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Eu e a garota do teatro acabamos ficando amigos com o tempo, ela fazia  as peças loucas sobre emoções e me animava mais.

- Você ta meio pra baixo hoje - ela diz enquanto almoçamos numa cafeteria próxima à escola. - Brigou com seu pai de novo?

- A gente nem chega a brigar. Ele mal olha pra mim.

- Não é sua culpa Tae.

- Tae?

- Te chamar de V é muito estranho.

- Então ta.

Ela tentou me animar no resto do dia, mas eu não quero me animar.

Ela não filmou nada hoje. Arrumo tudo e vamos andando.

- Posso te ligar mais tarde? - ela pergunta.

- Não.

- Por que?

- Não vou dormir em casa.

- Não vai dormir no banco de novo né?

- Talvez.

- Por isso o povo da escola te acha maluco.

- Mas você não.

- Porque eu sou maluca também - rio.

- Mas é sério, não quero voltar pra casa.

- Só porque sou maluca vou perguntar. Quer ficar lá em casa essa noite?

- Não precisa.

- Se você dormir na rua pode acontecer alguma coisa.

- E pode não acontecer.

- Kim TaeHyung - ela bate em mim. - Você vai lá pra casa e pronto.

- E seus pais?

- Eu moro sozinha.

- Okay.

- Pelo menos pegue uma muda de roupa.

- Eu tenho na mochila - ela me olha desconfiada. - Quer que eu mostre?

- Quero.

- Aqui ó, camisa, calça, meia e cueca.

- Não precisava ter mostrado tudo - ela diz irritada - vamos logo.

Ela me leva até a casa dela.

Me sinto mal, minha sala é maior. É um quarto e sala, mas não tem cama.

- Onde você dorme?

- No sofá. E você vai dormir no chão. Oi bebê - me assusto mas percebo que ela está falando com o cachorro que entrou silenciosamente na sala.

- Fique a vontade, toma um banho, come alguma coisa, cuida do bebê pra mim.

- O nome do seu cachorro é bebê?

- Sim - ela diz como se fosse óbvio.

- Mas você vai sair? - pergunto.

- Sim, tenho trabalho agora.

- Pensei que trabalhasse aos sábados.

- E de noite.

- Não é perigoso?

- Não, eu sei lutar boxe - ela ri e sai de casa.

Examino a casa dela, tomo banho e como uma barrinha de cereal que tinha na minha bolsa. Coloco todo o dinheiro em notas de vinte que tenho junto com suas economias e espero ela chegar.

Já é uma da manha e ela não chegou ainda. Quero ligar para ela, mas também não quero, afinal, quem sou eu para cuidar da vida dela.

A porta destranca e ela aparece tentando não fazer barulho.

- Ainda está acordado? - ela se surpreende. - Ganhei gorjetas hoje - ela sacode o dinheiro no ar. - Guarda naquele pote que eu vou tomar banho.

Ela estava cansada então deita e vai dormir. Pego uma almofada e durmo no chão.

21st Century Girls - kth (Concluída)Leia esta história GRATUITAMENTE!