Capítulo 7

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— Que tal? — disse Bianca, girando de braços abertos com um grande sorriso no rosto.

— Espera... Não pergunte... nada pra mim agora... ou vai ver... meu café da manhã... — Eliza tentou se levantar, mas suas pernas dormentes não deixaram. Desistindo, ela ficou no chão e se concentrou em manter os conteúdos do estômago do lado de dentro. — Tem certeza de que não comprou sua carteira? — disse para Bianca, encarando-a.

— Você já perguntou isso! — A garota amuou-se, mas tinha um sorriso quando pegou a carteira e mostrou sua carteira provisória de motorista com orgulho. — Posso ter mexido alguns pauzinhos, mas passei na prova! Olha aqui minha carteira!

Ainda no chão, Eliza olhou para a ruiva sorridente, seu coração ainda pulsando loucamente da corrida. Ela gostava daquele sorriso, mas, agora, ele a irritava. Sem avisar, ela agarrou a carteira, a virou algumas vezes e então colocou contra o sol.

— É de verdade... mas depois de ver você dirigindo, me faz pensar se realmente passou na prova ou simplesmente não mexeu alguns pauzinhos de novo.

— Pode parar! Assim até parece que eu dirijo como uma maníaca descontrolada. Não deu nem um pouco desse medo todo — reclamou Bianca, mas sem olhar nos olhos de Eliza.

— Não deu esse medo todo? — Ela repetiu as palavras lentamente. A vontade de gritar suas frustrações deu forças à garota. — Você não apenas dirigiu como se fosse tirar a mãe da forca, mas também ficou costurando entre os carros como se fosse uma moto! A pior parte foi quando tentou ultrapassar aquele caminhão. Pensei que meu coração ia parar!

Bianca assistiu com uma expressão vazia. Então, enquanto Eliza recuperava o fôlego, a ruiva sorriu e balançou a mão para dispensar as reclamações.

— Chegamos aqui sãs e salvas, e ainda há tempo de aproveitar o resto do dia. Melhor me agradecer e não se preocupar com os detalhes.

— Minha vida não é detalhes — murmurou Eliza.

— Sendo assim, na próxima você dirige.

— Eu já disse que não tenho dinheiro pra isso.

— Verdade... Esqueci que gastou o que sobrou do seu dinheiro naquilo — disse Bianca, olhando o porta-malas do carro. —Até me fez parar pra comprar... e foi por termos perdido tempo nisso que precisei pisar no acelerador daquele jeito.

— Não me culpe. E não vou repetir essa discussão. Precisamos de fogos de artifício pro São João.

— Não posso acreditar que você gosta tanto assim desse feriado. —Bianca negou com a cabeça, mas não fez esforço para esconder seu sorriso. — Mais importante, que tal?

— Ei, eu não terminei de reclamar... — Eliza perdeu as palavras quando viu o que Bianca queria mostrar. — Deu a peste... É enorme... Você me disse que era grande, mas isso tá mais pra uma mansão de praia. Eu sabia que sua família tinha grana, mas isso é absurdo.

— Era essa a reação que eu queria! — A ruiva mostrou um grande sorriso enquanto oferecia uma mão para Eliza. A garota aceitou, mas até mesmo depois de se levantar, não soltou a mão de Bianca. — E, falando nisso, é do meu avô. É ele que tem o dinheiro na família.

— Nossa definição de dinheiro é diferente. — Eliza olhou em volta, admirando a casa. — Meu avô também tem uma casa de praia. Provavelmente é um quarto dessa daqui, mas era divertido ir nas férias de verão lá com todos os meus primos.

— Parece legal... passar o verão com você. — Bianca murmurou a última parte com o sorriso malicioso nos lábios.

— Mais ou menos. — Eliza não comentou a última parte, mas enquanto se lembrava de sua infância, um sorriso se forçou nela. — Era divertido brincar com todo mundo na praia e na piscina. Mas tenta dormir com 10 crianças em um quartinho. Eu costumava acordar com um pé no meu nariz. E quando o primeiro acordava, o resto também, já que precisava pisar na gente pra sair do quarto. Era um inferno quando o ar condicionado quebrava. — Eliza balançou a cabeça para impedir as memórias. Bianca, por outro lado, riu. — Nós brincávamos da manhã até o por do sol e só voltávamos pra casa pra comer.

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