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Quinze minutos depois, Hank saltou do carro, extasiado com a paisagem.

O lugar era maravilhoso! Do alto da colina podia ver um mar azul turquesa, iluminado pelo azul límpido do céu, lamber com ondas de espumas brancas uma praia de areia azulada. Calculou que o tom da areia deveria ser efeito dos corais, como ocorria na praia de Pink Sands, nas Bahamas.

De frente ao mar, havia uma mulher ajoelhada, também absorta com a paisagem. Era Juliet Blair.

Alheia ao homem que a observava, Juliet levou a mão ao rosto. Enxugou uma lágrima teimosa. Não conseguia parar de pensar na conversa que tivera com Gavin.

Limpou outra lágrima. Lembrou-se do frio no estômago e do horror que as palavras lhe provocaram. Havia uma verdade tão crua naquilo, que não tinha, mesmo, como refutar! Não se tratava exclusivamente dela e da sua sobrevivência. E sim de dezenas de pessoas que dependiam diretamente dos investimentos da Forbes naquela ilha! Pessoas para as quais não podia, simplesmente, virar as costas.

Sabia que sua recusa em permanecer no Centro de Preservação da Vida Marinha naquela manhã, apenas protelaria o inevitável. Talvez adiasse em alguns dias o encontro com o Todo Poderoso. Mas, pelo menos, lhe daria um tempo para pensar e com um pouco de afinco, estabelecer uma estratégia de ação.

No entanto... quando dois sapatos de cano alto caíram a seu lado, Juliet entendeu que sua manobra redundara em nada!

Ela sequer ergueu o olhar. Permaneceu com os olhos fixos no mar. Não precisou, nem mesmo, se mover. Lentamente, Hank se abaixou e se ajoelhou na areia, de frente para ela.

− Não adianta fugir de mim, Doutora...! Eu acho você!

Juliet assentiu com a cabeça, sem proferir palavra.

Os dedos dele traçaram delicadamente a curva de seu braço.

− Li seus relatórios, Doutora Blair... Especialmente aquele que fala de alucinações no Collingwood. Mas, confesso que ainda estou com dúvidas. Tenho certeza que só você pode resolver isso pra mim...

Ela voltou o rosto para vê-lo.

− Pois não? O que quer saber... Hank?

Ele ficou tão feliz em ouvir o próprio nome, que não se preocupou com a mudança de atitude ou o brilho diferente dos olhos. Sorriu, brindando-a com o charme inequívoco das covinhas. Chegou a suspirar de alívio, como se tudo, finalmente, caminhasse para um desfecho feliz. Sem resistência, levou a mão dela aos lábios, para beijá-la com carinho.

Sabe...− falou baixinho − Quando eu estava mergulhando, eu vi uma sereia. Linda! E ela colocava a mão bem assim, na minha... −encostou a palma das duas mãos e riu da desproporção. − Eu achei que ela tinha as mãozinhas bem pequenas... Mas sabe que não? Eu é que tenho essas mãos enormes...!

Juliet engoliu em seco. Desviou os olhos. Era preciso lembrar que aquele homem, que falava daquela forma adorável, era um filho da puta nojento!

Hank continuou:

− Mas sereias não existem... não é? Então, se elas não existem, isso só pode significar que fiz amor com uma mulher! Você e seu relatório me disseram que não! Aliás, seu relatório disse que eu estava completamente chapado e tendo uma alucinação! Mas... Doutora... se foi mesmo uma alucinação, será que você poderia me explicar isso aqui...?

Ele desabotoou a camisa branca, deixando à mostra o peito liso. Delicadamente a peça escorregou pelos ombros e caiu na areia molhada.

Juliet respirou fundo. Gavin estava certo: ela não era freira e nenhuma mulher heterossexual, saudável, ficaria imune ao charme daquele homem, que cheirava de um jeito tão absurdamente bom! Mas... que droga! O desejo que ele lhe provocava ardia mais que as brasas quentes de uma tortura...!

Mar de Desejo - ( Romance completo!)Leia esta história GRATUITAMENTE!