Capítulo 43 - Doriam

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Volto para meu reino, Dorpax e os outros me esperam seus sorrisos são cúmplices o que me faz retorcer a boca em desprezo, com um gesto os dispenso da minha presença. Meu coração começa a bater acelerado, adrenalina é despejada por todo meu corpo. Vou em direção ao meu quarto, contudo ao chegar e olhar para aquele vazio, sinto minha mente se recuperando. Meu coração volta a acelerar e em um turbilhão de emoções, memorias, anseios, alegrias vem à tona, sobrepondo-se a obsessão e vazio que senti nos últimos dias.

Lembro do rosto feliz de Ivy em seu casamento, o olhar apaixonado de meu irmão, a maneira como os dois estavam apaixonados. Por que estou vendo isto apenas agora? Também lembro de Terna, sua timidez ao me confessar seus sentimentos, a alegria de estar ao meu lado. Bato com força em minha cabeça. Por que fiz isso com ela? Por que aceitei este compromisso do qual eu não queria, era simples, eu poderia ter dito a ela para encontrar alguém que a amasse de verdade, assim como talvez um dia eu encontre. Então percebo o pior, as duas, sozinhas, naquela floresta.

Caio de joelhos devastado quando vou percebendo tudo que fiz, meus pensamentos voltando a ser meus, minha cabeça lateja enquanto vou me libertando pouco a pouco de meu aprisionamento.

-Ó NÃO. –Grito, levanto correndo tateado os corredores, caio duas veses antes de chegar a portal, tal é meu desespero. –Por favor divindades, que eu consiga entrar naquele lugar maldito!

Volto para o portal que me leva a floresta. Tudo começa a fazer sentindo, fui enganado, como pude me deixar enganar? Então lembro da caverna, ainda não consigo lembrar da criatura, mas sei que é poderoso, e o que eu fiz? Entreguei minha esposa, e a esposa de meu irmão para aquele monstro.

Chego a floresta ofegante, a dor ainda consome minha cabeça e preciso fechar os olhos por um minuto para me acalmar, tento entrar para me redimir e busca-las, preciso salva-las, mas desesperado percebo que não consigo entrar.

Grito o pleno pulmões os nomes delas, mas nada acontece. Caminho de um lado para o outro, o desespero congela meus ossos, até que por fim o ouço.

"Não preciso mais de você, agora tenho tudo que preciso. "

- Seu maldito! - Soco o chão com força. A força de meu poder faz com que uma pequena cratera se forme, mas nada acontece na floresta escura. – Me deixe entrar! Leve a mim, vou destruir você.

Grito enfurecido.

Vendo que será impossível entrar, sei o que preciso encarar agora. Volto para o supremo reino, as paredes estão em um tom acinzentado de preocupação. Talvez ele já saiba, penso arrumando minha longa capa preta. Corro em direção aos salões de meu pai, e como o verme que sou me ajoelho em seus pés.

- Pai, eu sinto tanto...- Começo inseguro. – Eu fiz algo terrível... algo imperdoável.

- Doriam, filho? – Drakon pergunta tentando se levantar.

- Deixe-me contar tudo, é importante. – Digo impedindo-o, mas com meu rosto ainda voltado para o chão. – Ivy e Terna estão em perigo, e a culpa não é de ninguém além de mim. Fui corrompido e minha mente tomada, mas como determinação eu não devia ter cedido, por todas as divindades, eu as entreguei para uma criatura na floresta sem alma, é impossível penetrar lá, e não consigo lembrar deste ser vil...está tudo tão confuso. Pai, mãe, eu mereço ser punido.

O castelo fica negro.

- Explique-se melhor Doriam. – Minha mãe comenta levantando-se e se aproximando, suas mãos tocam meus ombros me apoiando, não mereço tal carinho, depois do que fiz. –Eu sou justiça, enxergo a verdade de suas palavras.

- Eu estava apaixonado por Ivy. – Meu coração bate forte no peito e vou falando com rapidez. – E achava que ela iria me escolher como companheiro e quando Terna o fez, algo... não sei, talvez tenha sido eu, mas sinto que hoje, agora... mesmo magoando seus sentimentos eu a recusaria, sei que é cruel, mas não há amo, e prefiro que ela encontre o amor e não piedade.

- Continue filho. – O aperto de minha mãe é forte em meu ombro.

- Quando chegamos ao reino das trevas descobrimos que Terna nunca foi paixão, ela é depravação. – Não se ouve um único som no salão, Drakon vai até as bebidas e serve-se de um copo ele bebe de um gole só, e volta a encher a taça. Seus olhos criam mudanças de cores e eles estão focados em mim, assim volto a desviar o meu. – Depois disso tudo ficou confuso, eu não conseguia pensar com clareza, meus olhos perderam a cor e simplesmente sabia que Ivy me amava e que escolheu Ravi por que Terna havia me escolhido. Fiquei obcecado com isso, e a confusão só aumentava, então conheci o ser da floresta, mas não consigo lembrar dele, ainda. Minha cabeça parece que vai explodir quando tento.

- Terna é depravação? Você não lembra do ser, mas... o que pode ser tão forte que o afetou? – O supremo soberano divaga enquanto bebe, passa a mão pelo cabelo nervoso.

-Uma divindade, mas não qualquer divindade. –Fala Fairy. Ela levanta os olhos. - Não demos um nome a ele, por que existe dês de os primórdios, mas só ele poderia confundir assim uma mente, roubar pensamentos, deixando só o que ele quer. Não sei o que ele pode querer com nossas filhas, mas tenho uma pergunta a você Doriam, sabe quem é paixão? Pois se o sentimento existe, isso significa que temos uma soberana ou soberano que é dono dele.

-Não sei nada sobre paixão. –Digo envergonhado. – A nuvem de confusão, começou quando retornei a Gardia, mas era sutil, eu não havia percebido, foi a divindade da floresta que mandou a criatura que Ravi está enfrentando, tudo para me fazer entregar Ivy e Terna para ele.

-Bem, precisamos crer que nossas filhas vão conseguir derrotar seus monstros. E espero que seja antes de Ravi voltar, mas isto é ter muita fé, vocês demoraram para vencer os seus. - Drakon diz enquanto dá voltas na sala. – Chegou a hora de Ivy e Terna enfrentarem seu monstro, e pelo jeito cabe a elas descobrirem o mistério do soberano da paixão.

- Há mais uma coisa que preciso contar, Ivy... –Digo engolindo em seco, e olhando em seus olhos. -ela está grávida, esperando um filho de Ravi.

Fairy ofega, as cores oscilam como nunca fizeram antes, o supremo reino está completamente escuro. Os poderes de fairy fazem o chão tremer, seus olhos estão arregalados.

- Ivy está o que? – Ravi chega, suas roupas estão sujas, seu rosto trás uma marca avermelhada, ele grita, não consigo encara-lo. –Doriam! Onde está minha esposa?

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