Prólogo

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Pois é. Expulsa pela quinta vez de mais um colégio! Essa era a minha realidade, mudando de colégio e criando novos inimigos. Sempre tive tudo o que quis, menos o amor de uma mãe. Nunca conheci o meu pai, e na verdade nem desejo conhecê-lo. Fui expulsa desta vez por cortar o cabelo de uma menina, mas foi ela quem me provocou. Eu juro!

  Estava na sala de estar quando ouvi o telefone.

Trim... trim... prim...

— Mãe, o telefone está tocando! — grito do sofá.

— E por que você não atende mesmo? — ralhou minha mãe.

— Mãe, eu estou muito ocupada!

—  Meu Deus, você só fica nesse celular! — Sai minha mãe do banheiro com roupão, uma máscara facial preta e pepinos em seus olhos, e atende o telefone. Não sei por que, mas naquele momento, ela me lembrou o Coringa!

CHAMADA LIGADA

— Alô, quem é? — pergunta minha mãe.

— Sou eu, o Diretor Rob. — respondeu.

— Olá Diretor! Como​ vai? Algum problema?

— Olá Senhora Beckmann​, eu vou muito bem, mas, a sua filha não!

— Não o compreendo.

— Sua filha...

— Sim, minha filha...

Minha mãe falava olhando para mim.

— Infelizmente venha buscar a transferência dela, ela aprontou e não foi qualquer coisa!

— Como assim ela aprontou? Ela tem tirado notas ótimas, impossível sobrar tempo para fazer bobagens!

FERROU! Chegou a notícia nos ouvidos dela. Deixe-me arrumar minhas malas para mudar de mansão mais uma​ vez!

— Senhora, todo mundo tira notas ótimas com um boletim falsificado!

— Falsificado. — Fala minha mãe me atravessando os olhos.

— Não precisa continuar, entendi tudo muito bem, hoje a tarde estou aí.

— Desculpe-me lhe incomodar. Tenha um ótimo dia!

— Obrigada.

CHAMADA DESLIGADA

   Assim que olhei para minha Mãe, ela estava desligando o telefone, desta vez, invés de permanecer na sala para ouvir sermões, me levantei e fui direto para o meu quarto arrumar minhas malas.

Na manhã seguinte... Acordei cedo, como de costume permaneci deitada na cama mexendo no celular, estava falando com minhas únicas amigas (Geovana, Clarice e Renata), três loucas. Estava marcando​ para sair com elas a tarde, mas... Quando menos espero, entra minha mãe no quarto, já toda arrumada e me diz apenas uma coisa:

— Arrume-se, você tem compromisso às 10:00.

— Como assim tenho compromisso? Marcamos alguma coisa para hoje? - pergunto espantada e cheia de dúvidas.

— VOCÊ NÃO ENTENDEU? Eu MANDEI você se arrumar! - responde minha Mãe.

— Tá bom. Também não falo mais! — falei.

Levanto-me tomada de puro ódio e começo a arrumar minhas malas, aliás, eu iria passar um ano no meio de vários loucos acostumados com o pior da vida! Coloquei as melhores roupas, sapatos e acessórios dentro da mala, e como sou nada besta, coloquei dois celulares que tinha​ ganhado ano passado e por prevenção o meu primeiro tablet (tente imaginar os arranhões).

Assim que terminei de me trocar, ouço minha Mãe me gritando como uma louca — AGNES! DESÇA LOGO!

— Ai meu Deus, o que fiz para merecer essa vida! — penso alto.

Saio do meu quarto descendo as escadas correndo, chegando na sala, fico perplexa e passa um filme de todos os momentos felizes que vivi alí, de repente minha Mãe estala os dedos no meu rosto interrompendo aquele êxtase maravilhoso e faz um gesto como se dissesse "Você não vai sair?", saio sem bem a olhar direito. Abro o porta malas e coloco todos os meus pertences, e se jogo no banco de trás com as pernas para cima.

— Antes de irmos para o internato temos que pegar o Júnior, ele deve estar me esperando no aeroporto. — diz minha Mãe.

Minha mãe tem um namorado, corrigindo, esposo. Eles já se casaram e estão indo para a lua de mel. Detalhe: Este é o quinto marido da minha Mãe. E a lua de mel? Vai ser bem longa e foi mais uma desculpa para minha Mãe me mandar pra bem longe!
Paramos no aeroporto e assim que chegamos ele tentou colocar suas malas no fundo do carro e se deu conta que aquilo tudo não era para simples semanas, pode-se dizer que era para anos!

— Meu Amor aquelas malas são todas para a lua de mel? — pergunta Júnior.

— Não são para mim, a Agnes está indo para um internato.

— O QUE? — pergunta Júnior esguichando toda a água misturada com coxinha de​ frango. — Posso saber qual foi o escolhido? — pergunta ele mais calmo.

— Você não adivinha? — falo debochando da atitude da Mamãe.

— Bem, não é um dos melhores, mas, foi o único que a aceitou! — fala a Mamãe rindo. — Já ouviu do Benjamin Academy?

— Amor, com o que você estava na cabeça? — pergunta Júnior já irritado. — Aquele é o pior internato da nossa cidade, talvez até do país!

— Querido, você já viu o tamanho da ficha criminal dessa criatura? — pergunta minha Mamãe. — Fica impossível uma escola a aceitar com todos os erros já cometidos.

— Nossa parece que vocês estão falando de uma criminosa! — falo tirando fotos.

— Lógico que estamos​! — diz minha Mãe. — Ó minha linda, você já tentou tocar fogo no pátio da mesma escola duas vezes! E por favor para de fazer essa boca para tirar foto, parece que você deu um derrame! — completa ela.

— Parece que enfim chegamos! — anuncia Júnior.

— Pois é, infelizmente sim, chegamos. — Falo desanimada admirando o internato que mais parecia um castelo.

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