Capítulo 44 - Terna

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No momento que entrei na floresta senti a presença que morou em peito por todos estes anos. Cambaleio confusa os primeiros passos, é estranho, mas acho que estou perto de descobrir por que tal sentimento amoroso morou em mim quando na verdade eu era depravação. Ivy anda ao meu lado sem desconfiar dos meus pensamentos, ela observa ao redor com olhos de guerreira, sinto-me mais segura por ela estar aqui, e idiota por não ter treinado como minha irmã. Afinal um dia terei que derrotar meu próprio monstro, mas sempre acreditei que alguém o faria por mim.

Ivy tenta usar seu poder, ela não me força a usar o meu, apenas me lança um olhar e digo que também não consigo usa-los. Não quero me expor, ainda não. Desde criança eu sabia que os gardianos procuravam por meu poder quando queriam ter razão em algo terrível, então mantive este sentimento tão profundamente em mim que nem eles, com suas preces, seriam capazes de chegar. Contudo sempre teve essa chama de paixão, eu pensava ser o sentimento misto, portanto imaginava que os gardianos eram maus, contudo era eu, e a paixão era esse sentimento encorajador e sedutor, adorava as rezas para paixão, como os gardianos ficavam felizes, mas não era capaz de atender a todos.

-Então é melhor sairmos desta área. –Diz ela se ajoelhando e que nojo, ela pega algo do chão cheira. –Isso são fezes.

-VOCE É LOUCA? –Grito horrorizada me afastando dela. Ela revira os olhos, um som vem do fundo da floresta e ela tampa minha boca com mesma mão que pegou aquilo, a bile sobe por meu estomago. –Nunca.

-Shh. –Faz ela. –Olhe aqui, o chão dessa floresta é coberto de galhos secos, não existe andar sem fazer barulho, o que significa que ouviremos algo chegando, mas também significa que as criaturas podem ter se adaptado a esta vegetação, então estamos em desvantagem, pois eles também podem nos ouvir chegando. Precisamos subir uma encosta, vê aqueles morrinhos mais adiante, sinto que devemos ir para lá.

Quase como se para apoiar o que ela disse, ouvimos uivos e rosnados, então o som de um animal sendo machucado. Me aproximo dela tremendo. Ela passa as mãos sobre meus braços e me dá um sorriso caloroso.

-Está tudo bem irmã, vou nos proteger. Assim como fez no seu reino. –Diz ela me olhando com aqueles olhos dourados.

-Não fiz nada, só tentei fugir com você. Se sairmos daqui, prometo que vou todos os dias ao centro de treinamento. – Digo nervosa e agradecida por Ivy estar tão tranquila.

-Está tudo bem, vou cuidar da gente, e quando saímos daqui vou chutar a bunda do Doriam com tanta força que ela vai sentir o gosto do próprio bumbum. –Ela fala, enquanto seguimos por um caminho pouco aberto.

Depois de algum tempo andando ela fala.

-Papai vira nos buscar, quando souber que não voltamos para casa.

-Ivy, Doriam deve ter pensando nisso. –Nisso ouvimos nossos nomes, mas é um som fraco. Então continuamos. –Além do mais, não conseguimos sair desta floresta, e até acharmos o que nos tranca aqui dentro, não vamos conseguir sair. Seja lá o que for o que nos prende, está dentro desta floresta, e nem o supremo vai poder nos tirar dessa.

-Bem. –Diz ela. –Então podemos aproveitar para colocar o papo em dia. –Diz otimista, eu resmungo e ela dá um de seus risinhos. –Ora, Terna, vamos lá.

-Tudo bem, mas não vamos fazer barulho. –Digo levantando meu vestido. Ivy coça o queixo e se ajoelha de frente para mim, então rasga o meu vestido verde na altura dos joelhos e amarra o restante do pano na minha cintura, e faz o mesmo com dela. –Entendi, assim podemos nos mexer mais livremente.

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