por um triz, certamente. Mas quando minha melhor amiga recebeu a notícia tudo foi por água abaixo. Ela parecia surtar de forma fervorosa. Bem mais do que eu, isso era óbvio.

Não estava tão em cima assim a data, estava? Precisava realmente de toda essa demonstração?

- Rebeca, não é assim tão em cima, é? Gui só queria que a gente não demorasse tanto, e nem eu quero. Quero me casar logo. E você sabe que a mãe dele tem andado muito doente com a reincidência do câncer. Nunca se sabe o que pode acontecer com ela. - Tentava não demonstrar insegurança em minha voz.

- Você tem razão, olhando por esse lado, melhor não esperar tanto. - A mãe de Guilherme era tão doente. Não havia qualquer necessidade de adiar isso. Ela merecia casar o filho. - Supondo que você me convide para ser sua madrinha...

Rebeca...

- É claro que você vai ser minha madrinha! Quem mais seria? - Interrompi, precisando afastar o celular do meu ouvido porque a louca não parava de dar gritinhos. Sério, precisava achar amigas um pouco mais normais. Se eu sabia o que era ser normal.

- Sou? Ah que feliz. Obrigada. Obrigada. Obrigada. Mas, continuando... Nós temos que ver o local da festa, a igreja, o cerimonialista. O tipo de festa, se vai ser temática, ao ar livre, à noite. Precisamos procurar a empresa que fará o Buffet. O bolo. As lembrancinhas. Temos que escolher o tipo de convite e mandar IMEDIATAMENTE aos convidados. Fazer a lista dos convidados. A cor da decoração. Os pequenos pirralhinhos que serão daminha e pajem, se você quiser criança. A equipe de cenário. Vocês precisam fazer aulas de dança porque eu tenho certeza que o Guilherme dança igual canguru com coceira nas patas. Sem contar na despedida de solteira, porque eu acho que você merece uma em alto estilo. Também precisamos ver maquiagem, o penteado, o vestido. A banda, os instrumentistas. O book de noivado...

Minha cabeça parecia que ia girar e Rebeca não calava a droga da boca. Não conseguia mais me concentrar em nada do que ela falava. Mas, também me senti completamente aliviada. O que seria de mim sem ela?

E Rebeca ainda não parava de falar.

- Sem contar que precisamos saber se a igreja estará disponível para a data escolhida, ou então...

- O Gui já resolveu isso. Ele reservou uma data na igreja onde se batizou. No Paraíso, perto da Avenida Paulista.

- Ao menos isso. Ah, lá é lindo.

Eu precisava descer. Minha estação já era a próxima do mapa.

- Rebeca, preciso descer agora. Ligo pra você à noite. Beijos.

- Ok. Beijos. Vou pesquisar algumas coisas pra você na internet hoje. Ver o que o senhor Google tem a oferecer.

- Ok. Tchau. Tchau.

Uma bela insanidadeOnde as histórias ganham vida. Descobre agora