Capítulo 51

1.7K 165 5

Júlia


Ontem eu acordei de um coma, o médico falou que eu fiquei 15 dias desacordada. No primeiro momento não conseguia me lembrar de nada. Porém a minha memória voltou. Eu não poderia deixar a minha vida agora, não poderia deixar minha família agora. Ontem o Alexandre veio aqui, na verdade, ele foi a primeira pessoa que vi quando acordei. Não me lembrei dele e eu vi o seu desespero, eu preciso sentir o seu cheiro, vê-lo e abraça -lo. Eu estou com saudades dos meus filhos, saudades da minha mãe, da Thais, do Pedro. Enfim, de todos!
Desde que o Alexandre saiu ontem, ninguém voltou a vir aqui. O médico disse que eu precisava descansar para me recuperar com êxito. Eu não vejo a hora de ir embora, tomar um banho maravilhoso e comer um Hambúrguer enorme. São quinze dias tomando meio que sopa de canudinho. Eca!
Ontem à noite o médico me levou para o quarto. Eu já estou bem. Ele tirou os aparelhos e disse que o meu esforço estava valendo a pena, eu estava me recuperando bem. Preciso apenas ficar em observação, afinal, foram quinze dias dormindo. O meu casamento outra vez foi cancelado. Isso dá uma história daquelas bem clichês, um casamento desmarcado duas vezes por obra do destino.
Já era na faixa de umas dez horas da manhã e estava entediante ficar no quarto sem nada para fazer. Queria apertar meus bebês e sentir o cheirinho deles de novo, quero apertar meus bebês grandes e ouvir aquelas vozes lindas novamente.

Dois toques na porta e o Alexandre entra com umas flores lindas. Ele está desgastado, a barba por fazer, os cabelos bagunçados, uma calça jeans preta e uma blusa social branca.
Como eu sentir falta desse jeito louco dele.

Ele me olhou. Eu me sentei na cama.

—Olha calma! Não precisa se desesperar. Tudo bem que você não lembra de mim, eu estou disposto a te conquistar novamente. Eu só peço que não me rejeite! Me deixe pelo menos tentar! _Colocou as flores na mesinha do meu lado.

Ele ainda não sabe que recuperei a memória. Que saudade desse idiota.

—Eu me chamo Alexandre Beckham e é um prazer ver que você já acordou. Sabe Júlia, nós temos filhos lindos! _Ele se sentou na cadeira ao meu lado, olhando para as mãos. Meus olhos encheram de lágrimas, segurei sua mão.

—Sim temos! E você, Alexandre Beckham, não sabe a falta que estou sentindo da nossa casa e principalmente de vocês! _Ele me olhou assustado.

—Você... Você lembrou? __Seus olhos se encheram de lágrimas.

—Sim, ontem depois que você saiu do quarto, ao longo do dia eu recuperei toda a minha memória. _o abracei.

—Que falta você me fez! _Me apertou em seus braços.

Como é bom sentir esse cheiro novamente. Impossível descrever o tamanho do meu amor por esse homem!

—Agora me diz, como estão as crianças, a casa, enfim... todos? _Me ajeitei na cama.

—Espera! Deixa eu olhar para você mais um tempinho.

—Você continua o mesmo idiota de sempre! Só que mais desgastado, o que foi? Esqueceu de se cuidar foi?

Ele sorriu.

—Nunca fiquei tão feliz em escutar você me chamando de idiota! _Me beijou.

Aaaah que saudade do meu ogro.

—Amor, sabe eu sentir tanta a sua falta.

—Eu sentir mais e nem adianta dizer que sentiu mais que eu. Não admito! _Beijou minha mão.

—Sabe, no momento eu quero ir pra casa tomar banho e comer um Hamburgão enorme!

Se sentou na cadeira.

—Achei que quisesse que eu te enchesse de beijo.

Revirei os olhos.

—Me diz, como está todo mundo? Não vejo a hora de sair daqui. Quero ver meus projetinhos de gente. E as crianças como se comportaram nesses dias? Que saudades da Thaís, do Pedro!

—Pedro?!

—Amor! Ainda tá nessa?

—Não posso negar que nesses dias o Pedro me ajudou bastante. Ele é uma boa pessoa! Você tinha razão. _Se sentou ao meu lado.

—Você fica sexy assim!

Ele sorriu.

—Eu quero sentir o seu cheirinho adocicado. _Me abraçou.

—O único cheiro adocicado que você vai sentir são os de medicamentos. Eu estou fedendo a hospital! _o Empurrei.

—Seu cheiro é único garota! _Me beijou.

O médico abriu a porta.

—Vejo que já se acertaram! _O Médico sorriu.

—É John amigo! Não vejo a hora de levar essa cabeça oca pra casa!_Entrelaçou nossos dedos.

—Não vejo a hora de comer um Hambúrguer cheio de coisas que me engordará! _Suspirei.

John sorriu.

—Antes de ir para casa dona Júlia, a Polícia virá colher o seu depoimento. Para investigar quais foram as causas do acidente. _Apertei as mãos do Alexandre.

—Tudo bem Júlia?

—Sim eu... Doutor quando eu vou ter alta? _mudei de assunto, lembrar do acidente ainda me assustava muito.

—Se tudo der certo, Amanhã depois do almoço! O delegado vem hoje à tarde. Quatro horas! Agora vou dar um tempinho para vocês se despedirem! Até mais. _John saiu do quarto.

Me deitei.

—Amor, por que você ficou assim de uma hora pra outra? _Segurou minha mão.

—Pode está comigo na hora que a polícia vir? _apertei suas mãos.

—Claro! Eu estarei aqui, não se preocupe. _Beijou minha testa.

—Obrigada! _Dei um longo suspiro _ Já está na hora de você ir! Mande um beijo para as crianças por mim. _Lhe dei um rápido selinho.

—Júlia?

—Só vai amor! E volte mais tarde por favor!

Beijou minha testa.

—Tudo bem! Até a tarde!

Saiu do quarto.

Lembrar do acidente ainda está um conflito para mim.

A BabáOnde as histórias ganham vida. Descobre agora